Tempos bons e ruins, você sabe que eu tenho minha dose de cada

Certa banda de rock já previa os sentimentos que estamos tendo agora… Bem, vivemos em uma era onde a cultura pop ou nerd é cool, enquanto em tempos de outrora você ler seu gibizinho e falar sobre filmes de heróis era motivo de chacota, hoje vemos as pessoas que faziam chacota comentando sobre esses sucessos. Estamos em uma era do blockbuster, mas as pessoas ainda ficam firmes em não ter mudança, e eu falo especialmente da Editora DC Comics, com o nascimento do UCDC. O MCU (Universo Cinematográfico Marvel) é um tanto atual, a Marvel do passado não ousou tanto com os filmes de super heróis e mesmo assim ainda há certo saudosismo de fãs nessa nova era de novos filmes. Nesse ano de 2016 tivemos um estupro visual de cultura de super heróis, é só ir em um cinema próximo que com toda certeza vai ter algum filme baseado em quadrinhos, para um público que não tem tanta leitura do material fonte em si o filme pode ser avaliado com suas perspectivas, já o fã de quadrinhos…

O vilão de tudo? Christopher Nolan. Dirigindo a Trilogia do Cavaleiro das Trevas, Nolan atingiu um patamar totalmente diferente dos filmes usuais de super heróis, criou um clima extremamente construído, com um roteiro exemplar e futuramente vencedor de Oscar, o que Nolan causou? Que essa nova era do UCDC seja avaliada de maneira rígida, é um fenômeno plausível, mas não é somente Nolan que o fez. Os fãs de quadrinhos que se prenderam demais a certos personagens, por saudosismo ou pela semelhança ao material fonte não aceitam o novo, ficam presos na ignorância imersiva e obviamente terminam não apreciando tão bem as novas culturas.

Analisemos o caso do triangulo amoroso ente Ben Affleck, Christian Bale e Batman. A Trilogia do Cavaleiro das Trevas foi totalmente protagonizada pelo Oscarizado Christian Bale e fez um bom trabalho, partindo de uma perspectiva preservadora e original do material fonte, Bale foi totalmente diferente. Teve suas nuances do Batman dos quadrinhos, mas desempenhou um papel diferente, e nessa perspectiva do Nolan é um vigilante sombrio em um mundo realístico que usa o nome de Batman. E então tem seu desfecho, O Homem de Aço é lançado e também carrega saudosismos que eu citarei depois e então Ben Affleck é anunciado o novo Batman, que iria aparecer na sequência de Man of Steel. A internet explode com as más críticas, mas por qual razão ela tem essa reação? Há duas hipóteses, 1. Affleck interpretara o longa de Demolidor e não preencheu tudo que desejavam e 2. Um aperto no coração por não ver Bale protagonizando ao lado de Cavill. Mas também tem uma terceira vertente: Neofobia, o medo do novo. Eles se apegam demais à esses personagens, cultuam eles demais e quando chega um momento de mudança, de novidade eles tem um medo irreversível de ser “ruim”.

E nesse ano, embora Affleck tenha calado a boca de muitos críticos negativos sobre a presença como o Batman ainda existem “fãs” que negam o bom, há liberdade de expressão e opinião pra tudo, mas continuar a pagar micão com argumento que não é fiel aos quadrinhos? Ah, pelo amor.

batman
Se isso não é o Batman dos quadrinhos, eu não sei o que é…

E também temos a questão de Man of Steel, longa que modificou do pé a cabeça do herói mais famoso de todos os tempos. O Superman que foi imortalizado pelo grande Christopher Reeve tinha todo o caráter de um super herói, bravo, caridoso, feliz e extremamente poderoso e essa visão do Superman é muito bem captada dos primeiros escritos do herói, onde ele é um sinônimo da esperança. Houve algumas tentativas de trazer o herói de novo as telonas como em 2006, mas não deu muito certo e daí em 2013 temos Man of Steel, com um visual atual, um ator extremamente similar ao personagem dos quadrinhos, mas puf! Temos críticas negativas, estrondosas, ódio puro. Se houve expressão pelo filme ser ruim? Com toda certeza, cada um tem esse direito, mas o que não é argumento é a ausência de certos tons do Superman de Reeve.

O Superman apresentado em Man of Steel é de uma persectiva um tanto diferenciada, mais semelhante a quadrinhos desse séc. XXl do que o escoteiro azulão, esse tom inicial de descoberta de poderoso e de uma carência de heroísmo é viável, visto que ainda não existe um herói marcado e é muito puxado de uma perspectiva de Nolan, a presença do super herói com esses questionamentos humanos e também tem uma relação muito ampla com os quadrinhos mais adultos, onde esse Messias, um enviado dos céus que surge na Terra acarreta mudanças políticas e sociais. Ah, e é claro que reclamaram da ausência da trilha sonora de John Williams.

