God I’m so crazy, baby….I’m sorry that I’m misbehaving.

Off To The Races – Born to Die

Filha de um norueguês e uma americana com ascendência europeia, a cantora e compositora Elizabeth Woolridge Grant é mundialmente conhecida por seu nome artístico, Lana Del Rey, que é uma referência visual por seu estilo retrô e vintage. Lana começou a carreira artística aos 18, pouco depois de começar a estudar Filosofia, mais especificamente um campo denominado metafísica, na Universidade Fordham. Nascida em New York, mas crescida em Lake Placid, ela voltou à cidade natal e assinou com uma gravadora independente, no entanto, não obteve sucesso e seu estilo musical foi recusado por muitas gravadoras. Em 2008 lançou seu primeiro álbum, Kill Kill, com o pseudônimo de Lizzy Grant, mudando-o depois para Lana Del Ray, e finalmente para Lana Del Rey. Sua primeira canção de sucesso foi Video Games, e uma de suas faixas mais visualizadas no youtube é Summertime Sadness, com mais de 51 milhões de acessos.

Uma artista com letras maduras, com canções que tratam com subjetividade (algumas com mais objetividade) sobre temas mais adultos como o lado negro da fama e sua melancolia em Carmen e Fucked My Way Up To The Top; teor sexual explícito com Cola, Gods and Monsters e Burning Desire; além é claro, das músicas sobre relacionamentos amorosos, dentre as quais suas mais famosas são Blue Jeans, Video Games e Dark Paradise (desta última, um dos versos originou o meme “queria estar morta” que viralizou na internet por algum tempo).

Embora suas músicas não saiam muito da aura retrô na qual Lana se sente tão confortável esteticamente e artisticamente, cada um de seus álbuns possui uma sonoridade diferente e característica. Born to Die, seu primeiro álbum após firmar definitivamente seu nome artístico, vendeu cerca de um milhão de cópias apenas nos dois primeiros meses de seu lançamento, e hoje já contabiliza mais de 5 milhões de cópias vendidas, além de entrar em 16º lugar na lista de álbuns mais vendidos da década pelo site ATRL em 2014. Seus discos também têm batido recorde nas vendas em versão vinil, com Born to Die vendendo 81 000 cópias só no primeiro semestre de 2015, e tendo uma aprovação de 75% na Amazon.

Em 2013, a cantora foi criticada por Lorde, cantora indie que explodiu nas paradas de sucesso, em uma entrevista na qual declarou “Com ela, é tudo muito fabricado. Eu nunca acredito em nada do que ela fala, mas ao mesmo tempo, eu acredito que existe uma compositora de verdade lá, e acho que ela poderia fazer algo realmente bom se parar um pouco e olhar para si mesma. Tudo é sobre um homem… Isso deveria ficar no passado – estamos em 2013. Nem todas as canções tem que ser ‘Eu não sou nada sem ti, eu estou presa a ti, não me deixes ir!’ Isso é cansativo. A sua verdadeira história é mais interessante do que a sua fantasia.”. Como resposta, Lana favoritou um tweet maldoso sobre Lorde e não se pronunciou mais sobre o assunto. Outra polêmica na qual foi envolvida tem relação com seu álbum mais recente, Honeymoon, e uma suposição correu a internet de que a faixa Art Deco seria uma crítica à rapper Azealia Banks, conhecida por suas inúmeras brigas, e amiga pessoal de Lana. A canção fala de uma garota do gueto tentando impressionar com seu jeito “agressivo”. Quando questionada se a letra supostamente a insultava, Azealia apenas respondeu “É o que eu estou tentando ignorar e ficar de fora. Nós duas somos amigas… Eu acho?”.

Premiada com um grammy pelo remix de Summertime Sadness, dois BRIT Awards e um EMA, a cantora assume um gosto enorme por literatura clássica, tendo como escritores favoritos Vladimir Nabokov e Walt Whitman e Nina Simone e Billie Holiday como influências musicais. Ela também admitiu que Born to Die foi uma canção escrita sobre seus tempos de dependência severa em álcool, não sobre algum relacionamento amoroso.

Como já mencionado anteriormente, cada um de seus álbuns tem características próprias, musicalmente e visualmente, e seu disco mais recente, Honeymoon, não foge a essa regra. Após ter rompido um pouco com a estética retrô no álbum anterior, Ultraviolence, disco mais conceitual e intimista, Lana volta a esse conceito de forma gloriosa. Com canções mais inspiradas na era Jazz e com influência de artistas como Nina Simone, uma de suas artistas favoritas (Lana até possui uma tatuagem com seu nome) e Bob Dylan. Os arranjos musicais são delicados e nem por isso menos profundos, além dos maravilhosos vocais da cantora. Várias referências musicais estão espalhadas pelas faixas, como a menção a Major Tom, personagem fictício de David Bowie em Terrence Loves You, e uma das faixas, Burnt Norton, é um poema de T.S. Elliot. Destaque para as músicas God Knows I Tried e Music to Watch Boys To, canções nas quais os vocais estão divinos, e cujas letras realmente fazem jus à capacidade de composição de Lana – aliás, o álbum todo faz – e provando que ela realmente não deve à mídia explicações sobre o porquê de suas letras pesadas, sua estética retrô ou seu gênero musical.

 

Been trying hard not to get into trouble, but I I’ve got a war in my mind.

Ride – Born to Die 

facebook comments:

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here