Não é de hoje que os games são adaptados para as telonas do cinema. Não é de hoje também que essas produções são de gosto duvidoso e quase nunca conseguem cair nas graças do grande público. Mas esse era um assunto que se evitava falar nas rodinhas de conversa dos gamers, até que a Ubisoft resolveu adaptar Assassin’s Creed, uma de suas maiores franquias atuais e gerou um interesse enorme da comunidade.

A ideia era que o filme iniciasse um movimento de filmes adaptados de games, assim como temos os filmes de super-heróis hoje em dia. O elenco era renomado, o diretor vinha de um sucesso de critica e a Ubisoft estava de olho na produção. Não tinha como dar errado certo? Realmente não tinha… mas deu errado.

Antes que venha me xingar ou dizer que “a opinião da critica especializada é uma merda”, se acalme. Eu sou um fã da franquia assim como todos os outros fãs (Eu inclusive gosto e defendo o Assassin’s Creed Unity). Então vamos seguir até o final e entender bem porque o filme errou.

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Pense em dois personagens inúteis….

O filme tenta repetir a fórmula do primeiro game, um rapaz com problemas familiares que tem uma ligação com a Ordem dos Assassinos e em algum momento de sua vida, a Abstergo consegue acha-lo e resolve usar esse rapaz para que, através de suas memórias genéticas, seja encontrada a Maça do Éden. Uma moça um tanto simpática tenta ajudar enquanto um velho chato que é o líder de tudo fica supervisionando.

A diferença entre o primeiro jogo e o filme, é que nada é desenvolvido no roteiro. Seja a relação de Callum Lynch com seus pais, as motivações reais da Abstergo, o Credo dos Assassinos, a Ordem Templária, a Maça do Éden e nem mesmo o contexto histórico é desenvolvido no filme. Sério, se tem algo que mais me deixa nervoso é que uma das coisas mais legais dos games é o seu contexto histórico bem explorado e desenvolvido, com figuras históricas aparecendo e interagindo com o personagem. No filme, absolutamente nenhum personagem do passado tem importância e eles só servem de contexto pra cena de ação.

E tudo bem, você pode me dizer que o Desmond não tem um bom desenvolvimento no primeiro game, eu concordo, só que são deixadas pontas abertas sobre o seu passado e que fica bem claro que tudo será explicado nas continuações. No filme isso não é feito, tudo tem que acontecer de forma rápida e para se resolver naquele filme, deixando como ponta para uma continuação uma cena muito que mal feita e sem sentido nenhum.

Pensa numa cena que é foda e ruim ao mesmo tempo
Pensa numa cena que é foda e ruim ao mesmo tempo (só se você viu o filme entenderá…)

Parece que é difícil para os estúdios entenderem, que um filme baseado em games não tem que ser sombrio ou criar coisas totalmente novas fora do cânone dos games e inserir os personagens clássicos de uma forma aleatória (Olá Resident Evil). Um filme baseado em games precisa ter diversão e os elementos que fizeram os fãs se apaixonarem por aquilo e que no caso de Assassin’s Creed é a sua história rica em conteúdo e personagens marcantes (Ezio, Edward Kenway, Shay, Altair e vários outros concordam com isso).

Eu tenho esperanças que aconteça uma continuação e que isso seja algo a ser corrigido. Porque o filme não é de todo ruim. O visual é incrível e as mecânicas de gameplay são traduzidas de uma maneira impecável. O figurino dos personagens se encaixam perfeitamente do que é o universo dos games e inclusive não duvido que skins baseadas no filme serão disponibilizadas num próximo game da franquia.

Aproveitando que eu dei uma leve cutucada na franquia de Resident Evil nos cinemas, vou comentar algo que é bem comum de acontecer nessas adaptações e que deixam um pingo de ódio em meu coração.

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Eu elogiei o fato de Assassin’s Creed trazer os movimentos de gameplay no filme certo? Na franquia baseada no jogo da Capcom, isso acontece de vez em quando, porém é só pra satisfazer fazer aquele fã cego que aceita tudo e falar que é fan-service, porque não! Não é fan-service você colocar algo totalmente desconexo dentro do filme só porque isso está na mídia original. Você acha mesmo que a Alice recriando os movimentos ninja do Leon em Resident Evil 4 é um fan-service? Fan-service era se fosse o próprio Leon fazendo isso no filme, mas isso não pode acontecer né… afinal ele é um completo bundão nos filmes.

Esse é um problema que eu espero que nenhuma das adaptações futuras cometam. Porque se tem algo que Resident Evil faz é distorcer os personagens originais e transforma-los em piada. Quem não se lembra da Alice derrotando o Nemesis com apenas um soco, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo? Ou a Alice esculachando os protagonistas dos games como se ela fosse a personagem mais foda da saga… sério, isso é ridículo.

Ah… como me dói ver essa cena horrível, sério.

Futuros filmes de adaptações de games estão em produção nesse momento, são elas UnchartedTomb Raider e The Division. Exceto o último, os dois games tem um contexto perfeito para ser transportado para a telona, inclusive por serem games que vieram da fonte do grande clássico do cinema Indiana Jones. Ou seja, não precisa inventar, só beba da fonte que os games se inspiraram que é sucesso.

Eu vejo os filmes de vídeo-games da mesma forma que vejo os filmes de super-heróis do século passado. Alguns foram bem sucedidos, outros são motivo de piada até os dias de hoje. Mas quando Christopher Nolan ficou encarregado de dirigir Batman Begins, as coisas começavam a mudar de patamar e mudou toda a forma da industria ver esses filmes. Não estou dizendo que um Nolan é a salvação, mas que precisamos de alguém que chegue e imponha um filme fechadinho e fiel as suas origens.

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