“Depois que Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster) se aposentaram, o resto da equipe foi exonerado e Dom (Vin Diesel) junto a Letty (Michelle Rodriguez) estão em lua de mel levando uma vida pacata e completamente normal. Mas a adrenalina do passado acaba voltando com tudo quando uma mulher misteriosa (Charlize Theron) faz com que Dom retorne ao mundo do crime.”

Esqueça tudo que você sabe sobre os primeiros filmes de velozes e furiosos, chegamos a um ponto na franquia, onde ficar remoendo o passado já não faz mais sentido. Existe uma nova formula agora, que aposta em estrelas do cinema (com experiencia em filmes de ação), efeitos ala Michael Bay e um roteiro recheado de frases de efeito e momentos insanos. Te lembra algo? Se você pensou nos Mercenários, então acertou. A única diferença aqui (e a única coisa fiel á franquia) é o uso de carros nas mais absurdas cenas. Se você achou que não existia como fazer algo mais impossível e irreal do que pular de um prédio para o outro em um carro, então se prepare, porquê velozes e furiosos 8, vai acabar com essa ideia.

O início do filme se passa em Cuba, e com certeza tem um dos melhores momentos de todo o longa, após seu primo (que nunca foi mencionado em outro filme) ficar em dívida com um poderoso auto-intitulado “dono da ilha”, se vê obrigado a entrar em uma corrida para quitar a dívida. A corrida é nostálgica, mesmo utilizando um pouco de irrealismo, a corrida é insana, enérgica e boa, mas para por aí. Pouco depois, conhecemos Cipher (Charlize Theron), a vilã do filme. E a partir daí começa o desenvolvimento da trama principal, Cipher tem algo em mãos que pode fazer Dom se virar contra sua própria família, uma chantagem.

Depois disso, o filme se rende ao absurdo, tendo sido escrito por Chris Morgan, o mesmo de Velozes e Furiosos 4, 5, 6 e 7, era de se esperar que a mecânica usada seria a mesma de seus antecessores, então não se iludam com o inicio marcante, na verdade, Chris lhe fará o favor de te lembrar que esse não é mais um filme de rachas urbanos, agora é Missão Impossível Motorizado. Mas a nova perspectiva até que é interessante, por anos nós vimos esses heróis/vilões lutarem com seus carros tunados contra agentes secretos, mafiosos e superpotências, mas o que acontece, quando eles lutam contra seu próprio líder? Pode chamar Dominic Toretto de Batman e relembrar Torre de Babel, o personagem consegue vencer tudo e todos, e eu digo tudo mesmo, inclusive um míssil!

Carro de Vin Diesel disputa 'racha' com míssil em 'Velozes e Furiosos 8' (Foto: Divulgação)

Entrando agora no mérito dos atores (que não é muito), temos uma ótima atuação de Charlize Theron, uma exigência maior de Vin Diesel que não vemos a muito tempo e Tyrese Gibson com o humor pastelão e uma frase marcante “TAJ!”… é só isso que ele fala mesmo. Mas a cima de tudo, há algo de bom nesse elenco, a química entre os atores é real, talvez devido á quantia de filmes que fizeram juntos ou talvez porquê eles realmente se esforçaram (alguns apenas fisicamente), mas independente do motivo, o que temos aqui é um elenco fixo, que tende a crescer e que consegue representar o que a franquia vem martelando desde o inicio, que família é coisa séria.

Destaque para a trilha sonora de Brian Tyler (Vingadores: Era de Ultron), ele realmente merece o curriculum que tem, alterna muito bem entre hits urbanos e trilhas grandiloquentes para os momentos de ação mais absurdos, fazendo com que o filme mantenha-se em ritmo durante 2h, coisa que com certeza não aconteceria apenas com a direção e o roteiro. F. Gary Gray se mostra capaz de fazer efeitos visuais ótimos, mas abusa do impossível, cenas de ação com atores gigantescos e nenhum sangue, isso pode ser justificado pela faixa etária do longa, porém, a obsessão por atores fortes e cenas de luta em massa entra em conflito com esse ideal, inclusive, há sim uma cena com sangue, mas ela prova que o diretor buscou fazer batalhas criativas, porém teve que dar porrada de pelúcia para alcançar uma bilheteria alta mantendo a faixa etária e o alcance de público.

Entendam, o filme não é ruim, mas tecnicamente falando, tem muito a melhorar, por enquanto, a franquia está seguindo a comum produção com efeitos especiais fortes e um roteiro simples, mas que arrecada muito dinheiro. Quando os produtores decidirem fazer algo talvez não tão grande, e investir mais na história que será apresentada, com todo o elenco e com a base de fãs estabelecida, Velozes e Furiosos poderá facilmente se tornar um marco do cinema. Por enquanto, é só mais um Transformers.

REVIEW OVERVIEW
ROTEIRO
DIREÇÃO
ELENCO
TRILHA SONORA
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DCzete máximo, amante do cinema e da música. Cursa administração e sonha em dormir 8h algum dia.