“Eu aprendi que quando falo com raiva, geralmente me arrependo da maneira como me expressei. Quando estiver pronta, direi o que tenho a dizer”

Essas foram as palavras de Uma Thurman após a chuva de denuncias de assédio sexual contra Harvey Weistein em 2017, e hoje a atriz relata o que aconteceu.

Segundo Uma, tudo começou durante as filmagens de Pulp Fiction. O primeiro caso foi no quarto de hotel de Harvey em Paris. Eles estavam conversando sobre um roteiro quando, do nada, Weinstein tirou o roupão.

Não me senti tão ameaçada. Lidei como isso como se ele fosse caricato, tipo aquele seu tio infame. Eu o segui até uma porta e era uma sauna. E eu estava de pé na minha roupa de couro preto. Estava tão quente e eu disse: `isso é ridículo, o que você está fazendo?`

E então o produtor ficou bravo e desistiu. Mas em seguida houve o ataque real:

Ele me jogou para baixo, tentou se esfregar em mim. Ele tentou se mostrar, tentou todas as coisas mais nojentas. Mas ele não conseguiu nada e me forçou. Você fica como um animal tentando fugir, um lagarto. Eu estava fazendo de tudo para sair dessa. […] No dia seguinte, um buquê de rosas chegou […] eu abri como se fosse uma fralda usada e dizia ‘Você tem bons instintos.

A atriz revela que chegou a ameaça-lo caso ele tentasse assediar alguém novamente:

Se você fizer isso com outra garota, você vai perder sua carreira, sua reputação e família. Eu te prometo.

Ja na produção de Kill Bill: Volume 1, Uma conta sobre os abusos do diretor Quentin Tarantino. Num jantar após o Festival de Cannes de 2001, o diretor percebeu que ela estava se sentindo apreensiva perto de Weinstein. Ele perguntou a ela o que houve e ela contou sobre o Hotel Savoy:

Ele relevou do tipo ‘Coitado do Harvey, tentando ficar com garotas que ele não pode ter’

Algum tempo depois a atriz voltou a relatar o fato para o diretor que passou a acreditar na historia:

A ficha caiu, ele confrontou Harvey. Isso fez Weinstein se desculpar pelo ocorrido.

Mas os casos com Tarantino não param com Weistein. Durante a cena de Kill Bill: Volume 1 em que a protagonista dirige um carro preto e branco, o diretor pediu para ela realmente dirigir o carro, mas um membro da equipe disse que o automóvel não estaria funcionando bem. Ela insistiu que não queria fazer, mas não foi ouvida:

Quentin apareceu no meu trailer e não quis ouvir “não”. Ele estava bravo porque eu estava atrapalhando o tempo deles. Ele disse: “Te prometo que o carro está bom, é uma linha reta […] Corra 60 km/h ou seu cabelo não vai balançar da forma certa e terei que fazê-la repetir”. Mas eu estava numa situação péssima. O assento não estava preso e a estrada era de areia e não era reta.

Depois de uma briga judicial, Uma Thurman conseguiu a posse do vídeo em que sofre o acidente e o entregou ao NY Times. O material pode ser visto neste link.

Quando a atriz se interessou pela filmagem, na época, a Miramax alegou que só mostraria se ela assinasse um termo livrando todos das responsabilidades e das consequências na saúde dela:

Eu e ele brigamos por anos. Ele se desculpou 15 anos depois me dando a filmagem. Não que isso importe agora, já que tenho meu pescoço danificado permanentemente e meus joelhos ferrados

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