Receituário ao invés de resenha 

Medicamento ou Substância: High Hitler
Quantidade e forma farmacêutica: 384 páginas
Posologia fornecida por: Editora Planeta (Selo Crítica)
Embalagem do medicamento: Brochura, Capa Dura
Data de Fabricação: 2017 (Brasil)
Data de vencimento: É estabelecida de acordo com o atual estado da investigação
Doutor: Norman Ohler

Resumo do medicamento:

“Quando um amigo DJ lhe contou que Hitler e seus comandados usavam drogas, o jornalista Norman Ohler resolveu investigar. Foram cinco anos de diversas entrevistas e pesquisas em documentos que não haviam sido estudados sob esta perspectiva. O resultado é um livro que vem provocando interesse no mundo todo e está levando historiadores consagrados a ver o surgimento um novo lado na história da Segunda Guerra Mundial. High Hitler conta em detalhes a dependência de Hitler. Seu médico pessoal, Theodor Morell, administrou 74 drogas diferentes ao führer, de injeções de esteroides a produtos similares à heroína. Mas a revelação que pode levar a um novo entendimento do começo Da guerra diz respeito aos soldados alemães. Documentos encontrados por Ohler mostram que eles recebiam doses generosas de metanfetamina para ficarem mais dispostos e imbuídos de um sentimento de euforia e invencibilidade – o que teria sido crucial nas bem-sucedidas invasões da França e da Polônia.”

 

Prescrição médica
por Levi Kaique Ferreira

”O Nacional-socialismo foi tóxico, no sentido mais literal da palavra. Deixou para o mundo uma herança química que ainda hoje nos afeta: um veneno que não desaparecerá rapidamente. ” Não apenas um período negro de guerras e milhares de inocentes mortos em um momento da história da qual temos vergonha de ter permitido, mas quimicamente falando o governo de Hitler e a Alemanha Nazista foram palcos e protagonistas da popularização e desenvolvimento de drogas que até hoje trazem problemas para a humanidade, tanto drogas no sentido literal da palavra quanto no sentido de inserir a semente de um pensamento supremacista e racista que mesmo em 2017 vemos atingir mentes não saudáveis.

Poucos sabem, mas a metanfetamina teve sua ascensão  durante o terceiro Reich. A droga, que hoje é ilegal na maior parte do mundo, desfrutou de uma popularidade inusitada na Alemanha. Produzindo uma excitação perigosamente intensa, tirando o sono,  a fome e prometendo euforia, o estimulante era utilizado para aumento do rendimento no trabalho em escritórios, parlamentos e universidades, mas é sobretudo prejudicial à saúde, destruindo o usuário e o tornando viciado.

Norman Ohler descreve com precisão o avanço do uso de drogas por Hitler e o exército Nazista, assim como demonstra a influência do desenvolvimento de novos medicamentos nos rumos da guerra.

”MODIFICO MEU CÉREBRO, LOGO EXISTO.”Johann Wolfgang Von Goethe

O livro é dividido por capítulos curtos – com 2/3 páginas cada – bem criativos como: “Breaking Bad: A Cozinha de Drogas da Capital do Reich” em alusão a metanfetamina e a série de TV de 2008, brincadeiras como “Bula ao invés de prefácio” como fiz nesse “Receituário ao invés de resenha” , além do próprio titulo “High Hitler” que, numa tradução livre regionalizada, significa “Hitler Chapado” e brinca com a fonética da saudação nazista ”Hail Hitler”. Isso torna a leitura menos carregada. Capítulos curtos com títulos divertidos tiram o clima pesado do grande número de informações em cada página e nos faz aprender de forma mais fluida, sem tirar a seriedade do assunto.

Ohler domina a escrita e sabe do que está falando, isso permite que suas analogias ao uso de Drogas e ao fato da Alemanha ser o palco de tudo isso sejam extremamente interessantes e fáceis de compreender. O número de post-its utilizados nesse livro para destacar frases bacanas foi grande, meus amigos.

Além de destrinchar e explicar como a Alemanha criou seu título de “Oficina do mundo” e se consagrar como “O País das Drogas” , tornando o “Made In Germany” um selo de qualidade em diversos aspectos, Norman Ohler trata de relatar o papel de cada líder e médico alemão durante esse processo e a psicopatia de Hitler pelo poder sob o efeito de mais de 70 comprimidos por dia. 

”Vou deixar bem para trás todos os homens da história. Quero ser o maior, mesmo que para tanto morra o povo alemão”Hitler para o doutor Theodor Morell

Como diz Hans Mommsen: Norman Ohler fala de “Nacional-socialismo em forma de pílula” e o grande mérito desse livro está na descrição da relação simbiótica entre Hitler e seu médico particular, Theodor Morell

É extremamente interessante notar como acontecimentos mundiais podem ser conduzidos por trivialidades medicinais,  o que torna esse livro uma leitura instigante para amantes da história.

Em meio a curiosidades, jogos de palavras e muita informação, Ohler nos imerge na história da criação de medicamentos e drogas e decifra a importância do uso e popularidade de tais para os rumos da guerra e derrocada do regime Nazista.

Este medicamento é contraindicado à Neonazistas, Supremacistas Brancos e a Alt-right americana.



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