Se você for fã de cinema, terror, ficção científica ou só de clássicos, com toda certeza você já viu algo do Stephen King. Ele não é diretor, nem ator… Mas o escritor desse estilo literário contemporâneo, que é uma síntese dos anos 80 e de suas obras fictícias. O Rei dos Escritores de Terror dá as caras em quase tudo, desde histórias comoventes e humanas, até concepções mirabolantes do mundo fantasioso. Stephen Edwin King é uma figura que pode ser chamada de visionária, um visionário da literatura, fantástico, inovador e extremamente criativo, um verdadeiro ícone do que o terror representa, um Iluminado por tudo que fez.

E descrever o Sr.King é difícil em si, podemos definir que tipo de obras ele escreveu, ou como é seu estilo de escrita, mas isso de certa forma define quem é Stephen King? Não, de forma alguma, então de uma maneira simples e fácil de se compreender é indicar que obras do King para se ler/assistir  através de uma pequena lista de seus clássicos, claro que sem se aprofundando demais em suas sinapses mais singelas e profundas. (As obras listadas são as suas mais famosas, tanto em livros como em cinema

Carrie, a Estranha (1976)

carrie-a-estranha2
Ela só queria ir ao baile…

Se há um terror realmente perturbador e instigante é Carrie. De qualidade pura e cinema em um estado renascentista nesse tipo de obra, nos deparamos com um longa dirigido por Brian De Palma que acompanha a vida de Carrie, essa garota tímida, calada e acima de tudo estranha que vive no temor de uma mãe extremamente perturbada pela fé cristã e um bullyng crescente. Carrie White então se deparada com um início talvez único em relação a sua vida mais pessoal, o filme deixa explícito que a garota anteriormente vivia nas sombras da mãe e agora com uma adolescência mais forte ela se vê imersa em um mundo de garotos, do baile da formatura e por fim no amor. O filme não é tocante, não é fofo, é realmente cruel e perturbador, ele instiga e captura o que King é mestre que é em relacionar o sobrenatural e o humano. No filme, o mais preocupante não é Carrie White ter poderes telecinéticos, o preocupante é como sua vida se depara com esses poderes, como sua mãe fervorosa e problemática se depara com esses problemas. Como sua primeira obra adaptada, Carrie é um clássico tanto para o terror como para King, é um excelente filme a ser visto e uma iniciação em um jantar macabro que é Stephen King.

O Iluminado (1980)

o-iluminado-e-os-demonios-interiores-html
Clássico.

Talvez sua obra mais ilustre. Protagonizado por Jack Nicholson, dirigido por Stanley Kubrick, conta a história de Jack Torrance, um álcoolatra em recuperação que por conta de problemas pessoais aceita um emprego no Hotel Overlook, que no inverno ficava totalmente deserto e ele e sua família precisavam ficar no hotel para resguardarem sua propriedade, além de tudo isso Jack que viaja para o hotel com sua esposa e filho se deparam com atividades paranormais que vão ocorrendo no interior daquelas paredes, além do personagem de seu filho ter uma espécie de habilidade especial e sobrenatural. O Iluminado talvez seja sua obra mais renomada e conhecida, principalmente pelo sucesso que é e por ter sido dirigida por um cineasta grandioso que é Kubrick. É um fenomeno esplêndido na cultura pop e é uma boa maneira de se aprofundar nas obras de King, embora o longa seja bem diferente do livro, ambos levam uma mensagem explícita da relação humana e do paranormal. O perigo de O Iluminado com o decorrer de sua obra não é os problemas do Hotel ou a maneira como aqueles espíritos se comportam naquelas paredes, mas como existe uma relação de que o ser humano é um veículo para determinado ação sobrenatural e mensagens subliminares extremamente perturbadoras e teóricas. O Iluminado é um prato cheio de cinema, em uma simetria macabra e um estilo de cinematografia mirabolante, único. (Confira a crítica completa aqui)

Conta Comigo (1986)

19535440_20131009234549267
Tenso e Fofo.

E eis uma prova que ninguém pode ficar preso ao que começa. Por toda a trajetória de King ele foi se deparando com pessoas reforçando que ele precisava escrever somente terror, mas de uma maneira única no livro “As Quatro Estações” ele nos presenteia com quatro histórias e uma delas é O Corpo, que foi para as telonas em 1986. Conta Comigo (Stand by me, música de  Ben E.King) acompanha a história desses quatro garotos do século XX, que vivendo como crianças daquele tempo viviam sempre brincando, frívolas e soltas descobrem que há um corpo em um lugar distante da sua cidade e movidos à fama que podem adquirir se encontrassem o corpo que era de um garoto desaparecido partem numa jornada para o encontro dele. Mais como uma jornada imersiva e tocante da mente de crianças, Conta Comigo é pesado, não funciona como Os Goonies ou E.T. mas tem um desenrolar talvez triste e comovente, sua história é pesada, seus personagens carregam seus dramas, mas de certa forma o filme alegra e segue uma similaridade visual incrível das obras de Stephen King.

