O filme “O Nascimento de uma Lenda” mostra a trajetória de Pelé desde a sua humilde infância quando era engraxate na cidade mineira de Três Corações até sua consagração ao ganhar a Copa do Mundo de 1958 pelo Brasil, com apenas 17 anos. O filme consegue demonstrar bem como seu pai e o futebol moldaram Dico até se tornar Pelé. Desde o seu primeiro jogo contra os meninos ricos e arrogantes de sua cidade até o jogo contra os Suecos na final da Copa do Mundo.

Desde cedo era diferenciado e muito talentoso, destinado ao futebol. Em certo momento do filme parece que resolveram dar uma cópia e cola no plot de Star Wars ao tratar a famosa “ginga” brasileira como um poder místico, tal qual a força para os Jedi. (O pai de Pelé seria o Obi Wan?) “Pelé, o predestinado que tem uma forte ginga dentro de si” (ou força, se preferir). Não é que Pelé, Garrincha e Mazzola tinham talento e habilidade para jogar futebol, a explicação que dão é que eles simplesmente tinham esse poder místico chamado Ginga que os diferenciava dos outros jogadores. Para os mais entendidos do futebol isso pode incomodar um pouco: a desvalorização do talento e habilidade ao transformar isso em uma força “sobrenatural”.

Mas realmente, para um jovem de 17 anos ganhar uma Copa do Mundo da forma que foi até se tornar o maior jogador de todos os tempos, o Rei do Futebol, deve ser no mínimo sobrenatural, dá para entender a licença poética que tomaram para descrever o talento brasileiro no esporte mais famoso do mundo. Não é algo que vai estragar a experiência dos amantes do futebol, principalmente pelas belas coreografias e homenagens durante o filme.

Quem não lembra dos famosos comerciais de TV em que jogadores brasileiros mostram sua habilidade? Do “Joga Bonito” de Eric Cantona? Em um momento do filme tem uma cena que remete muito a esses marcantes comerciais, tenho certeza que os fãs de futebol irão lembrar na hora. Uma bela homenagem ao futebol brasileiro. A caracterização dos personagens é boa, já as atuações…nem tanto, Kevin de Paula que interpreta Pelé na adolescência parece ter sido escolhido apenas pela semelhança com o maior jogador de todos os tempos. Alguns diálogos chegam a ser um pouco constrangedores além de muitos estereótipos da cultura brasileira, que é de praxe em produções americanas ao reproduzir o Brasil ou um brasileiro.

Apesar das fracas atuações, Seu Jorge (interpretando o pai de Pelé) e Vincent D’Onofrio (interpretando o treinador de personalidade forte, Vicente Feola) roubam a cena. O filme é muito bonito visualmente, a fotografia cheia de cores vivas dá um tom especial ao longa. A direção dos irmãos Zimbalist é muito boa, eles mostram que entendem como deve ser feito um filme “de futebol”, o longa flui bem e não se arrasta em nenhum momento. Para quem gosta de futebol e quer saber mais sobre o maior jogador e atleta de todos os tempos, esse é o filme certo. Do contrário, é um bom filme de sessão da tarde. Como disse o Chaves: É melhor ir ver o filme do Pelé.

Créditos: Audrey Antonelo

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