Um aspecto social que ocorre muita das vezes (e que aconteceu muito nos últimos anos) é o ódio se tornar opinião. Esse discurso pós moderno que tudo é relativo e que sempre temos que ter dois lados em um debate poluiu qualquer tipo de conversa e movimento, você acha viável fazer um debate sobre racismo e de um lado colocar um membro do movimento negro e do outro um neonazista? Espero que não. E assim, por conta da dita “liberdade de expressão” coisas que devem ser fatos e devem ser universais acabam caindo na relativização, “ain, na MINHA opinião gays sempre deveriam ser mortos com lâmpadas na cabeça quando caminhassem de mãos dadas na rua, mas olha, isso é só opinião pessoal tá?” posso ter exagerado, mas é mais ou menos isso que soa quando alguém usa o ódio como opinião.

E é algo que toma força de forma muito assustadora no mundo dos quadrinhos. Já falei como o mundo nerd é preconceituoso, mas afinal, esse tipo de preconceito existe de verdade ou é só “opinião” dos nerds?

Chorando em chatice language

É preconceito. O artigo poderia ter seu fim aqui, mas sim, é preconceito. Quando uma pessoa não tem base de dissertação e argumentação obviamente lacunas vão se abrir para contestamentos, e claramente debates como preconceito nem devem ter uma argumentação disso ou aquilo, é errado e ponto, o foco em questão é: a comunidade nerd transforma seus preconceitos internos em opinião. Quando a personagem de Deadpool 2, Dominó, foi apresentada para os ditos “fãs” houve uma reação nervosa diante uma personagem que se de dez pessoas, uma pessoa conhecer é um grande lucro. Personagens underground dos quadrinhos, que nem são tão tradicionais tem mudanças raciais tanto para trazer a diversidade como tornar comum (coisa que ainda não é) e o que surge? Preconceito com uma roupinha chamada de opinião ou liberdade de expressão. Claro, não é que não possa ter uma opinião VERDADEIRA sobre a personagem, o visual, mas é sério? Não gostar por conta que a personagem é negra/indiana/LGBT? É essa sua opinião?

Não, não é opinião, é puro preconceito, é ainda não se acostumar que as coisas mudam e ponto final. Mas é claro, pautas como essa vão ser compradas e vão se tornar comuns para atraírem público, diversidade e etc, mas isso é totalmente ruim? De forma alguma. Não importa se personagem x ou personagem y traz uma diversidade, mas foi voltado para o lucro, se está mudando vidas já tá de bom grado. Opinião é não gostar de um visual de um personagem por tal detalhe, não por ela ser negra.

Anna Diop será a Estelar

E a Estelar? Um caso recente e que fez um enorme barulho, a escolha para a personagem é Anna Diop, uma atriz negra, enquanto a personagem Estelar é uma alienígena que nem tem uma raça definida (o mais próximo seria uma cor laranja de pele), mesmo assim inúmeros comentários ridículos tomaram conta das redes sociais, que foi uma mudança radical demais, é sério? É fácil encontrar alguém laranja, né. Mesmo com uma personagem que nem tem um histórico tão forte e uma etnia tão definida o racismo dos “fãs” invade, e atinge muito. Atinge quando a diversidade ao mesmo tempo que ganha força também perde, como no caso dos Novos Mutantes, novo filme da franquia do X-Men que traz um personagem conhecido nos quadrinhos como Mancha Solar, negro, e que foi escalado para o papel um ator branco. Cadê os grupos falando sobre? Cadê as movimentações? É uma incoerência simples e crua, quando se é o contrário, eles não reclamam.

Caro nerd, as próximas adaptações não serão somente como seus quadrinhos de 20 ou 30 anos atrás, não vai ser somente os personagens masculinos, héteros e brancos presos nos seus dilemas de serem poderosos ou ricos demais enquanto aproveitam das personagens femininas frágeis e gostosas que tomam conta das páginas em poses sensuais para seu prazer-individual, os quadrinhos mudam, o cinema muda, a televisão muda.

E tá na hora de você mudar também.

 

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