Desde que o primeiro filme da nova trilogia de Planeta dos Macacos chegou aos cinemas em 2011, havia uma clara mensagem de que os futuros filmes chegariam para dar uma pequena mudada do que chamamos atualmente de blockbuster, afinal, ele já chegou quebrando o dilema de que todo prequel de uma franquia clássica tende a não ser de qualidade.

Isso se torna mais claro ao chegarmos bem perto do lançamento do terceiro filme, Planeta dos Macacos: A Guerra, onde a franquia já é um sinônimo de qualidade tanto em efeitos especiais, como em direção e história. Isso só faz com que a expectativa para esse último capitulo da jornada de Cesar (Andy Serkis), seja uma cereja na pontinha do bolo que já estava delicioso.

E felizmente não acontece um dos grandes males das trilogias, a tal maldição do terceiro filme. O mais novo e último filme entrega um ótimo final de arco para a história e ainda fazendo com que os fãs da franquia clássica se deleitem de tantas referências e ligações que vão acontecendo ao longo do filme.

A história do filme continua aonde Planeta dos Macacos: O Confronto (2014) terminou, após Koba (Tony Kebbell) começar uma guerra com os humanos, culminando no chamado de militares para poderem exterminar os macacos, numa esperança de que isso cause o fim do vírus que está aos poucos acabando com a raça humana. No comando desse exército, está o temível Coronel (Woody Harrison), que logo no começo trava uma enorme rixa com Cesar e faz com que essa sede de vingança perdure até os últimos momentos da trama.

O roteiro consegue funcionar de diversas formas independente de quem esteja assistindo ao filme, seja aquele que caiu de paraquedas, o fã dessa franquia ou o saudosista dos anos 60. Isso porque temos breves momentos que remete ao que já aconteceu anteriormente e nunca deixa o seu publico perdido com o que está acontecendo e o por quê.

Um dos pontos mais interessantes, é que ninguém assume os famosos lados clichês de heróis e vilões. Todos os personagens tomam decisões que apesar de serem lados opostos, são completamente compreensíveis para aquele momento, seja o humano querendo que sua espécie viva e o macaco querendo proteger sua família e isso vai ficando cada vez melhor ao longo do filme.

Chama a atenção o fato do filme ter Guerra como sub-título, porém é o filme da trilogia com menos ação. Isso fica longe de ser ruim, pois consegue criar uma carga dramática muito grande, fazendo com que nos preocupemos mais com os personagens dentro dessa jornada e também entender as razões por trás de todos chegarem até o ápice da história. A trilha sonora de Michael Giacchino só ajuda a fazer com que esses momentos sejam mais engrandecedores e memoráveis, sendo a trilha mais madura dessa trilogia.

Mas o roteiro infelizmente não é perfeito e sofre de alguns dos males recentes nos blockbusters. Nesse filme somos apresentados a um novo macaco, Bad Ape (Steve Zahn), que apesar de ser um ótimo alívio cômico, acaba tendo cenas adicionadas logo após momentos extremamente tensos, o que acaba quebrando todo o clima. Claro que isso não chega a prejudicar a experiência, mas é impressionante o tanto de filmes que se utilizam desse recurso.

Esse é o primeiro filme onde nenhum humano toma o posto de co-protagonista (Onde James Franco teve esse papel em A Origem e Jason Clark em O Confronto), e isso serve para que Andy Serkis consiga brilhar e quebrar todos os preconceitos relacionados a personagens de motion capture. Todas as suas emoções e expressões estão ali no personagem e só faz com que a qualidade do CGI dos macacos seja de encher os olhos de tão reais que chegam a ser devido ao fotorrealismo utilizado.

E fica claro que toda a tecnologia envolvida neste longa consegue ser bem aproveitado devida a direção competente de Matt Reeves, que sabe como filmar as cenas de maneira única e envolvente. E o trabalho do diretor fica ainda melhor visto que desde o segundo filme, havia um planejamento por trás para que tudo chegasse no ápice do terceiro ato deste longa, o que torna um excelente final de trilogia onde tudo fica redondinho e sem pontas soltas, fazendo com que isto torne o maior triunfo do filme.

Mesmo não sendo um filme inteiramente sobre uma guerra, Planeta dos Macacos: A Guerra é um ótimo filme que consegue se diferenciar de muitos blockbusters que aparecem nos dias de hoje no cinema, seja em sua direção ou mesmo nos dilemas abordados dentro de sua história.

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