O Rastro não é um filme de terror comum com uma história qualquer, muito pelo contrário, o filme possui identidade. Uma identidade brasileira com características específicas do nosso clima cinematográfico mesclado ao terror tradicional e isso cria algo novo.

João Rocha (Rafael Cardoso) é um jovem e talentoso médico que acaba assumindo uma função ingrata: supervisionar a transferência de pacientes quando um hospital público da cidade do Rio de Janeiro que está sendo fechado por falta de verba. Quando tudo parece correr dentro da normalidade, uma das pacientes desaparece no meio da noite e o desencadear de acontecimentos leva o jovem doutor a uma jornada aterrorizante.

O filme tem seu início mostrando a vida de João e sua esposa Leila (Leandra Leal). Eles vivem uma vida feliz e tranquila. Leila é uma artista talentosa que dá aulas de pintura para crianças e está grávida do primeiro filho do casal. João, no momento, precisa cumprir as ordens de supervisionar a transferência de pacientes do hospital onde ele trabalhou no passado. Contrariando seu pedido anterior uma paciente é internada no já condenado hospital e após o fechamento da instituição a paciente desaparece. Júlia, a paciente desaparecida, é órfã e tem graves problemas de saúde e seu desaparecimento faz com que João se sinta culpado e toda a trama gira em torno de tal desaparecimento.

O Rastro é um terror psicológico, mais ligado ao thriller e suspense, que leva o espectador a uma grande tensão. O filme tem uma ótima execução e não nos entedia durante a explicação dos acontecimentos até seu clímax. Com duas grandes reviravoltas durante a trama o longa nos mantém interessados e trabalha bem a troca de sensações.

Os atores estão bem em seus papéis e há um destaque especial para Rafael Cardoso e Leandra Leal, os protagonistas. Rafael consegue transmitir confiança na atuação e nas mudanças da personalidade de João que vai de um homem tranquilo para alguém culpado e perturbado. Já Leandra Leal se destaca enquanto mãe e protetora. Embora jovem, a atriz passa convicção nos sentimentos para com o relacionamento de João e Leila e a sensação de proteção com relação ao filho do casal. Destaque também para Jonas Bloch que vive Heitor, o dono do Hospital São Tomé, um senhor que ama a sua profissão e que tenta de toda maneira manter o hospital funcionando e isso leva ele até as ultimas consequências.

O Rastro usa o som ambiente para manter o telespectador mais ligado a cena e isso funciona muito bem. Embora não muito utilizada a trilha foi bem encaixada e tem seu papel em determinados momentos, em outros passa despercebida, mas nunca chega a incomodar. A fotografia é morna, embora o nublado seja a preferência e a obscuridade das cenas internas sejam o destaque. O Rastro não é apenas um simples filme de terror. O diretor J.C Feyer aplica uma crítica em seu trabalho, enquanto envolve o telespectador em seu universo obscuro e místico, mostra os problemas da saúde pública no Brasil e a utiliza como ótimo pano de fundo para ambientar sua história. Certamente um avanço para o cinema de terror brasileiro, algo que merece a nossa atenção

Confira o Trailer:

O Rastro estreia 18 de maio nos cinemas.