Estamos a poucos dias da estreia de Pantera Negra, e assim como Mulher-Maravilha em 2017, o filme promete ser extremamente importante dentro da mensagem social que almeja passar e virar um marco dentro do cinema. É até estranho pensar que desde que filmes de Super-Heróis atingiram o mainstream, com o clássico Superman de Christopher Reeve, demorou mais de 40 anos para que viesse um dia um filme com um herói negro.

A Marvel sabe dessa importância e conseguiu desenvolver uma estratégia de marketing que se mostrou eficaz e certeira. Os cartazes são lindos e completamente representativos, o personagem principal é apresentado como um verdadeiro Rei e o seu exército chama a atenção pela verossimilhança . Mas a cereja foi colocada em cima do bolo no dia 4 de janeiro, quando foi revelado que o rapper americano Kendrick Lamar iria produzir e compôr canções para a trilha sonora. E essa foi a melhor decisão possível.

Lamar é hoje um dos maiores nomes do cenário rap e hip-hop americano nos dias de hoje, explodindo durante o ano de 2017 após o lançamento do álbum DAMN., que consagrou diversos hits, sendo um deles, Humble, que chegou a ser a música número 1 nas plataformas digitais de música. E a sua importância não é apenas pelos números, em suas músicas, o rapper consegue transpor muito do contexto do negro americano em dias onde os conflitos raciais são debatidos com intensidade, abordando com maior profundidade a brutalidade com que são tratados os negros pelas forças policiais, com letras inspiradas em sua comunidade, mas que também refletem a vida de muitos injustiçados ao redor do mundo.

Até o momento, duas faixas da trilha sonora foram divulgadas, All The Stars e King’s Dead, que contam com participações de outros artistas negros, como SZA (essa sendo considerada como uma das maiores artistas em ascensão no momento), Future e Jay Rock. E comparando com trilhas de outros filmes, podemos notar a personalidade forte nas letras, fugindo do contexto mais pop e que tenta ser mais chiclete e dançante, apesar da primeira música puxar um pouco para este lado. Mas é completamente interessante e divertido ver a maneira de Lamar ao levar suas músicas, acabar abordando a trama de Pantera Negra, onde na segunda música, ao chegar no final, existe o trecho “saúdem o Rei Killmonger”, referenciando o grande vilão vivido por Michael B. Jordan.

Pode-se até discutir que seria mais interessante trazer artistas africanos para retratar a cultura africana, o que no contexto do filme, faria muito mais sentido, mas aí é preciso lembrar que mesmo tendo um impacto social, Pantera Negra ainda é um produto comercial que precisa atingir as massas. Lamar é um artista com amplo alcance e com muitos fãs, o que só de inseri-lo na trilha sonora já gera o interesse desse grupo. Então ficará a cargo da trilha sonora instrumental, que será composta pelo sueco Ludwig Göransson explorar Wakanda com um som mais local. E podemos depositar a fé no compositor, afinal, ele se tornou conhecido e premiado por ter feito a trilha de Creed: Nascido Para Lutar.

Mas essas questões tornam o filme uma obra completamente autêntica e com personalidade, diferenciando dos outros do mesmo gênero, o que se torna importante com a frequente onda de filmes de super-herói, e fica questionável se eles estão ficando cansativos para o grande público. O que é um fator curioso, já que os filmes da Marvel ficaram conhecidos por seguirem um padrão de fórmula que não busca se arriscar, que se vende pelo humor e pela diversão familiar. É bom ter um bom exemplo de mudança, e que seja em um ano onde todos os olhos estão virados para o estúdio, já que sua concorrente passa por momentos turbulentos.

É impossível não ficar empolgado para ver Pantera Negra, seja um fã da DC ou da Marvel, seja fã de super-heróis ou não, este é um filme que tem a sua importância mais do que qualquer outro do gênero, seja para o universo cinematográfico que foi construído (jóias do infinito quem sabe), seja para o contexto social atual. Com essa quase perfeita campanha de marketing, esperamos que o resultado final, que tem a assinatura de Ryan Coogler, seja tão satisfatória quanto.

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