O preconceito racial atual é um resultado direto das mudanças e de acontecimentos do passado. Por exemplo, a negação e o esquecimento da filosofia africana hoje em dia nas grades curriculares é uma consequência triste da negação também existente no passado, datando a Grécia antiga e seu esquecimento de onde eles tiraram modelos políticos, matemática, física e filosofia. Novamente, o racismo e os preconceitos atuais são consequências das movimentações desgastantes do passado, da colonização que os povos Africanos sofreram, dos navios negreiros, da exploração e extração daquele continente, do Imperialismo, a lista é gigantesca, a partir dessa visão institucionalizada nos dias de hoje é bastante presente a produção de obras culturais que reflitam isso e que demonstrem de diferentes formas como o preconceito e essa separação histórica e degradante causou efeitos enormes nas mais diversas esferas da nossa sociedade.

Quadrinhos, Séries, Filmes, Novelas, Livros… Bem, tudo pode demonstrar tais acontecimentos, uns mais conhecidos que os outros, mas o preconceito e o racismo são produtos constantes em diversas obras, desde o drama, a comédia, a aventura, etc.  Obviamente você pode pensar em histórias de superação, onde o preconceito é uma chave especial para determinado protagonista que através daquilo ressurge das cinzas e se torna um vencedor (grande parte das vezes dirigido por um alguém branco), o preconceito como agente consequencialista para que as personagens prossigam e enfrentem seus medos. Isso é comum: na realidade, momentos assim acontecem constantemente, onde o preconceito interno muitas das vezes é vencido (embora o externo seja mais difícil) e nossos próprios protagonistas possam vencer mais batalhas diárias…. Mas será que esse é o único jeito de se contar uma história?

E se a América amasse as pessoas negras tanto quanto amam a cultura negra?

Claramente, estamos em um estágio onde as pessoas abrem a boca pra dizer que o preconceito e o racismo foram vencidos, ao mesmo tempo em que negros na África ainda são vendidos como escravos, não, o preconceito e o racismo não foram vencidos, e a mídia tem uma forte influência nisso, com narrativas politizadas e histórias que de fato são importantes, somos apresentados para um lado doloroso das histórias de fato negras e que mostram de todas as formas o sofrimento que nós ainda sofremos, mas a cultura também pode pensar além da dor, e se aprofundar de forma sensível e política a vida dessas populações.

Rapidamente penso em Moonlight, claramente é um filme doloroso, repleto de momentos de você gritar de fúria, o protagonista Chiron sofre de inúmeros problemas por forças externas… Mas ao mesmo tempo é um filme estranhamente sensível e pensa muito além da dor.

Há momentos de Moonlight de poesia profunda e devidamente “alegres“, Juan com Chiron na praia, Chiron adulto… Obviamente há dores humanas que ressaltam suas pessoalidades, mas através de uma música forte, de uma fotografia única e de uma construção estética poderosa, Moonlight nos concede uma visão belíssima sobre o que é a periferia, os problemas que enfrentamos, mas nunca esquecendo o lado também humano da coisa. Viver não é puramente sofrer, por isso eu acredito que Moonlight é um exemplo forte de como devemos pensar produções culturais, artísticas e humanas além da dor.

Os desafios, os problemas e as dores são grandiosamente maiores em todos nós, negros, por conta da carga histórica que assolou nossos antepassados. Por isso que Pantera Negra, Luke Cage e tantos outros heróis e protagonistas fundamentais na história midiática do negro não caiam puramente nas dores e nos desencantos da negritude, há uma alegria por trás disso, não podemos de fato esquecer os problemas e toda a nossa condição inferiorizada, mas dentro desse turbilhão de amarguras, é preciso e necessário encontrar um encantador e saudável sabor doce.

black boys came blue

facebook comments:

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here