Título: Cemitérios de Dragões; Legado Ranger Vol. 1
Autor: Raphael Draccon
Ano: 2014
Editora: Rocco; Selo: Fantástica
Páginas: 350

Sinopse: Um soldado de elite do exército americano desaparecido em uma missão no Afeganistão. Uma africana guerrilheira crescida em meio a conflitos étnicos de Ruanda. Uma garçonete irlandesa praticante de artes marciais mistas. Um hacker brasileiro descendente de orientais. Um dublê francês mestre em Parkour. Cinco realidades distintas. Um fenômeno desconhecido faz cinco pessoas, sem qualquer conexão e espalhadas pelo planeta Terra, acordarem em diferentes regiões de uma realidade devastada por um império de reptilianos e assolada pela escravidão. Os cinco iniciam uma jornada em busca de respostas para sobreviverem no centro de uma guerra envolvendo criaturas fantásticas e demônios dispostos a invocar perigosos seres abissais para servirem a seus propósitos. Porém uma entidade pretende conectar o destino dos cinco humanos e armá-los com uma tecnologia construída à base de metal-vivo, magia e sangue de dragões. Uma tecnologia jamais vista naquela ou em qualquer outra dimensão, capaz de gerar heróis de metal.

Cemitérios de Dragões é uma releitura de clássicos do tokusatsu como Jaspion e Changeman para uma linguagem séria, traduzindo elementos consagrados dos anos 90 para esse mundo de dragões e demônios.

A história tem um quê de Caverna do Dragão em um amálgama com Power Rangers. A escrita cadenciada de Draccon permite a história avançar pouco a pouco e de diversos pontos de vista. O narrador onisciente transita entre os cinco protagonistas e os diferentes acontecimentos da aventura particular deles. A experiência do autor como roteirista agrega muito na narrativa, que dá uma sensação de seriado onde cada capítulo é um episódio de um protagonista diferente. Assim, a carga de informações é pesada, porém bem dividida, não cansando nem perdendo o leitor em sua progressão.

“Ainda a muitos quilômetros dali, centenas de bebês continuavam a chorar. Eram sempre eles os primeiros a reconhecer a chegada de tempos ruins.”

Os personagens Derek, Amber, Ashanti, Daniel e Romain dão uma identidade única a seus capítulos. Enquanto a perspectiva de alguns é voltada para a ação e frenesi, a de outros se foca em alívios cômicos e momentos dramáticos. As partes de Derek e Amber são recheadas de ação e momentos de tirar o fôlego, já Ashanti vive um romance súbito, intenso e com prazo de validade, rendendo vários diálogos fortes e a mudança de humor típica de uma obra destinada à jovens. Não há muito foco em Daniel e Romain, porém seus capítulos são recheados de humor, dando uma pequena parcela de esperança para o leitor que pergunta se as coisas irão melhorar.

Draccon abusa dessa visão pessimista do mundo fantástico. Constantes baixos na vida dos personagens acabam elevando a expectativa de uma recompensa, coisa que o escritor sabe muito bem quando, como e em quantas doses dar. Seja em forma de frases de efeito (emulando filmes de ação dos Anos 90 e animes), easter-eggs ou alusões óbvias ao mundo nerd que conhecemos, o autor consegue nos recompensar de maneira satisfatória conforme o folhear das páginas. Ele consegue explicar as faíscas, as diferentes cores do esquadrão, até mesmo a bendita frase de efeito para ganhar a armadura colorida.

A escrita se perde apenas na reta final da obra, onde o sentimento de urgência aparenta ter pego o autor também. Felizmente a construção de personagens durante os outros momentos consegue situar os protagonistas no clímax e construir uma batalha final à la Vingadores, que apesar de súbita, consegue finalizar a aventura de forma satisfatória.

Os títulos dos capítulos entregam à qual local o narrador irá se dirigir, se irá para as Minas Dracônicas visitar Derek, ou olhará para Taremu em busca de Ashanti. Me agradou bastante na diagramação a decisão de diferentes fontes para os idiomas incomuns, fontes sofisticadas e quadradas para a língua de Taremu; enquanto as rústicas e sujas simbolizam o idioma maldito dos demônios. O que fez falta no acabamento da obra foi um mapa, em um mundo de fantasia com tantos nomes fortes para os locais, seria de bom proveito um mapa do Cemitério.

Havia nascido o primeiro caçador de dracônicos.

Havia nascido o dragão escarlate.

Havia nascido o ranger vermelho.”

A capa tem uma arte sensacional que com certeza rouba olhares nas prateleiras em que o livro está. A área desolada por dragões e o capacete com desenho na testa fazem referência à um segmento bastante emocionante no livro. Criar referência durante a obra parece um hobbie do autor, e achá-las durante a leitura é um divertimento a mais que os aficionados por nerdisse podem ter. Só de cabeça posso lembrar de coisas inspiradas em Lionman, Ultraman, Jaspion, além de menções a Naruto, Final Fantasy e Thundercats, geralmente vindas da dupla Daniel e Romain. Acho cômico e curioso, por exemplo, como ele usa o Epílogo do livro para fazer seu pós-créditos, dando gancho para a continuação no maior estilo Marvel Studios.

Em Cemitérios de Dragões, Raphael Draccon faz sua carta de homenagem à series da sua e de tantas outras infâncias, pegando referências de Changeman, Jaspion, Flashman, Power Rangers e tantos outros seriados infantis, trazendo-os para esse mundo sujo, cruel e fantástico de sua autoria. A obra é recomendada para os nerds e amantes de literatura fantástica, pessoas que assim como ele cresceram com a TV Manchete, e para outras que assim como eu, aproveitaram os espólios dessa geração.

REVIEW OVERVIEW
Trama
Narrativa
Personagens
Diagramação
Ambientação
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Ranger Azul na maior parte do tempo, cosplayer de Zacarias; vira e mexe escrevo para esse belo site. Sonho em ser cineasta, dirigir algum filme e ter uma carreira de escritor também.

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