Tive a honra de assistir aos 7 primeiros episódios da segunda temporada de Demolidor na Netflix e depois desse tempo todo, contratualmente calado, posso dividir com vocês as minhas primeiras impressões. Sem spoilers é claro!

Consigo compreender que as dúvidas com relação a série são muitas e pontuais, portanto irei dividir essa critica em 5 partes. Serão elas: Demolidor, Justiceiro, Elektra, Foggy/Karen Page e por fim, ritmo/enredo geral.

DEMOLIDOR (Matt Murdock) 

Temos aqui o que muito agradou na primeira temporada. Matt Murdock continua sua jornada afim de limpar a Cozinha do Inferno e ao mesmo tempo encontra alguém cujas convicções se chocam trazendo um ponto de vista diferente. A presença do Justiceiro e seus métodos faz com que Matt repense sua forma de agir e até luta filosoficamente contra o que ele acredita ser e o que os outros vêem nos vigilantes. O embate é muito mais do que físico, trata-se de um embate extremamente filosófico. O herói a todo momento se vê cercado por ética e choques de realidade, e é frequentemente lembrado de que apesar dos métodos diferentes, ele e Castle são iguais. Além de tudo isso Matt se vê passando por dificuldades com a firma, e até novamente colocando sua amizade com Froggy e seu relacionamento com Karen em risco.

JUSTICEIRO (Frank Castle) 

Um show a parte. Jon Bernthal não é uma versão mais sanguinária do Shane (The Walking Dead) como alguns temiam, ele dá vida a um novo personagem de uma forma totalmente diferente. Esqueça o Justiceiro que você viu no cinema no inicio dos anos 2000, temos aqui uma representação mais fiel e profunda do personagem. Além de trazer esse contraponto de métodos com relação ao Demolidor, nesses 7 primeiros episódios o Justiceiro encaminha a história de uma forma espetacular. Se para alguns Kilgrave e Wilson Fisk foram responsáveis por questionamentos filosóficos com relação a suas motivações, Frank Castle veio para dar um nó em sua cabeça. Não se trata apenas de um homem de métodos brutos buscando vingança, se trata de uma tentativa de fazer as coisas darem certo colocando nelas um ponto final. Frank questiona sobre punições adequadas para bandidos e jovens infratores, dialogando inclusive com esse momento mais politicamente engajado no Brasil, trazendo reflexões que tornam a trama ainda mais interessante. Você será capaz de questionar e discordar de seus métodos, ao mesmo tempo se verá em um embate pessoal com relação a eficácia e terá que decidir entre prioridades. O Justiceiro não só te repensar o que conhece como justiça, mas também é responsável por te fazer chorar por perdas e torcer por sua glória, mesmo sabendo que isso não lhe trará paz interior.

ELEKTRA (Elektra Natchios) 

A série tem seu plot (até o 7 episódio, vale lembrar) dividido entre a violenta aparição do Justiceiro, e o ressurgimento de Elektra na vida de Matt com uma trama mais profunda, que parece levar tudo para algo ainda maior no final. Talvez seja ela a personagem que mais dividirá a opinião do público, afinal os mais puritanos talvez sintam falta de algo mais próximo com os quadrinhos. Elektra é sensual e manipuladora, e trás para a trama um aprofundamento maior não só para o presente da história, mas também para o passado envolvendo Matt e seus problemas mais íntimos. Ela é a responsável por envolver o telespectador nos questionamentos pessoais do Demolidor, mas durante um período também acaba por estimular mais aventuras do personagem como Vigilante, trazendo inclusive alguns problemas para seu dia a dia como advogado. É uma mulher forte, e embora suas convicções ainda não estejam claras, acredito que isso irá se desenrolar nos últimos 6 episódios. Portanto fica aqui um mistério em relação ao personagem como um todo. Fica meio evidente que o seu plot será o que interliga as demais partes da trama, mas ainda não da para saber até onde ela em si fará parte e como isso transcorrer com o desenvolvimento individual da personagem.

FOGGY/KAREN PAGE 

Enquanto Matt Murdock está em seu debate filosófico com Justiceiro e seus problemas e investigações maiores com a Elektra, temos uma firma de advocacia que lida com os cacos do que restou de sua audaciosa luta contra Wilson Fisk. Foggy torna-se um personagem extremamente interessante nessa temporada mostrando ainda mais sua força e nos lembrando de sua importância em trazer o Demônio de Hell’s Kitchen à vida normal. É interessante ressaltar que durante alguns episódios Foggy e Karen seguram as pontas e não deixam a peteca cair. Eles complementam a trama principal envolvendo a firma e também contribuem para os questionamentos filosóficos trazidos por Castle. Vemos uma especie de choque de pensamentos que envolve partes da história, onde individualmente uns se escondem dos outros e mostrando que a perspectiva de cada um se altera de acordo com os acontecimentos. Karen Page se mostra protagonista na tentativa de Murdock se colocar de volta ao mundo após sua noite como vigilante e Foggy o trás de volta ao papel de advogado. Os papeis se invertem ao decorrer da trama, e é interessante notar que eles são usados como pontos de vista diferentes de uma história maior contribuindo para a reflexão e identificação do telespectador.

RITMO/ENREDO GERAL 

O ritmo da série é bom e nos mantém interessados. Eu particularmente me amarro nos diálogos e momentos mais reflexivos desde a primeira temporada, mas devo ressaltar que a ação está fantástica. A diversidade maior de personagens de ação permitiu que as batalhas se tornassem ainda maiores e melhores. Elektra tem uma forma única de ação, o Justiceiro uma outra bem particular e o Demolidor agora amplia ainda mais sua versatilidade usando bastante seus acessórios. O uniforme não me incomoda, acredito que a necessidade de algo mais próximo dos quadrinhos seja apenas um exagero, afinal é evidente que o personagem está passando por transformações e muitas coisas novas estão por vir, então se torna meio incoerente exigir a versão final dos personagens agora desde o começo. Sim, há menções a Jessica Jones e ao universo Marvel, porém são bem mais sutis do que na primeira temporada (!) e isso nos mostra que a série está tomando um distanciamento ainda maior do Universo Cinematográfico. Eu já não sei mais se desejaria o Demolidor em um filme da Marvel, talvez apenas o contrário. Para quem gostou do show da batalha no final do segundo episódio da primeira temporada, a Netflix repetiu a dose com ainda mais ação, ainda mais ângulos, um espaço diversificado e o dobro de duração, os aficionados por ação irão pirar.

É isso ai galera, essa são as nossas primeiras impressões sem Spoilers da segunda temporada de Demolidor na Netflix. Devo dizer que gostei muito do que vi até aqui e não sei se aguento esperar pelos próximos 6 capítulos para saber como termina essa história.

Confira o NOVO trailer da segunda temporada recheado de cenas inéditas envolvendo a Elektra:

As resenhas individuais dos episódios vão ao ar no dia 18/03, data de estréia dos 13 episódios da série, então fiquem ligados e até a próxima.

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