Misery (1990)

louca-obsessao-critica
Louca Obsessão.

Mais conhecido como Louca Obsessão no Brasil, Misery tem um caráter mais repleto de suspense do que o Terror em si. O filme acompanha o escritor Paul Sheldon que é famoso por todo o mundo por escrever as obras que acompanham a história da tal Misery e que após escrever o último livro da saga sofre um acidente em uma viagem para a publicação do mesmo. Ele é resgatado por Annie Wilkes, uma doce mulher que se proclama como sua fã número um. É a partir desse ponto que King investe em uma espécie de crítica de que a que ponto os fãs de criadores de conteúdo fazem com seus ícones, Annie é totalmente psicótica e coisa boa não vai vim desse resgate. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz para Kathy Bates, Misery também é interessante por essa permanência de personagens autores que King traz para suas histórias. Desde O Iluminado com Jack Torrance, desde o protagonista de Conta Comigo escrevendo um livro narrando a história de sua infância com seus amigos, Misery em si e várias outras obras que dão um sentimento de imersão mais profundo e reforça as teorias que King se baseia em traumas próprios para a concepção de suas obras

It, a Coisa (1990)

it-1
Macabro.

O terror de King volta em uma noção da cultura pop muito forte. It, ou mais conhecido como a Coisa, acompanha esse grupo de garotos que se tornam amigos nessa cidade bem usual das obras de King, refletindo um Estados Unidos meio único, com locais imersivos e bem anos 80. Esse grupo de garotos então percebem uma crescente onda de assassinatos que ocorrem nessa cidade e principalmente de crianças e então são chamados por essa criatura, a Coisa que surge em forma de palhaço. Eles derrotam essa criatura e então após se separarem, no futuro já adultos são chamados novamente para a cidade por um de seus amigos que havia ficado, pois a Coisa havia voltado. Talvez a sua produção mais “trash”, a Coisa é assustador em diversos aspectos. Tanto absorvendo uma questão da metafísica, do além daquela criatura e dos medos que ela incorpora para assustar, mas também do crescimento da criança ao adulto, dessa progressão, do esquecimento e de como deixamos esse nosso lado. Isso também conversa bastante com Conta Comigo, onde aqueles garotos se deparam numa separação inquestionável, eram amigos do peito, mas em algum momento eles iriam se perder e iriam esquecer uns dos outros. Diferente do resto dos filmes de terror, A Coisa conversa muito mais com um drama do terror do que com aspectos mais humanos e conceituais, como O Iluminado ou até Cemitério Maldito.

À Espera de um Milagre (1999)

2520
Emocionante.

Único, comovente e brilhante, The Green Mile é outro divisor de águas de Stephen King exibindo mais uma vez como um autor pode se renovar. Em meio a dezenas de livros de terror que não foram citados aqui, The Green Mile acompanha a história de Paul Edgecomb, o chefe da guarda da prisão de Lousiania em 1935 que recebe como prisioneiro John Coffey, um homem negro acusado de pena de morte por assassinar duas garotas brancas. Dessa estranha relação somos surpreendidos por uma espécie de comoção entre esses personagens e outros presos daquela cadeia, as histórias daquele presídio vão se conversando, vão tomando um tom e então nos deparamos com o elemento sobrenatural de Coffey, que parece abrigar uma espécie de milagre dentro de si, um poder. A relação da moral, do certo a fazer e da morte conversam de uma maneira única, desafia seu telespectador em uma direção e atuações notáveis e de uma forma humana e ao mesmo tempo mística, The Green Mile se torna uma história deleitosa de se ver e ler.

Bem, nossas indicações chegam ao fim, mas não quer dizer que somente essas histórias são as mais notáveis do mestre King, outras adaptações como O Aprendiz, Um Sonho de Liberdade, As Crianças do Milharam, Cristine, O Apanhador de Sonos, A Zona Morta e Cemitério Maldito englobam as obras literárias e cinematográficas do mestre do terror, de um dos autores mais famosos dos últimos tempos e de um grande nome para os anos 80 e toda a cultura pop.

stephen_2