Quando os quadrinhos da DC sofreram um reboot em 2011 com os Novos 52, as animações da empresa ainda estavam em outra linha de pensamento, adaptando sagas antigas como Torre de Babel e a até então recente, Ponto de Ignição, ambas que remetem muito à série animada da Liga feita por Bruce Timm.

Mas chegou a hora de adotar essa repaginação e começar a adaptar arcos dos Novos 52, com o arco que iniciou essas histórias nos gibis: A invasão de Darkseid e a primeira união dos heróis.

Desaparecimentos estranhos estão acontecendo por volta do mundo. Batman investiga sua maior pista e consegue a informação que esses desaparecimentos estão relacionados a uma invasão alienígena. Essa confusão mundial acaba juntando vários heróis que não necessariamente querem trabalhar juntos, mas devem colocar suas diferenças de lado para salvar o mundo

Quando soube da produção dessa animação eu fiquei bem animado. Eu acompanhei as primeiras edições da Liga da Justiça e poder ler a equipe se juntando pela primeira vez em uma nova “pegada” foi uma experiência única, portanto minha expectativa para o filme estava alta.

O primeiro ponto a se destacar é a animação e escolha de design, esse estilo é o mesmo da animação Flashpoint e combina bastante com a roupagem dos Novos 52, se distanciando dos traços que os personagens tinham em filmes antigos. A fidelidade para com os personagens da HQ também é um chamativo, um Super-Homem marrento, um Batman que aparenta ser menos experiente e uma Mulher Maravilha mais guerreira que nunca, os personagens realmente são fieis a sua abordagem nos gibis da época.

A dublagem é um ponto alto que sempre esteve presente nas animações da DC, só dubladores de excelência e que estavam reprisando seus papéis, podemos dizer que os profissionais realmente conheciam a quem estavam dando a voz. A diferença desse para outros filmes da DC é a presença de Duda Ribeiro como Batman (que já havia feito o morcegão em outra série animada) e Clécio Souto como Flash (que apesar de não ser o dublador regular do personagem, já tinha interpretado ele em outro filme).

Infelizmente a narrativa é cansativa. A progressão dos eventos não acompanha uma linha de entusiasmo, ficando em um vai e vem que cansa. Enquanto a HQ é cadenciada e consegue manter um ritmo crescente durante suas edições, o filme peca e acaba criando algumas barrigas quando apresenta os personagens.

Entretanto o time funciona bem e a produção conseguiu traduzir muito do sentimento que os Novos 52 trouxe, essa sensação de novos ares, novos personagens e novos terrenos a serem explorados. A história de união do time não havia sido contada desde a série animada, e mostrar esse evento no “reboot” foi o melhor jeito de recomeçar.

Muitas decisões podem ter comprometido o produto final, como mostrar os personagens dessa forma robótica ou até mesmo incluir Shazam no intuito de criar mais humor, sendo que no gibi, Aquaman tem um foco maior e momentos mais inspirados. Apesar de fiel, a história não é tão interessante, e isso se deve a forma que ela foi contada.

Liga da Justiça: Guerra, é um filme regular, com um sério problema de adaptação, mas que tem momentos divertidos. A animação consegue se distanciar do formato similar ao da série animada que os filmes anteriores seguiam, e mesmo sem alcançar a qualidade de antigos lançamentos, cumpre o papel básico de apresentar o novo universo animado da DC para o público.

facebook comments:

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here