Lá em 1977 o mundo mudava… Não, não quero começar assim. Todos vocês sabem o que é Star Wars, como ele revolucionou o cinema, fundou o termo blockbuster, incorporou aspectos muito marcantes e importantes à nossa cultura pop e chegou a mudar vidas.

Guerra nas Estrelas: o nome é chamativo. Agora embarquem em uma jornada hermenêutica para um buraco sem fim que esse universo nos proporciona. George Lucas realmente veio com tudo que precisava para revolucionar um gênero, religião, misticismo, heroísmo, mitologia… Desde Joseph Campbell até J.J Abrams, Star Wars tem de tudo. Política, economia, história, religião, arte e sétima arte pura. Akira Kurosawa extraído das minas do Japão. E mesmo com tudo isso os olhos rasos olham Star Wars como algo simples.

Cada um tem direito de olhar para o que quiser e sentir o que quiser, mas é de certa forma triste um produto ser criado para algo e ser visto de outra forma e eu não falo isso somente no positivo, mas também no negativo. Não seria esquisito se enxergassem em As Branquelas ou Esquadrão Suicida reflexões filosóficas? Como chega a ser esquisito Star Wars ser visto como ação, ou uma simples pancadaria com lasers.

Talvez o lugar certo para começarmos nossa jornada é com o fazendeiro de Tatooine, Luke Skywalker, o garoto simples que junto ao seu tio compra dois dróides naquele imensurável deserto, dróides esses que dizem que vêm de um conflito espacial, uma guerra interminável e trazem uma mensagem para um erudita misterioso do deserto e tudo muda. Conhecemos Obi Wan, Han Solo, Chewie, Leia, Vader e outras dezenas de personagens, embarcamos em planetas gelados, treinamentos difíceis, revelações tenebrosas e um final não tão feliz. Voltamos salvando um amigo, indo para a guerra, conhecendo outras culturas, povos, mais revelações e uma última jogada final, uma redenção daquele homem perdido.

E nesses três filmes não foi só aventura, velhos com uma coreografia ruim ou uma ação nem tão boa assim, mas conceitos que vão e voltam pra nossa vida. Star Wars nos presenteou com um conflito entre o bem e o mal que embora se aprofunde muito mais que isso, tem o ponto muito forte das rebeliões. Luke Skywalker, uma pessoa realmente perdida no deserto, com um rumo meio desolado se descobre herói, enquanto um personagem não totalmente bonzinho (um cafajeste na verdade) se torna um herói também, ainda não esquecendo seu antigo semblante. Star Wars fala de religião, conceitos, da eterna luta entre forças que querem tomar o que mais necessitamos, de liberdade, imposições, opressão diária que transforma nossos lares e planetas em locais desolados, frios e cinzentos. Guerra nas Estrelas não quer nos mostrar batalhas insensíveis, quer nos dar nosso lado mais humano.

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Os conceitos de Guerra nas Estrelas são bem feitos, durante sua trilogia original temos roteiros muito bons com jogadas e feitos que se amarram, questões-problemas vão se resolvendo e se preenchendo entre si, além da progressão e desenvolvimento de personagens. A humanização e o conceito da família são absurdamente presentes, a jornada do herói, o receio que temos de enfrentar os perigos, o medo de nos voltarmos para a maldade quando precisamos de poder. Ao meu ver, Star Wars nunca quis nos dar uma fábula cheia de ação, com coreografias que precisassem de algo muito realista, tampouco uma computação gráfica excessiva, mas conceitos, modos de vida e lições.

E Rogue One está chegando. Claro que as pessoas não estão com tanto hype quanto para O Despertar da Força e é compreensível. The Force Awakens foi o reencontro que precisavam e embora não tão original, agradou muito. Rogue One é diferente, sem letreiro inicial, sem uma presença tão brutal da força e dos Jedi. É aí que tudo pode mudar. É aí que finalmente teremos Star Wars de volta.

Nossa história com a Nova Trilogia não é tão boa, mas não vamos nos ater a uma crítica, vamos permanecer nos fatos. Nenhum filme da Nova Trilogia é Star Wars, embora tente. Não é relação familiar, não é jornada do herói, é uma história, um prequel para entendermos (ou ficarmos mais confusos) a história que a Trilogia Original nos deu. Rogue One finalmente vai resgatar o original (Diferente de O Despertar da Força) e devolver o que foi perdido há certo tempo, a ânsia da guerra, a rebeldia, a esperança, os ideias que essa saga espacial sempre quis nos transmitir.

Viva a Rebelião.

Viva o Sonho.