O título desta crítica já diz tudo o que você precisa saber sobre O Estrangeiro, o novo filme de Jackie Chan. Sim, um dos maiores assuntos da política mundial vem sendo as grandes ondas de ataques terroristas, em grande parte nos países europeus e asiáticos, é  a grande ameaça do filme e vemos um dos grandes astros de filmes de ação tendo que enfrenta-los por vingança.

Pode parecer que este é um filme onde é completamente descompromissado e cheio de cenas de humor, mas acaba que essa expectativa vai por água abaixo logo em sua introdução. É um longa que busca ser realista e criar camadas mais profundas do que apenas porradaria e mais porradaria, e por mais que o resultado não seja plenamente satisfatório, é de se admirar a tentativa.

A trama gira entorno de Quan (Jackie Chan), um humilde senhor que vê a sua filha, a única pessoa de sua família que ainda estava viva, sendo morta por um atentado terrorista e vendo o seu mundo desabar, e aí decide por conta própria traçar justiça com as próprias mãos. Essa premissa até que é interessante, porém outras tramas vão sendo jogadas em cima e aí os problemas começam aparecer.

É corajoso que o grupo terrorista abordado no filme, é um que realmente já existiu, o IRA, facção do Exército Republicano Irlandês. Mas acontece que a contextualização dos ataques do grupo acaba que ficando bem superficial e parece ser uma ameaça ficcional de tantos clichês que são inseridos dentro da trama. Não demora muito para que com alguns diálogos, já poder sacar o que irá acontecer, principalmente por conta do personagem Liam (Pierce Brosnan), que possui todos os estereótipos de alguém que trabalhou no lado adversário uma vez, está no lado dos mocinhos agora, mas ainda está de alguma forma envolvido o que está acontecendo. E ser clichê em filmes de ação não é um problema, vários filmes abusam de serem assim, mas o problema é que neste aqui, existe uma insistência de se manter sério e fingir que ainda está enganando o espectador e a ação mesmo acaba que ficando bem reduzida.

Pelo menos, os momentos em que Jackie Chan está em cena, acabam que sendo os melhores, mesmo com o seu personagem tomando atitudes um tanto que infantis e contraditórias. Afinal, se a policia diz que não sabe quem foi os assassinos de sua filha, por ser um grupo terrorista, é porque eles realmente não sabem, mas o personagem continua insistindo e causando atos que beiram ao nível do terrorismo, com a única diferença de não haver mortes (mas que causam o risco de uma). Seu personagem fica interessante por conta da atuação. Chan está diferente daquele tipo de performance que crescemos assistindo ele fazer. Existem camadas dramáticas e isso consegue ser transmitido em seu olhar e na sua solidão após a morte da filha, mas também possui um lado que sabe ser enganador, usando de sua inocência uma arma contra aqueles que o subestimam.

Mesmo que poucas, as cenas de ação são bem intensas e dão outro ponto positivo para Chan. Mesmo na casa dos 60 anos, o ator continua fazendo as suas lutas, e elas conseguem ser realistas, mostrando um homem que não está nos seus tempos de glória e apanha muito, mas usa a inteligência para atacar no momento certo.

Mas ainda é de se deixar a desejar quando vemos que a direção está por conta de Marin Campbell, que depois de ter feito 007 – Cassino Royale, parece ter perdido a mão em fazer um filme que prenda o espectador do começo até o final, com uma história repleta de personagens bem escritos e que geram carisma. Não é um diretor regular, mas pelo menos consegue se sobressair, principalmente depois do péssimo Lanterna Verde.

O Estrangeiro não é de todo o mal, mas fica aquela sensação de que, dentro do nosso cenário atual, poderia ter abordado melhor o terrorismo, ficando longe dos clichês já que a proposta era ter uma pegada mais realista. Mas pelo menos, esse é o filme que pode consagrar Jackie Chan como um ator que sabe atuar e não apenas lutar de maneira cômica.

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