“Uma jovem (Lily Collins) está lidando com um problema que afeta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.”

Existem assuntos simples de se retratar em um filme, existem assuntos polêmicos e existem assuntos fortes, mas independente da escolha, um roteiro só conseguirá se expressar e criar algo bom, se souber cuidar de seu assunto de forma cautelosa e inteligente.

Esse é o caso de O Mínimo Para Viver, um filme forte, que retrata duramente a vida de muitos adolescentes com problemas de bulimia, anorexia e outras doenças relacionadas á alimentação e peso. Quando eu digo que a roteirista e diretora Marti Noxon não mediu palavras ou imagens para expressar sua ideia, eu não estou exagerando. Constantemente você verá cenas muito fortes, do osso de suas atrizes e tirando o máximo de cada um.

Destaque para Keanu Reeves que exerce o papel de um médico frio, sincero mas encorajador. Sempre dando respostas positivas, mesmo quando admite a realidade dura que se passa na tela. E apesar de não ser um protagonista, cada vez mais queremos vê-lo.

Mas nada se compara ao desempenho de Lily Collins, a protagonista carrega a carga dramática do longa nas costas. A cada mudança de ato é visível como a protagonista muda junto, seus olhos se tornam mais frios em certos momentos e as vezes até é possível ver um carisma em um personagem que tanto quer passar despercebido. Sua evolução física é notável e representa o quanto a atriz se entregou ao papel, aliás, é um filme que exige muito isso, a personagem não se mantem em um determinado peso para que possamos traçar uma simples linha de melhora ou piora física, a mudança é constante e o trabalho de Lily para mudar tanto seu corpo deve ter sido árduo, mas no fim valeu muito a pena de ver na tela.

Mas o longa tem algumas falhas que devem ser observadas. A trilha sonora apesar de ser muito eficiente e contribuindo com a carga dramática do longa, só serve para momentos de transição ou ápices emotivos e dura muito pouco. Outro problema visível é o ritmo do longa que se perde no ultimo ato, o roteiro foca demais em arcos desinteressantes que não fariam nenhuma diferença se fossem ignorados e a direção consegue tornar alguns momentos que (talvez) deveriam ser poéticos em vergonha e esquisitice.

Mas apesar dos pesares, ainda é um ótimo longa e conta com uma mensagem linda e muito importante. Um assunto muito frágil que foi retratado com maturidade e seriedade, assunto esse que podia se tornar facilmente sem profundidade se retratado superficialmente e em base do popular, mas graças ao empenho do elenco (principalmente físico) e um roteiro focado e bem trabalhado, O Mínimo Para Viver se torna mais um ouro no catálogo da Netflix.

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