Era uma manhã de sol em pleno verão, o que só dificultava ainda mais a situação. Os passos eram rápidos, o que eventualmente a fazia esbarrar em alguém. Ela Agatha conseguia sentir as primeiras gotículas de suor surgindo em seu corpo. Uma última olhada no relógio mostrou que já passava de 10 minutos da hora que a loja costuma abrir. Não completara nem uma semana em seu novo trabalho e já iria se atrasar.

A garota percorreu mais um bom caminho ainda antes de chegar no antiquário. Já esperava receber a maior bronca de seu novo chefe, Sr. Thonson. Qual não foi surpresa ao deparar-se com o comércio vazio e fechado. De forma rápida retirou as cópias da chave de sua bolsa e abriu o estabelecimento.

Depois dessa inicial correria, o resto do dia passou de forma tranquila. Não fosse pela visita de um velho senhor, Agatha não teria feito nada durante toda a sua jornada de trabalho.

Faltava agora apenas uma hora para fechar o estabelecimento, o que significava que seria a hora mais longa do dia, mas para sua sorte, ou não, uma cliente aparecera. O sino acima da porta tocou. Era uma velha senhora (até porque todos os clientes do antiquário eram velhos) e de forma calma e tranquila começou a olhar os itens da loja. Quando indagada se queria ajuda, a velha simplesmente respondeu “Não precisa se incomodar, estou apenas dando uma olhada”. Restou apenas a Agatha suspirar e continuar sem fazer nada.

Os ponteiros do relógio pareciam se arrastar na mesma velocidade em que os passos da senhora percorriam o antiquário, o que pareceu demorar uma eternidade até eles chegarem à marca das seis horas.

Agatha já estava com as chaves na mão e pronta para apagar as luzes quando se lembrou de que ainda havia um cliente na loja. Ainda chateada por seu descuido, saiu à procura da senhora, percorrendo os poucos corredores do antiquário. O fato de não ter achado à senhora fez com que Agatha andasse por toda a loja mais de cinco vezes, e ainda assim sua busca resultou em um fracasso. A jovem ainda gritou que a loja estava fechando e perguntou se ainda havia alguém presente, mas a única resposta que obtivera fora o silêncio.

Na volta para casa Agatha tentou convencer a si mesma que deveria ter adormecido em algum momento quando a senhora saiu, e antes de fechar seus olhos para dormir já havia acreditado nisso.

Na manhã seguinte, Agatha acordou novamente atrasada, o que resultou em uma nova correria para o trabalho, não dando atenção para nada em seu caminho, nem mesmo ao panfleto que recebera e guardou no fundo de sua bolsa. Ao chegar, dessa vez, deparou-se com o Sr. Thoson, que diante do atraso da moça apenas a olhou de uma forma série e lhe deu boas-vindas, perguntando-lho de forma ranzinza como havia sido o dia de ontem.

Agatha já estava para abrir a boca em resposta, quando retirou de sua bolsa o panfleto e leu “Você viu essa mulher?” logo acima da imagem da senhora que desaparecera no dia anterior do antiquário.

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