Garota Exemplar, Seven: Pecados Capitais, Zodíaco e Clube da Luta. Provavelmente você já deve ter visto um desses filmes, se não, que tal A Rede Social? Enfim, são filmes que embora você não goste são vistos pela crítica e por “entendedores de cinema” bons filmes, David Fincher (o diretor de todos eles) sabe conduzir de forma sistemática suas narrativas, é um dos raros diretores modernos que ainda consegue trazer um tom novo para suas histórias. Provavelmente se você já viu todos deve ter notado um ponto em comum em quase todos eles: o suspense.

Fincher não deixa implícito seu apreço por histórias que envolvam investigações ou serial killers, desde Seven, seu gosto por histórias do tipo começou a trazer narrativas que impactaram de forma crua os filmes de serial killers e suspense. Como casar duas coisas que têm tudo em comum, David Fincher e serial killers? Mindhunter. A não tão nova série da Netflix conta casos reais de dois investigadores do FBI que iniciaram uma pesquisa de campo e científica acerca os psicopatas e serial killers de todos os Estados Unidos.

Garota Exemplar, 2014.

Se torna difícil definir com o decorrer da série o que é um psicopata, na própria academia se torna difícil de se pensar isso. A perversão extrema de Freud, a loucura de Focault, ou quem sabe só maníacos vis que quiseram matar pessoas, vivemos numa armadilha diária de se definir quem são essas pessoas. Desde o primeiro episódio, acompanhamos Holden Ford, um agente do FBI que trabalha com diálogos com indivíduos que tem reféns em mãos, mas rapidamente começa a se envolver com a pesquisa sobre os casos de serial killers.

Esse termo naquela época nem sequer existia, de certa forma é ali que nossa ciência perita começa a criar termos e identificar os traços de psicopatia nos casos de serial killers, além de se fazer um estudo aprofundado de “grandes” figuras que deixaram um traço de horror nos EUA (como Charles Manson, Jeffrey Dahmer, etc). A dúvida é: houve alguma condição para que serial killers do nada brotassem nos Estados Unidos daquela época. A resposta é simples: não. Personas do tipo sempre existiram, mas a pesquisa e o “catalogar” eram muito reduzidos (quase inexistentes), ou seja, a história Mindhunter é revolucionária nesse sentido, introduzir uma clareza para determinada época e contexto e ainda por cima introduzir visões diferentes sobre os “monstros hediondos” que os serial killers foram e são.

E também assustadora.

Esteticamente, a série é impecável. Nos primeiros planos que vemos no primeiro episódio (dirigido por Fincher) somos tragados por aquela estabilidade que só ele consegue fazer, o deslizar de cortes, cenas e com uma fotografia escura, muito climática e imersiva compondo uma atmosfera única e acentuada. Com uma história que segue de forma lenta, mas com uma perfeição de tempo e um visual estonteante, Mindhunter acaba se tornando uma série cheia: com excelentes personagens, atores que incorporam e interpretam de forma fantástica, um visual belíssimo e roteiro/direção também deleitosos de se ver.

Veja Mindhunter.

 

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