23 anos após a estréia do primeiro Jumanji, estrelado pelo queridíssimo Robin Williams, somos levados à selva novamente, dessa vez com personagens totalmente novos.

O anúncio do longa, de primeira, já me causou incomodo – como é incoveniente o tal do saudosismo. Um novo Jumanji, para mim, era algo desnecessário, e a idéia de que, possivelmente, seria uma homenagem ou um retrato do clássico de 1995 me soava forçado ou puramente comercial ao trazer a lembrança de uma das figuras mais bacanas que Hollywood já, desmerecidamente, teve. Confesso que não estava agindo de maneira profissional desde que soube da produçao do longa e que não me sentei na cadeira do cinema esperando algo que me agradasse, e talvez essa tenha sido minha maior vantagem.

Fazendo jus à fama de “jogo que sempre encontra uma forma de ser jogado”, Jumanji se transforma em video-game e suga Spencer (The Rock e Alex Wolf), Martha (Karen Gillan e Morgan Jeanette), Fridge (Kevin Hart e Ser’Darius Blain) e Bethany (Jack Black e Madison Iseman) para dentro da selva, onde a única forma de escapar é vencendo o vilão principal e gritando o nome do jogo.

O longa apresenta seus personagens principais destacando suas diferenças comportamentais e físicas, ao estilo “Clube dos Cinco” com o jogador de futebol descolado, a patricinha, o nerd e a anti-social que estão de castigo juntos na escola.

A comédia começa quando o grupo assume corpos e habilidades opostas das que possuem no mundo real. O nerd se torna o alto e forte, enquanto o jogador se transforma em seu escudeiro baixinho, a patricinha é um homem de meia idade com sobre-peso e a anti-social é a arrasadora de homens e mestre em artes marciais.

O quarteto formado por The Rock, Kevin Hart, Jack Black e Karen Gillan são os principais responsáveis para que a extrema diferença de propostas entre o filme de 1995 e o atual não seja um problema. Enquanto o anterior focava em um gênero muito mais aventureiro, o atual se preocupa com a comédia, se tornando original e independente, apesar de ainda fazer questão de referenciar o antecessor.

Jack Black rouba a cena quando aparece, assumindo uma feminilidade e curiosidade com a fisiologia do seu corpo, e Hart não fica atrás e retoma a química com The Rock, já vista em Um Espião e Meio, assumindo uma personalidade forte e destemida frente ao colega, apesar de sua baixa estatura.

Já a hiper sexualização de Karen assume uma função de extrema importância, propondo ao espectador um questionamento a respeito da promoção sexual da mulher quando a mesma possui também outras qualidades marcantes. Os méritos do roteiro com a personagem vão além, e transforma uma cena que soaria machista em algo cômico e ao mesmo tempo forte, ao demonstrar as verdadeiras habilidades de Martha.

O elenco jovem não possui tanto tempo de tela, mas transmitem bem as diferenças, principalmente comportamentais de cada um dos personagens.

Os deméritos ficam por conta do vilão vivido por Bobby Cannavale. Mal desenvolvido em cima da ideia de que todos em Jumanji são NPC’s, com exceção do quarteto, e suas únicas funções são a de levar os heróis até a fase final.

Nick Jonas não compromete e tem uma atuação razoável e limitada, mas apesar de ser uma peça chave para o avanço no jogo seu papel pouco acrescenta ao restante da trama e sua utilização é, em si, uma referencia ao vivido por Robin Williams em 1995.

A trilha sonora é composta principalmente por sons de tambor, que embalam um ritmo tenso e compõe de forma extremamente competente o enredo, permitindo uma imersão completa no filme. A composição e suas forma de utilização são extremamente parecidas com as de 1995, se tornando, também, uma ótima referencia ao clássico.

O longa se propõe somente a divertir o espectador através da comédia, e utiliza a química e o carisma de seu elenco de forma inteligente e bem orquestrada, sendo ainda simples e independente, mas mantendo a essência e honra ao clássico antecessor.

Jumanji – De Volta à Selva está em cartaz nos principais cinemas do Brasil.

O elenco é composto por Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan, Nick Jonas, Bobby Cannavale, Alex Wolff, Madison Iseman, Ser’Darius Blain, Morgan Turner e Rhys Darby, com roteiro de Chris McKenna, Erik Sommers, Jeff Pinkner e Scott Rosenberg. A direção é de Jake Kasdan.

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