Estamos vivendo um período de grande notoriedade de filmes de terror no cinema, principalmente após o sucesso recente os filmes do diretor James Wan, assim como vemos inúmeros livros best-sellers ganhando vida na tela do cinema. É da junção dessas duas maiores sensações, que uma das obras mais volumosas de Stephen King, IT – A Coisa, chega as telonas.

Esta não é a primeira vez que a obra é adaptada, já que um filme para a TV foi feito em 1990, porém apresentava o problema de não saber aproveitar o real potencial que a obra original poderia oferecer, o que tornou um dos maiores objetivos do filme de 2017, que tem a direção do argentino Andrés Muschietti. E já é bom adiantar que o objetivo é muito bem cumprido.

Um dos maiores acertos para com o filme e para a sua narrativa em si, foi entender a história complexa do livro que possui dois arcos narrativos, um onde os protagonistas ainda são crianças e outro com eles já na vida adulta. Assim, serão dois filmes para contar ambas histórias e assim se formarem como um só, não deixando uma trama corrida e apressada.

Com isto, temos o Clube dos Perdedores no período das férias escolares em plenos anos 80, o que já permite para que o filme consiga resgatar todo o espirito de filmes com elenco repleto de crianças da época, com o seu espirito de aventura e amizade entre cada um dos membros do grupo. Isso faz com que IT seja diferente de um filme de terror convencional, cheio dos sustos clichês e que com uma presença maligna do mal atrás dos protagonistas.

Os primeiros minutos do filme servem para ir explorando cada um dos membros do Clube, apresentando quais são seus medos internos e o que os fazem se sentirem “perdedores”. Esses momentos são tocantes e em alguns casos até pesados, envolvendo tramas como abuso sexual paterno. Isso foge do medo comum que o filme poderia forçar com a figura de Pennywise (Bill Skarsgård) poderia oferecer, e dá um toque de maior complexidade.

Mas ainda sim este é um filme que tem como protagonistas sete crianças, então em diversos momentos divertidos com alguma piadinha de Rich (Finn Wolfhard) ou algum outro momento mais de diversão do grupo, onde vemos o lado aventureiro do filme, abdicando-se do terror e que serve de respiro para o público.

A cereja do bolo é a presença de Pennywise, que mesmo não sendo a figura maior de medo dos personagens, consegue ser macabro em todas as cenas que aparece, seja comendo um braço humano, aparecendo com seus dentes enormes ou deixando uma risada bizarra dentro da sua cabeça, chegando a causar arrepios. E claro, a quem tem medo de palhaços o filme pode não ser recomendável, a não ser se fechar os olhos todas as vezes que ver um em cena.

Apesar dos pontos positivos, o filme não fica isento de pontos negativos. Mesmo tendo um tempo maior para desenvolver personagens, alguns acabam não tendo o tempo devido de tela, como o Mike (Chosen Jacobs), que apesar de ter um plano de fundo interessante, acaba ficando jogado na trama por não ter a devida importância, como os outros personagens. Outros pontos como algumas cenas mal cortadas e acontecimentos sem consequência, como Ben (Jeremy Ray Taylor) sofrer danos diversas vezes e não ter nenhum responsável para querer entender o que está acontecendo.

A trilha sonora é completamente envolvente, além de contar com alguns sucessos dos anos 80, que apesar de já estar sendo forçado em todos os tipos de mídias possíveis, ainda é bem vindo da forma que é apresentada aqui.

IT: A Coisa é um filme que surpreende bastante por conta de fugir do padrão que os filmes de terror encontraram depois de Invocação do Mal ou Supernatural, e até mesmo dos clichês horríveis que existem por ai. O filme tem a sua identidade própria no gênero, sabendo fazer uma boa releitura do material que tinha em mãos.

Para aqueles que se dizem os mais corajosos e não se assustarem com o filme, ainda sim poderá dizer que este é um ótimo filme de aventura com temas muito bem trabalhados e que não se esquecerá tão cedo!

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