Geralmente quando queremos um novo visual mudamos algo, cabelo, maquiagem, olhos, nariz, boca e estatura. Você é o gordinho que pretende ficar musculoso, academia e boa alimentação, muda drasticamente. Você permanece o mesmo, mas teve que mudar algo, e abraça isso. Isso é novidade, é a atualidade. A não presença do famoso Superman Theme é totalmente viável, somos apresentados a um universo diferente, denso, onde a presença do atual é constante e o que soaria um tanto anacrônico surgir? O tema do Superman enquanto Henry Cavill sobrevoa os céus de Metrópolis.

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Mais polêmico que MOS só se for mamilos…

E claro que os vilões não iriam fugir disso, além de outros que ainda não foram totalmente esclarecidos como Ezra Miller como Barry Allen e Gal Gadot como Mulher Maravilha (Visto que seus filmes ainda não foram lançados), algumas presenças malignas não poderiam deixar de serem presas no passado, de permanecerem nesse anacronismo.

Lex Luthor nunca foi tão bem adaptado. No novo longa dos super heróis temos um Luthor cativante, manipulador e acima de tudo diferente. Cabeludo, psicótico, doentio e louco na cocaína (Metafórico), temos um novo personagem, que tem base nos quadrinhos, mas que é visto com mal olhar pelos “críticos” da internet, eu não falo essas palavras por motivos de ser fanboy, mas pela falta de argumentos que nos apresentam quando temos algo novo. Nunca uma indústria de cinema pode sair bem se for repetitiva, Western que nos diga e daí nessa nova era de filmes de super heróis os produtores, diretores e criadores são obrigados a trazer do passado para o presente, esquecer a novidade e só encher um roteiro de linguiça do passado.

E daí temos o Coringa, o maior vilão de todos. Interpretado pelo grande Jack Nicholson, o Coringa fez trabalho bom, marcou, mas não permaneceu eterno e daí na vilânica Trilogia do Nolan temos Heath Ledger brilhando como o Coringa, digno de Oscar. Quando anunciam Jared Leto como o Coringa desse novo universo a internet também se exalta e fica mais excitada ainda com a liberação da primeira imagem do vilão, sem camisa, dentes de aço, cabelo penteado e tatuagens. E daí nasce o ódio. Muito bem, Ledger foi um personagem gigantesco, a psicopatia do Coringa estava fixa naquele personagem, toda a doença e o vírus impregnado na mente daquele personagem estavam na interpretação fantástica de Ledger, ele marcou e marcou bastante, caiu na boca dos fãs de quadrinhos e é claro do povão, quem nunca viu alguma frase ridícula com o Coringa ao lado? Nasce o maior anacronismo de todos, com o lançamento do mais novo longa da DC Comics temos a presença do palhaço do crime, que dessa vez é uma antítese de Ledger, e nos faz pensar: É ruim? E voltamos para a analogia de Nolan e UCDC.

Se você pretende ver algo verídico, cru e real: Trilogia Nolan, onde temos um Coringa anarquista, que surge em determinado momento da história de Gotham City e então se perde. Se você pretende ver algo diferente, novo e ao mesmo tempo similar aos quadrinhos veja o UCDC, onde temos um Coringa bem similar ao personagem de grandes escritores como Scott Snyder, Jim Morrisson e Brian Azzarello. Partindo de um ponto de vista especialmente defensor do novo universo cinematográfico da DC Comics, temos a presença de personagens que são diferentes do material original, que tem requintes novos, mas ao mesmo tempo pertencem a ele. O Coringa é o exemplo mais amplo disso, ele é extremamente atual, com uma pinta de cafetão, gangsta, dono de boates e luxuoso, no maior estilo do espalhafatoso. Mas então temos um Coringa anarquista, insano e louco. Falando de quadrinhos em si, se formos analisar o mais similar ás páginas coloridas da DC, o Coringa de Jared seria o mais próximo, embora tenha tido um tempo de tela especialmente curto.

E é disso que eu pretendo ressaltar, estamos vivendo em uma nova era, mais nova que a era que nos presentou com Trilogia do Nolan, Spider Man de Raimi e X-Men, estamos em um período onde as transições ocorrem constantemente, onde o novo vai ser preciso. E mesmo assim as pessoas continuam a permanecerem no passado, se é reclamando sobre o novo Coringa ou comparando personagens de mídias diferentes. Somos obrigados a ver sobre possíveis encontros de atores que já não vão voltar ou teorias de fãs que são tão malucos que precisam que tal pessoa seja filho de tal personagem.

Como muitos falam, não deixe o passado para trás. Aprecie ele, como qualquer um. Note como aquelas obras foram excelentes, especiais. Mas abrace o futuro também, veja como o novo pode ser bom e acima de tudo espere e tire suas próprias conclusões.