Título: 2001: Uma Odisseia no Espaço

Autor: Arthur C. Clarke

Editora: Aleph

Páginas:330

Sinopse: Do passado distante ao ano de 2001, da África a Júpiter, dos homens-macacos à Inteligência Artificial HAL 9000, penetra visão de um futuro que poderia ter sido, uma sofisticada alegoria sobre a história do mundo idealizada pelas mentes brilhantes de Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick.

Certas vezes, não raramente, eu escuto as pessoas falarem sobre como sempre os filmes são inferiores aos livros, no caso se existe uma adaptação cinematográfica de uma obra literária, e fico surpreso, afinal, é tão ruim generalizar não é? Principalmente quando nos deparamos com obras tão fundamentais aos dois âmbitos da cultura e como essas obras conversam de forma recíproca, trespassando qualquer tipo de preconceito com uma espécie de mídia. E de forma animalesca, 2001: Uma Odisseia no Espaço, filme ou livro trazem formas lúcidas e concretas de como ambos os tipos de cultura devem se comportar, com uma qualidade inigualável e alcançando os céus.

Convidado por Stanley Kubrick (cineasta já conhecido na época), Arthur C. Clarke, autor de ficção científica também já reconhecido era uma das mentes que unidas a um pensamento cinematográfico idealizariam algo novo, que nas palavras de Kubrick se tornaria  o proverbial “bom filme de ficção científica“, Kubrick que já tinha uma fama de perfeccionista não poderia aceitar qualquer coisa e junto a Clarke orquestraram um roteiro, baseado em outros pequenos contos de Clarke (A Sentinela e Encontro no Alvorecer), a mente do cineasta tinha a ideia de fazer um filme que colocasse o papel do homem no universo, algo que poderia encantar ou surtar qualquer pessoa.

E Clarke transformaria aquele roteiro cinematográfico em um livro, não só modificando a escrita, mas estendendo totalmente toda a narrativa visual que tantos conhecem como um dos filmes mais importantes da história do cinema, e neste caso, uma obra no cinema inspirou a criação de uma obra literária. De forma visceral, Clarke lança ao mundo um trabalho de ficção científica que excede patamares, engloba totalmente uma atmosfera do século passado, engloba a política, a sociedade, o mundo ao seu redor, interligando pontes entre nosso passado, presente e futuro de forma esplendorosa, unido à ciência, e transformando uma obra áudio visual em um livro que talvez seja o maior livro de ficção científica de todos os tempos.

Cena do filme.

E eu não poupo elogios, Clarke tem uma prosa exemplar, uma narrativa que de forma serena transporta seu leitor para tempos inimagináveis. Tudo que a ficção científica quis, usar a ciência para trazer debates pessoais e humanos, coisas que estão presentes no livro, separado em seis partes, a narrativa de 2001 não é só uma história linear, que segue um protagonista e fim, não, é uma história que compreende toda a vida humana, de seu início até o seu próximo passo.

Exemplar, é só isso que eu posso falar sobre tamanha qualidade criativa da mente do escritor, que com detalhes científicos absorvidos de teses e teorias formula uma narrativa grandiosa, universal, é uma Odisseia, como os Gregos tinham as águas como seu além, e precisavam de uma Odisseia para desvendá-lo, o homem do século XX vê o espaço como algo inimaginável, além de nós, e também precisaríamos de uma odisseia para isso. A primeira parte de 2001 nos transporta para um período quase pré-histórico, quando homens macacos vagavam pela Terra, prestes a serem extintos, enquanto suas outras partes se transmutam para anos futuros, onde homens viajam em espaço-naves, procuram planetas e desvendam os segredos da nossa vida.

Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke

Mas por qual razão temos todo esse passo? É uma palavra que talvez nem Clarke possa responder, nem eu, nem você. Para um fã de ficção científica, 2001 pode ser uma obra humana que modifique totalmente uma vida, a sua ambientação, sua mensagem e sua história são pesos imensos, e de certa forma o livro serve justamente isso, esclarecer um pouco mais sobre as nossas dúvidas mais angustiantes, sobre a vida.

Quase como se guiado pelo universo e regido por forças estelares, nosso autor busca um significado maior do que somos e por qual razão estamos aqui, e de forma muito insana cria uma história tão grandiosa, regida à uma trilha sonora imaginária tão espetacular e exuberante de forma simples, contando a história como um amigo, sem dificuldades, sem confusão, lúcido, é isso que eu posso falar sobre Arthur C. Clarke. De forma muito poderosa, a transmissão imaginária e criativa para palavras se torna uma ferramenta usual, e cria outra ponte, o autor e nós, nós e o autor, eternizando a experiência literária.

Na edição do milênio de 2001, a Editora Aleph torna a experiência mais exuberante ainda, com uma formatação de dar água na boca e uma capa belíssima, onde um HAL 9000 nos encara assustador e dentro do volume um monolito, figura importante na narrativa de 2001, além de todo o material extra (Como cartas de Clark, Kubrick e os contos extras). Um espetáculo para qualquer fã de ficção científica ou leitor diverso que é apaixonado por boas histórias.

2001: Uma Odisseia no Espaço pode ser fácil, ser lido de forma simplista, é algo que todos podem fazer, mas pode ser profundo também, para muitos pode ser algo transcendental, uma experiência imaginária exuberante, que voa através de nossas mentes terrenas, é um livro único, no estado mais puro do que podemos considerar literatura, no degrau mais alto do que chamamos de ficção científica.

Confira a crítica do filme aqui.

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