Por mais que você possa não ser um jogador assíduo de videogames, você provavelmente já viu alguém comentar sobre os campeonatos que existem. Seja nas redes sociais, conversando com amigos ou na televisão (numa clara tentativa de abocanhar uma certa parte da audiência) os esportes eletrônicos estão em alta. Embora não seja comparável com a audiência de um jogo de futebol aqui no Brasil, uma final de League of Legends numa arena consegue atrair mais público que alguns times da série A do futebol brasileiro, além de conquistar espaços cada vez maiores em canais como Sportv e afins. É muito bom ver o vídeo da jogada épica do Daigo no Street Fighter 3 num pequeno salão apertado em 2004 com algumas pessoas gritando e ver uma transmissão ao vivo da EVO atualmente, como narradores especializados e uma arena lotada. Jogada do Daigo citada acima.

Infiltration, campeão de Street Fighter V da EVO 2016
Infiltration, campeão de Street Fighter V da EVO 2016

O mesmo vale para diversos outros jogos que em campeonatos mundiais angariam tanto público quanto um jogo de copa, embora sejam muito menos valorizados. Certa parcela da população ainda se recusa a aceitar que algo feito no computador pode ser considerado um esporte (argumento totalmente inútil se considerarmos que Xadrez também é um esporte sem esforço físico), mesmo atendendo as regras mínimas para ter esse título (competitividade, regras fixas etc). Independente se é algo que exige um esforço físico ou um esforço mental, nada justifica o ódio e o preconceito gratuito contra essas práticas. Jogadores de LoL ou de CS:GO por exemplo tem uma rotina de treino tão intensa e metódica quanto a de qualquer clube de futebol no país, clubes como a CNB de League of Legends fazem um trabalho completo de nutrição e de acompanhamento psicológico de todos os seus jogadores, analistas buscando o maior desempenho possível de seus jogadores. Além disso, há um tempo é mostrado uma clara profissionalização na transmissão, o que antes havia chegado primeiramente a Europa com um quase espetáculo semanal com apresentadores, comentaristas, analistas e narradores hoje se mostra também presente no Brasil e em outras regiões menores. Há um investimento claro nessas áreas, mas por quê não há reconhecimento?

SK Gaming, CS:GO
SK Gaming, CS:GO

É no mínimo hipócrita comemorar um gol com todo coração e reclamar de quem comemora cada round ganho pelo seu país, ou cada kill que o mid consegue na TF e assim por diante. Independente se é futebol, volêi, basquete, UFC, League of Legends, Overwatch, Dota2, CS:GO ou até Pokémon competitivo, nenhum deles é só um jogo. Todos carregam um peso emocional, pessoas que deixaram sua família pra seguir um sonho, pessoas que passam por uma rotina exaustante diretamente pra conseguir os melhores e que dentro desse clube encontraram o apoio de uma nova família. Nada disso é besteira, nada disso é só um joguinho sem futuro (seja uma pelada na rua de casa descalço a uma partida de Injustice), isso é esporte. Isso que estimula arenas inteiras a gritar (sem contar a transmissão da internet!) por uma vitória, ou se calar subitamente pela derrota é algo muito maior que só um jogo. Isso é esporte, e qual seria a melhor definição de esporte se não emoção?

Skt T1, campeões de League of Legends 2016
Skt T1, campeões de League of Legends 2016

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