Olá pessoal! Venho trazer hoje e com muito atraso, confesso e me desculpo desde já uma obra completamente diferente daquelas que já resenhei aqui. Enquanto Uma Saga na Toscana e Um Momento, Uma Manhã eram essencialmente histórias de amor, o livro que  trago agora, também cedido a nós pela nossa fiel parceira, Editora Fundamento, é uma caçada emocionante e cheia de adrenalina que explora uma série de assuntos como suspense, romance, história, mitos, enigmas, religião, conspiração e uma incessante e incansável busca pelo poder. Ufa! Parece muita coisa, eu sei, mas o talento de Scott Mariani, permite que ele trabalhe a grande variedade de temas de maneira hábil e dinâmica, sem abrir mão do ritmo e da fluidez que tornam o livro tão agradável. Em O Segredo do Alquimista, você dificilmente se encontrará entediado, ansiando para pular para o próximo parágrafo ou capítulo, pois a leitura é rápida, emocionante e repleta de reviravoltas que nos deixam boquiabertos e ansiosos para descobrir o que vem a seguir. Mesclando elementos históricos com passagens inteiramente ficcionais, Mariani nos guia através de uma aventura de tirar o fôlego e que certamente agradará aos mais exigentes fãs de Dan Brown, Kate Mosse, Indiana Jones e companhia.

 

Livro: O Segredo do Alquimista
Autora: Scott Mariani
Editora: Fundamento
Páginas: 384

BEN HOPE #1

 

Sinopse: Especialista em resgate de vítimas de sequestros, Ben Hope encontra pessoas de forma rápida, discreta e eficiente. Mas, quando um empresário milionário o contrata para uma missão diferente de todas as outras, Hope se vê em uma situação que mudará sua vida – ou acabará com ela.
Não se trata de achar uma pessoa, mas um objeto: um manuscrito antigo escrito por Fulcanelli, um homem que muitos dizem ter sido um gênio da alquimia. No documento, pode haver uma fórmula capaz de salvar a vida da neta do empresário, uma criança que sofre de uma grave doença. Tocado pela história, que o faz lembrar seu passado trágico, Hope vai para a França começar as buscas.
Lá, ele percebe que não é o único procurando o tesouro. Que interesse um obscuro grupo religioso pode ter em Fulcanelli e na alquimia, que sempre foi condenada pela Igreja? Como uma cientista brilhante e desacreditada pode ajudar Hope a encontrar esse objeto? Por que o manuscrito já foi alvo da cobiça até dos nazistas? Ben Hope tem dezenas de perguntas, cujas respostas, se forem descobertas, podem transformar a vida de milhares de pessoas.
Scott Mariani une religião com História para criar uma trama dinâmica e viciante, em que não há lugar para clichês. O segredo do alquimista, livro que apresenta o personagem Ben Hope, prende o leitor da primeira até a última página.

Resenha: A primeira coisa que me chamou atenção sobre este livro foi o gênero. Lembro que na minha adolescência, peguei O Código Da Vinci emprestado com uma amiga sem grandes expectativas e acabei virando a noite inteira com o livro nas mãos, incapaz de abandonar a leitura por algumas horinhas que fossem. Tamanha era a minha excitação, que acabei devorando o livro inteiro em algumas horas e nas semanas seguintes, confesso que fiquei ligeiramente obcecada pelos temas tratados na obra. Mas de lá para cá, por algum motivo, não me recordo de ter lido nenhum outro suspense e o que melhor para retornar ao gênero do que mergulhar numa obra que traz em seu papel principal, um personagem perfeitamente complementar ao genial Robert Langdom?

Benedict Hope, o protagonista, é um antigo soldado do Serviço Especial Britânico que já aposentado aos trinta e poucos anos de idade seria o meu sonho?, dedica-se à resgatar vítimas de sequestros, especialmente quando essas vítimas são crianças. Sem uma família para chamar de sua, tudo que lhe resta é a dedicação irrestrita ao seu trabalho e por isso, não é nenhuma surpresa que seja o melhor do ramo. Hope tem todas as características de um herói clássico: altamente treinado e motivado, ele é movido a ter sucesso a qualquer custo e nada é capaz de pará-lo quando há a possibilidade de salvar uma criança. Além disso, sua postura ligeiramente arrogante de quem sabe que é bom no que faz, certamente vai agradar aos leitores que gostam de protagonistas um pouco mais atrevidos.

Nossa história começa quando Ben é abordado por Sebastian Fairfax, um homem muito rico que o pede para ajudá-lo a encontrar o manuscrito de Fulcanelli que supostamente contém uma série de segredos alquímicos, incluindo o “elixir da vida”, que tem o poder de garantir vida eterna à quem o utilizar. Cético, Ben à princípio recusa a missão, mas ao descobrir que o conteúdo do manuscrito é a única coisa capaz de salvar a vida de Ruth, a neta em estágio terminal do senhor Fairfax, ele volta atrás e se mostra disposto a revirar o próprio mundo de cabeça para baixo para ajudar a criança, afinal, é bem verdade que o trabalho desta vez é um tanto quanto diferente de suas outras missões, mas essencialmente, o objetivo ainda é o mesmo: rastrear e recuperar. Ben só não imaginava onde sua busca o levaria e quantas pessoas teria que enfrentar para concluir sua missão.

