Título: Fragmentados
Autor(a): Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320

Sinopse: “Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.
O vencedor do Boston GLobe-Horn Book Award Neal Shusterman desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.”

 

Imagine uma sociedade onde a vida embrionária é preservada, mas assim que a criança inicia a adolescência, a família pode decidir se é conveniente manter o jovem no mundo ou optar por um aborto retroativo e o enviar para um chamado Campo de Colheita.

Em Fragmentados, esse universo absurdo é real. Em algum lugar do futuro, uma Lei da Vida foi instaurada após uma guerra e agora essas são as regras da sociedade. Entre os 13 e os 18 anos, seus pais podem assinar um documento requerendo sua fragmentação, processo que consiste em aproveitar 99,44% do seu corpo em transplantes futuros. Assim, você não morre, continua vivendo em pedaços em vários corpos diferentes.

Connor é um fragmentário. Aos 16 anos, descobriu que seus pais assinaram o documento para a sua fragmentação e se recusa a aceitar esse destino, então resolve desertar, fugindo na calada da noite. Ao mesmo tempo, Risa, em uma Casa Estatal – órgão que acolhe e educa órfãos até a idade adulta – descobre que não se sobressaiu em música, sua grande paixão, portando precisará ser fragmentada. Paralelamente, Levi, como décimo filho de sua família religiosa, se encaminha para ser fragmentado como um dízimo, honrado em fazê-lo.

Em um acidente de trânsito, essas três vidas se encontram, três visões de mundo e experiências diferentes colidem, resultando em uma conexão que só pode ser chamada de destino e segue durante todo o livro em uma série de ações e consequências.

A ideia parece tão louca que pode funcionar, certo? Bom, Neal Shusterman foi muito bem recebido pela crítica em geral, mas eu tive os meus problemas com o primeiro livro da série homônima que já têm dois livros publicados pela Novo Conceito.

“Sobre a existência da alma, quer fragmentada ou nascitura, as pessoas podem debater por horas a fio, mas ninguém questiona se uma instituição de fragmentação possui alma. Não possui.”

A leitura é super fluida, com capítulos curtos e uma jogada de bola entre o foco dos três protagonistas – e inclusive entre outros personagens secundários ou aleatórios –, que dá um movimento interessante para a história, como se você estivesse assistindo a um filme. O problema é que, apesar da reflexão intensa sobre o valor da vida, família, ética e política, senti que esse novo mundo têm uma cultura muito grande e complexa que foi enxugada para caber num limite de páginas – mesmo sendo uma série – tirando todas as passagens que deveriam amarrar a história e me fazer amar os personagens.

Então, mesmo com a carga dramática, as frases de efeito e o romance que nasceu no meio do livro, eu não consegui me apegar a ninguém ou comprar o amor juvenil que costuma ser tão gostoso de ler. Mesmo com 320 páginas, eu tive a impressão de estar lendo um resumo, com muitas questões não respondidas e saltos no tempo e espaço sem muito detalhe de como ou por quê. Interrogações essas que não deram ar de mistério ou me instigaram a descobrir as respostas no próximo livro, como um personagem deixado para trás reaparecer há km de distância de novo sem explicar como ele teria escapado e arranjado condução pra se reunir com os outros personagens. Eu perdi alguma coisa?

Claro que esse é somente o primeiro livro da série, pode ser que a história se desenvolva bem nos próximos exemplares e todos os meus ués sejam relevados ou até respondidos, porque a história tem potencial. Com os direitos já comprados pela Constantin Film, o mau começo não me desencorajou a ler o restante da coleção justamente por ser uma leitura muito fácil e os temas atuais podem gerar debates muito bacanas. Por enquanto, Fragmentários merece atenção, mas foi morno para mim.

REVIEW OVERVIEW
Trama
Narrativa
Personagens
Diagramação
Ambientação
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Estudante de Medicina Veterinária, apaixonada por literatura e nascida pro drama. Usa seu tempo livre para ler, assistir séries compulsivamente, planejar tatuagens e amassar animais. Se expressa melhor através da escrita e ama mais seus gatos do que 98% das pessoas que conhece.

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