Preconceito é um dos temas sociais mais debatidos durante a atualidade, e isso infelizmente é algo moderno, um debate aberto sobre sexualidade, emponderamento de qualquer minoria com certeza não seria disponível em tempos passados e tudo se torna muito mais fácil quando as pessoas tem contato aberto com toda uma rede de milhões de pessoas, com diferentes opiniões, valores, saberes e suas próprias diferenças.

De forma muito realista retratada em filmes pipoca da sessão da tarde, o estereótipo do nerd foi cruelmente massacrado durante o fim do século XXI, o bullyng, a solidão e um preconceito real vindo dos outros são temas constantes que são exibidos em filmes e séries, pode até ser romantizado, mas para quem viveu (como muitos amigos narram) ir com um simples quadrinho de super heróis para a escola era motivo de risos. Ser fã de Star Wars era algo infantil, ser quieto também, e não era só os xingamentos que faziam parte, eram agressões físicas reais, agressões que afetavam e ainda afetam muitos que viveram toda essa realidade e que infelizmente nos dias de hoje, muitos que sofreram no passado, fazem a mesma coisa com outras minorias.

Diversidade é outro tema constante que vem aparecendo nas mídias que muitos pertencentes a essa tribo urbana (os nerds) tem bastante afinidade, quadrinhos, séries, filmes, livros, hoje em dia (felizmente) as minorias estão conseguindo mais poder entre essas mídias que outrora eram totalmente voltadas para um só público e por isso precisavam agradar somente a eles. É muito simples, se grande parte dos leitores de quadrinhos são nerds, adolescentes, que gostam de super heróis e sensuais personagens femininas, então vamos fazer isso, daí que nasce grande parte dos heróis serem homens e a sexualização feminina nos quadrinhos, outro erro enorme entre nosso público e isso converge totalmente para o que queremos falar aqui.

Pisa menos, Furiosa!

O grande problema desse tipo de debate é como todo esse preconceito afeta mudanças significativas. Eu gosto de usar 2015 como exemplo, onde tivemos retorno de sagas triunfantes, Mad Max e Star Wars, expoentes poderosíssimos entre o público nerd, e o que essas narrativas trouxeram de novo? O que elas fizeram? Colocaram como cerne fundamental personagens femininas, emponderamento feminino, claro que tem sua história própria, mas é um tema fundamental para entendermos essa história.

Em um mundo pós apocalíptico totalmente insano, as mulheres seriam objetificadas no sentido literal da palavra, para Immortan Joe (o vilão da trama de Mad Max) suas várias mulheres eram objetos para a criação de mais filhos, e durante toda a perseguição e os momentos de ação pura somos lembrados por Furiosa e as outras que não, elas não são objetos. Isso afeta o filme? Isso diminui o filme? Não, de forma alguma, talvez até melhore, com os filmes passados, talvez muitas mulheres não se identificassem tanto, e isso muda quando temos protagonistas femininas muito mais importantes que os homens e que não precisam ser as princesas em perigo. “Mas ora, por que a mulher dentro de Mad Max é mais importante que o homem, isso é… blá blá blá” quantos filmes de ação, sci fi, considerados nerds vemos uma mulher protagonista que não depende de outros homens? E eu falo isso como homem, quantos nós (outros homens) encontramos e que não estão na trama só como coadjuvantes, vilãs sensuais ou princesas em resgate?

Ou nossa querida Rey, uma personagem feminina forte, a Jedi dessa nova geração de personagens que junto com um jovem afro americano salvam a galáxia que antes as personagens femininas embora tivessem seus momentos nos primeiros filmes fossem a simples princesa em perigo, Rey não precisa de Finn para a carregar pelo deserto, afinal ela sabe correr sozinha, ou até mesmo escapar da base dentro de Starkiller, isso não atrapalha, não muda, só melhora, garotas e garotos, principalmente as meninas, foi bom ver finalmente uma mulher segurando um sabre de luz e sendo a poderosa heroína de tudo? Bem, pelo menos pra mim foi.

O pior disso tudo é quando aceitam essas personagens, mas só como dois belos pares de seios e um rostinho bonito. “Mas eu aceitei a personagem!”, espera, você aceitou a personagem dentro da trama, sua importância no roteiro e suas ações ou só por que é “gostosa“?

E a diversidade atinge até mesmo os LGBT, uma comunidade extremamente importante e que vem adquirindo certos espaços nas comunidades nerds, mas que ainda sofrem preconceito. Modificar um super herói não vai mudar nada, quantas milhões de versões existem de certos personagens? Que mal seria ver ele representado de forma LGBT uma vez? “Mas não, isso é chato, isso é coisa de SJW”, se tem uma coisa que atinge o meio nerd de forma crucial é o discurso preconceituoso mascarado de que o problema de tudo são os society justice warriors, meses atrás inúmeras manchetes e veículos nerds explodiam suas notícias “Feministas reclamam de Mulher Maravilha no seu novo trailer!” como se poucos e meros twitters contemplassem todo um movimento.

Para uma comunidade que sempre sofreu preconceitos, foi minoria e hoje em dia é tomado como moderno e comum, ter preconceito com suas próprias mídias é profundamente triste, e isso de certa forma deteriora ainda mais o meio nerd o qual vivemos onde preferem encontrar todos os erros capazes em uma narrativa com uma mulher protagonista ou um super herói LGBT do que analisar e perceber de como centenas de anos de histórias, que contemplavam só uma parte da sociedade e esqueciam muitos de seus leitores causou problemas, medos, tristezas e desmerecimento com inúmeras pessoas.

Se existe uma cura para todo o mundo nerd atual é a cura do preconceito.

 

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