O cinema nacional esteve em constante evolução ao longo dos anos, mas a cada filme, havia uma sensação de que faltava algo a mais para que ele pudesse se destacar diante a produções internacionais. No meio dessas produções, um diretor chamava bastante a atenção por conseguir encantar em seus filmes e fazer todos nós percebemos que há um ponto fora da curva em nosso cinema, este é Selton Melo.

O ator e diretor possuía em seu currículo dois filmes que conseguiram ser belos e únicos, Feliz Natal e O Palhaço, esse que inclusive teve a chance de concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Eis que Selton chega com sua terceira produção, O Filme da Minha Vida, adaptação do livro Um Pai de Cinema, do chileno Antônio Skármeta, e faz todas as proporções do nosso cinema se elevarem ao máximo.

O filme conta a história de Tony Terranova (Johnny Massaro), filho de mãe brasileira (Ondina Clais) e pai francês (Vincent Cassel) que após retornar para sua cidade natal com diploma de professor, vê seu pai retornar para a França e nunca mais voltar. Tony começa então a passar por dilemas de sua idade e também passar por um descobrimento interior.

Por mais que o roteiro pareça simples, ele vai ganhando suas complexidades ao longo do filme, criando reviravoltas inesperadas e que vão além do que está em cena, dando ao próprio espectador maneiras de se interpretar o filme. A sua narrativa é como se fosse uma bela poesia, onde cada cena é um verso e ao chegar no final eles se conectam de uma maneira emocionante e apaixonante.

A fotografia belíssima de Walter Carvalho complementa esse roteiro com um visual que transporta o espectador até a década de 60, utilizando cores que passam toda a carga emocional do protagonista. Ainda é válido ressaltar os planos abertos que o filme apresenta, já que ele não foi filmado dentro de um estúdio como muitas produções nacionais.

As atuações são um show a parte, com cada ator entregando tudo que seu personagem pede, como Bruna Linzmeyer servindo como a grande paixão do protagonista, Selton Melo que atua como um grande amigo de Tony e possui nuances de mistério e também de bastante humor (inclusive tendo as melhores falas do filme), e um dos grandes destaques, além de Massaro e Cassel, a jovem Bia Arantes, que mesmo com poucas falas, transmite com perfeição toda a importância de sua personagem.

A direção toma um grande cuidado com o tom do filme, que consegue ser uma bela evolução do que foi visto em O Palhaço. Apesar da carga dramática, que é auxiliada da belíssima trilha sonora, o filme possui seus momentos cômicos e românticos, servindo como um filme que praticamente qualquer um irá se apaixonar por qualquer seja o motivo.

Pode-se dizer que O Filme da Minha Vida não perde em quase nada para qualquer um outro filme de hollywood e que não seria sonhar demais ver ele sendo indicado ao Oscar 2018, por toda a sua poesia e a sua maestria em entregar um filme que consiga executar todas as suas ideias e ainda sim deixar espaços abertos para a interpretação. Sem dúvida é um dos melhores, senão o melhor filme brasileiro já feito!

O Retalho Club foi gentilmente convidado pela Vitrine Filmes para a cabine e coletiva de imprensa. O filme estreia nos cinemas no dia 3 de agosto.

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