Finalmente, depois de uma grande espera e expectativa, Os Defensores entrou no catálogo da Netflix. A série é o fechamento dessa primeira fase de shows da parceria entre a Marvel e o serviço de streaming, e une os heróis que já tiveram suas séries solo, Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, em uma estratégia igual a que é usada pela Marvel nos cinemas.

Devo dizer antes de tudo que amo os personagens que as séries desenvolveram, com exceção de um ou outro, eu realmente me importo com os passos que Matt e Jessica dão, com o objetivo de Luke ser um exemplo para os jovens assim como Pop foi, e me importo um pouquinho com a jornada de Danny Rand. De todas as séries, a que mais demorei assistir foi a primeira de Demolidor, justamente por ser a primeira original que eu via da Netflix e não ter pegado a essência da coisa, depois disso, o máximo que eu demorava para finalizar as temporadas eram 2 dias.

O primeiro teaser, um dos melhores.

Os Defensores começa mostrando como os heróis estão após os ocorridos em suas próprias séries, Matt tentando abandonar o traje, Jessica sem ânimo para reabrir seu escritório, Luke saindo da prisão e Danny caçando o membros do Tentáculo. Um terremoto acontece na cidade e somado à uma série de subtramas, leva os heróis a se encontrarem, e irem atrás do Tentáculo, que está por trás disso.

Há um tempo atrás eu traduzi uma lista sobre coisas que deveríamos ficar animados e outras que deveríamos ficar preocupados a respeito dessa série. Uma dessas coisas era a qualidade que estava diminuindo, quanto mais recente a série, pior a qualidade, depois de duras críticas a Punho de Ferro era de se esperar que a produção acertasse os detalhes no crossover, bem…não foi isso que aconteceu. Sendo uma das poucas pessoas que se divertiu com a aventura de Danny Rand (mesmo tendo consciência de que é uma série fraca) eu posso dizer, Os Defensores não é tudo que prometeu.

O roteiro confuso pode parecer divertido por conta dos personagens, mas sofre do mesmo mal de Punho de Ferro: falta de objetivo. Apesar de ter apenas 8 episódios, o roteiro não consegue condensar o seu tempo, a série sempre bate na tecla de urgência, com uma abertura que puxa muito pra epicidade, movimentos de câmera que tentam emular esse sentimento caótico, mas uma história que começa lenta e termina devagar.

Entre atuações e personagens, onde estão os vilões? Muitos antagonistas, poucos de boa qualidade. Até mesmo Alexandra (Sigourney Weaver) que era pra ser a principal vilã dá espaço para alguns capangas (alguns até conhecidos, como Madame Gao e Bakuto) preencherem a trama com mais elementos descartáveis. Temos a volta de Elektra, agora sendo chamada de Céu Negro, uma arma feita para matar, sem emoções e finalmente dando sentido pra atuação de Elodie Yung que consegue entregar essa falta de expressão da personagem sem esforço algum.

As relações entre os protagonistas é divertida, ver uma amizade nascendo entre Luke e Danny gera ótimos momentos, assim como ver Jessica demonstrando um pouco de empatia por seus companheiros. O que realmente me tirava dessa sensação de família que a série quer passar é o fato de que SEMPRE, algum deles faz algo pra gerar discórdia. Em certo momento eu fiquei me perguntando se estava no contrato dos atores terem que discutir decisões a cada episódio, porque não fazia sentido aquele conflito, tanto não fazia que ele é resolvido num estalar de dedos.

Contrário isso temos as relações que já existiam nas séries solo, sejam elas conturbadas ou não, continuam ótimas aqui, dá uma sensação boa quando os heróis vão atrás de seus entes queridos para assegurar que eles ficarão bem, mérito do roteiro das séries solo, já que aqui não há muita importância para tais personagens.

A fotografia tenta fazer alguns truques interessantes, colocando uma cor específica em cena para cada personagem e ir mesclando elas conforme a necessidade. Infelizmente nas cenas de ação a direção mostra o quão fraca é, tudo muito escuro e com péssimas coreografias, o que deixa mais evidente a falta de carinho que tiveram para produzir a série.

Uma coisa que me irrita e eu posso estar sendo chato com isso é a falta de verossimilhança com o próprio mundo do MCU. Em um mundo onde alienígenas vieram do céu, é realmente inacreditável existir um dragão? Ou ninjas com espadas? Como observado por um amigo meu, apesar de fazer parte do universo da Marvel, não são feitas referências desde Jessica Jones, é como se a ideia do universo compartilhado fosse deixada de lado aos poucos e esse universo da Netflix estivesse separado depois de tudo.

Convenhamos que eles tiveram boas sacadas como a das cores, boas piadas, a ideia de uma série mais curta, diversas referências aos gibis, mas infelizmente nada disso consegue fazer Os Defensores ser uma série acima da média como prometido. Com coreografias de baixa qualidade, roteiro bagunçado e indeciso, a série se iguala com Punho de Ferro e talvez, só TALVEZ, aparente ser mais divertida por conta de seus personagens, porém não se deixe enganar, Os Defensores é uma bela decepção para quem estava aguardando a união dos personagens.

 

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