Em busca de mais informações sobre o paradeiro do manuscrito, Ben voa para a França e lá, seu caminho se cruza com o da doutora Roberta Ryder, uma polêmica e desacreditada cientista que sempre desejou examinar as anotações de Fulcanelli e percebendo que é uma situação que beneficiará a ambos, junta-se a ele em sua missão. Os dois formam uma dupla perfeitamente complementar: ele é a força bruta, com grandes habilidades de luta e uma astúcia fora do comum, enquanto ela é o cérebro da dupla, conhecedora dos fatos históricos e alquímicos sem os quais Ben não teria ido tão longe em sua busca. No entanto, eles logo descobrem que não são os únicos atrás do artefato. A imortalidade sendo o que é, desperta o interesse de muitos, incluindo uma organização secreta chamada Gladius Domini, que dirigida por um membro do alto escalão da Igreja Católica, afirma agir em nome de Deus. Os membros desta sociedade estão dispostos à tudo para descobrir os segredos do manuscrito e se isso significar a morte de Hope e Ryder, bem, azar o deles, afinal, os fins justificam os meios. Ou será que não?

Ben e Roberta, que pouco a pouco vão se apaixonando um pelo outro, nos guiam através de uma emocionante caçada que vai desde Paris às fortalezas ancestrais dos Cátaros, no sul da França, onde um segredo permaneceu escondido por séculos. Mas se você está esperando uma caçada mais “limpa”, travada no campo intelectual, como acontece com Robert Langdom, você pode se surpreender. Enquanto segue as pistas que o levarão à seu destino, Ben e Roberta enfrentam tiroteios, perseguições, lutas de facas, e até assassinos obcecados com torturas medievais, tudo acontecendo num ritmo rápido e absolutamente empolgante que faz com que o livro fique preso em nossas mãos da primeira à última página.

Conforme os elementos do passado de Ben são revelados, as falhas e angústias que ele tão desesperadamente tenta mascarar com seu exterior gélido são finalmente expostas e só então descobrimos que o comportamento por vezes autodestrutivo de nosso protagonista, nada mais é do que uma manifestação da culpa que carrega consigo. Foi bom ver que ele  não era 100% perfeito, que era, assim como todos nós, apenas um reflexo de tudo aquilo que tinha vivido. A partir daí torna-se muito mais fácil entender as atitudes do personagem e é claro, identificar-se em algum nível, com seus sentimentos. Ben pode parecer “durão”, mas conforme o conhecemos descobrimos que no fim das contas, ele é apenas… humano.

Livros desse tipo sempre me deixam muito curiosa e procuro lê-los com o celular ao meu lado, para que possa consultar o Google afim de descobrir o que é fato e o que é ficção. Numa dessas pesquisas, descobri que Fulcanelli não apenas existiu, como acredita-se que tenha sido o maior alquimista que já viveu. E ah, caso você esteja meio perdido, a alquimia é uma prática que combina elementos da Física, Medicina, Semiótica, Misticismo, Espiritualismo, Arte, Química, Antropologia, Astrologia, Filosofia, Metalurgia e Matemática, tendo sido praticada na Mesopotâmia, Egito Antigo, Império Persa, e muitas outras civilizações.

No fim das contas, ainda que em alguns momentos se entregue à alguns clichês e resoluções um pouco “fáceis demais”, O Segredo do Alquimista entrega tudo aquilo que promete: é um thriller  ágil, emocionante, recheado de mistério, suspense e ação do início ao fim. Mudará a sua vida? Dificilmente, mas sem dúvidas proporcionará um ótimo entretenimento se é isso que você está procurando. O desfecho, ainda que não seja exatamente surpreendente, é satisfatório e no geral, a experiência é tão agradável quanto assistir à um bom filme de ação.

No que diz respeito à edição, a Editora Fundamento mais uma vez, caprichou. A diagramação é simples, as folhas são amareladas e de excelente qualidade e a capa além de bonita, é chamativa na medida certa, sem exageros. Também não encontrei erros de tradução e mesmo nas páginas em que existem pequenas passagens em latim, nota-se a preocupação da editora em não poluir os rodapés, o que não apenas torna as páginas esteticamente mais agradáveis, como deixa maravilhados aqueles leitores que assim como eu, sofrem de TOC.

Estou ansiosa para ler os próximos livros da saga e espero ter despertado o interesse de vocês também. Caso já tenha lido o livro ou esteja pensando em fazê-lo, me conte aqui, vamos trocar nossas figurinhas!

Beijinhos e até a próxima!

 

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