É redundante dizer que adaptações de games não funcionam tão bem no cinema. Existem algumas exceções, mas a qualidade desses filmes sempre foi abaixo da média.

Uma das primeiras adaptações foi Street Fighter: A Batalha Final, aquele que Van Damme estrelava e que ainda hoje figura em diversas listas vergonhosas. A maioria de nós achávamos que essa era realmente a primeira e última tentativa de Hollywood trazer Ryu e cia. para as telonas, porém, meus amigos, nunca é a última tentativa.

A Lenda de Chun-Li foi lançado em 2009, chegou ao Brasil direto em home-video (ainda bem) e conta a história da personagem chinesa, de sua infância até o combate contra Bison.

O motivo que sempre pesa em adaptações como essas é a dureza dos americanos ao tratar assuntos mais espirituais e introspectivos, além do medo deles em ser muito brega tratando de outros assuntos dos jogos japoneses, como magias, visuais e todo carnaval que a Capcom oferece.

Vocês já perceberam que na maioria das adaptações os personagens só usam seus movimentos característicos no final do filme? Vamos recapitular. Bison usa uma espécie de eletricidade e começa a voar só no final do “Street Van Damme; Liu Kang em Mortal Kombat derrota Shang Tsung com umas faíscas vermelhas que só aparecem naquele momento do filme; em Angry Birds eles só usam os lançamentos especiais nos terceiro ato da trama (apesar de ser justificado); e aqui com Chun-Li, o que movimenta a trama é uma magia genérica.

Essa forma de tratarem algum efeito especial como algo importante é ridícula pelo gênero do longa. É um filme policial, onde tudo permanece bem pé no chão, até que um mestre mal vestido aparece e surge com essa ideia de energia.

“Sim, espectador. Vamos deixar de lado essas conspirações empresariais e a trama policial que te apresentamos. SE LIGA nesse poder rosa feio e como ele é importante” – Roteirista.

O Bison tem mesmo uma tara por maquetes

Falando em personagens, alguns conhecidos dão as caras, mas não como queríamos. Charlie Nash é interpretado por Chris Klein e permanece a maior parte do tempo flertando e sendo um agente incompetente; Neal McDonough conhecido por interpretar Damien Darhk na série Arrow, faz um Bison não tão perturbado, mas um ótimo empresário; e para fechar esse elenco, temos Michael Clarke Duncan como Balrog, Robin Shou (o antigo Liu Kang) como Gen, e Kristin Kreuk, ex-Smallville, interpretando Chun-Li.

A duração do longa é de 1h30, mas o ritmo da narrativa é lento e não abusa de cenas de ação. Resultado: é mais difícil assistir A Lenda de Chun-Li do que A Batalha Final.

Agora vocês valem mais.

Para não dizer que o filme não se arrisca, um fato interessante: havia planos para continuações, outros filmes solo contando lendas do universo de Street Fighter. A cena final fala por si só. Como seria o mundo que vivemos se houvesse uma espécie de Vingadores do Street Fighter? Estou intrigado.

“Ryu..alguma coisa, ouvi dizer que é uma força a se considerar”

Street Fighter: A Lenda de Chun-Li é a resenha americana de conceitos orientais. Uma soma catastrófica de roteiro ruim, falta de interesse e covardia, que resultam no filme que tem um nome importante, mas que parece um episódio mal escrito de CSI. A falta de fidelidade é a última coisa a se considerar quando vemos os problemas maiores do longa, a direção que a trama toma é contraditória e deixa a narrativa vergonhosa.

A verdade é que após assistir A Lenda de Chun-Li, passei a achar A Batalha Final um filme mais competente.

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