O início do terceiro milênio foi um dos períodos mais diversos e complexos da indústria musical. Ao mesmo tempo que o Nu Metal e o Post Grunge dominavam as rádios, surgiram algumas pérolas interessantes que floresceriam no que se tornou a base para o Rock Alternativo de hoje. Bandas como MuseThe White StripesColdplayQueens of the Stone Age são aclamadas até os dias atuais(apesar do Jack White ter seguido carreira solo). Indo no embalo dessa explosão, a dupla de amigos de infância Dan Auerbach e Patrick Carney resolveu transformar suas jams de garagem em algo mais. Hoje em dia, não tem uma alma que ouça música alternativa e não conheça o nome deles. Mas, se por acaso você não conhece, eles são o The Black Keys.

E quando eu digo que eles transformaram suas jams de garagem em algo mais, é literalmente isso. Os primeiros álbuns foram gravados no porão do baterista, com equipamento que você provavelmente pode achar na loja de tranqueira mais próxima da sua casa. Isso ocasiona nessa sonoridade lo-fi da dupla, tanto que provavelmente se você apresentar uma música deles a um amigo que não manja nada ele provavelmente vai achar que eles são dos anos 60. E na verdade, eles tem influências de bandas de blues e rock dessa época, mas só começaram em 2001. Atraíram pouco a pouco a atenção da cena underground de Ohio, com os álbuns The Big Come UpThickfreakness, que possuíam uma sonoridade totalmente retrô e estruturas musicais simplistas complementados pelos primeiros passos da voz hipnotizante de Dan, porém só realmente começaram a ganhar atenção da mídia com o álbum Rubber Factory que foi aclamado pela crítica e rendeu a dupla sua primeira entrada nas charts da Billboard, principalmente pelo single 10 A.M. Automatic.

E juntando esse sucesso crescente com o final do contrato da gravadora antiga(tendo lançado um EP de covers de clássicos do blues chamado Chulahoma antes de sair de lá), os dois tiveram diversas oportunidades de entrar para uma gravadora maior, mas preferiram voltar pro porão do Patrick pra gravar um dos melhores álbuns da carreira deles, o Magic Potion. Com riffs mais afiados do que nunca, os garotos de Ohio não decepcionariam nem as maiores bandas do gênero, mostrando que eles não estão aqui pra brincadeira. Com músicas como Your Touch indo parar em trilhas sonoras de filmes(nesse caso, em Zombieland), a banda alcançou públicos maiores, o que ocasionou numa parceria com o produtor Danger Mouse, que sedimentou o nome deles no blues rock moderno no álbum Attack & Release, que tem uma sonoridade mais próxima do Rock Alternativo.

Mas, o real sucesso do The Black Keys chegou com o álbum Brothers e o hit Tighten Up. O álbum em si mostra um lado mais calmo da dupla, com um groove notável e canções mais intimistas. Ele também traz novos instrumentos como Baixo e Piano, que tornam a sonoridade mais profunda e bem trabalhada. Tais instrumentos são tocados em apresentações ao vivo por músicos de turnê. O álbum venceu o Grammy na categoria Best Alternative Music Album e na categoria Best Recording Package, e Tighten Up venceu na categoria Best Rock Performance By A Duo Or Group With Vocals.

E depois disso foi só sucesso. Álbuns como o bombástico El Camino e o psicodélico Turn Blue só reafirmaram a força da banda no mainstream com singles como Lonely Boy Fever, que não perdem suas raízes no blues, mas experimentam com sonoridades diferentes. Eles fazem álbuns divertidos, que ao mesmo tempo que trazem novidades pra música atual, possuem um sentimento retrô que colabora com a nova sonoridade da cena Indie. É definitivamente uma banda que você deve ficar de olho.