Retendo esta espada
Cortei vacuidade em dois;
No meio do grande incêndio,
um fluxo de brisa refrescante!
– Shiaku Nyudo, 1.333 d.C.

 

O dia amanheceu frio, com uma nova luta contra a inércia de permanecer na cama. Minha mente vaga em busca de objetivos enquanto meu corpo se move de modo autômato, assim como fora ensinado a fazer. O glamour do salário no fim do mês fica cada vez mais distante, na medida que tomo consciência do valor de minha vida.

Ascendo meu primeiro cigarro do dia antes mesmo do sol nascer, ele vem acompanhado da primeira xícara de café. Distração e motivação. Coisas da vida moderna, nada tão fatal e viciante quanto o ciclo do capitalismo.

O clima da rua não é mais motivador. Pessoas caminham em um ritmo frenético, uma corrida para transpassarem as vitrines que nos cercam. Suor e desejo separados por muros de vidro. O ônibus já está cheio quando para em meu ponto, junto-me a massa de corpos vazios, o ciclo diário se inicia.

Costumo chegar um pouco antes do horário no trabalho e aproveito para saber o que está acontecendo no mundo. Minha mão alterna entre o terceiro cigarro e as corriqueiras notícias. Os fatos se repetem, renovam-se apenas os rostos e números. Na edição de hoje foram seis acidentes de trânsito, um Eduardo e um Antônio mortos em assalto armado, 2 milhões de reais desviados… mas vejam só, ganhamos um prêmio por combate à corrupção. Uma boa notícia, talvez assim sobre dinheiro para comprarem o isoniazida pro posto de saúde.

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