Fui convidado pela Disney para assistir ao filme Doutor Estranho na manhã de hoje (25/10) e fui surpreendido de forma positiva.

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Doutor Estranho é diferente e ao mesmo tempo similar aos demais filmes da Marvel. A fórmula está lá, intacta, sendo reutilizada após 14 filmes, o que de certa forma seria algo um tanto quanto broxante, mas há reinvenção. Doutor Estranho – o personagem – permite essa reinvenção, uma vez que nos apresenta um universo diferente da maioria das coisas que somos acostumados a ver nos quadrinhos. A Marvel soube explorar bastante isso e evitou tornar o filme mais do mesmo.

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Scott Derrickson (A Entidade, O Exorcismo de Emilly Rose e Livrai-nos do Mal) veio do terror e trouxe muito medo para Doutor Estranho. Estamos falando de um filme cujos personagens temem o fim. Ao mesmo tempo que Stephen (Benedict Cumberbatch) teme o fim de sua vida – sem sua profissão – o vilão Mestre Kaecilius (Mads Mikkelsen)  teme o fim de sua vida, a mortalidade e parece desejar algo melhor. Há ainda o medo da descoberta o medo de fazer parte de algo tão vasto e incompreensível que transcende nossa realidade. É algo como as pilulas – azul e vermelha – de Matrix, depois de descobrir tudo isso, de conhecer todas essas realidades e toda a vastidão do conhecimento você deseja ignorar tudo e viver sua vida como antes ou se aventurar no inconcebível?

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O filme mergulha o telespectador num multiverso mágico psicodélico sem medo de ser o que é. Não há tentativa de amenizar os elementos mágicos ou explicar a sua existência, as coisas simplesmente acontecem e tudo flui muito bem. O roteiro é redondo, possui um início, um meio e um fim bem definidos e acompanhamos o desenvolvimento de Stephen nessa jornada. Benedict, como de costume, está muito à  vontade no papel e entrega um Doutor Estranho como o dos quadrinhos. Sarcástico, ácido, egoísta e pontual. Mads Mikkelsen desempenha bem seu papel, embora não seja um dos maiores exemplos de vilão, ele convence e faz o que deve ser feito. Ele antagoniza o filme, mas a ameaça principal é muito maior do que ele e seu grupo de fanáticos e isso pode decepcionar algumas pessoas. Foi satisfatório, não vejo a necessidade de uma vilania que se sobressaia a história, bem contada a própria proposta pode fornecer elementos para um desafio e esse é o caso de Doutor Estranho. Existe uma ressalva com relação aos demais membros da equipe de Kaecilius: eles são figurantes e todo o desenvolvimento se concentra apenas nele e na entidade das Trevas por trás de tudo. Os demais são apenas magos aleatórios que funcionam em cenas de batalha.

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Falando em batalhas, Doutor Estranho é uma aula de cenas de ação. O uso da magia e dos artefatos mágicos, a transfiguração da dimensão, toda a loucura psicodélica que poderia ser utilizada em um filme como esses foi aproveitada, muito bem aproveitada. As cenas de ação são um show a parte. Embora existe certa semelhança com A Origem (filme de  Christopher Nolan) é algo aplicado de uma forma tão diferente que não me lembrou muito o filme. Eu nunca vi Imax e 3D tão bem utilizados como em Doutor Estranho. 

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O filme transita entre o sombrio e a aventura convencional. O humor existe no filme, mas não atrapalha o desenrolar das cenas e, diferente de outro filmes, não serve como tapa furo de roteiros, é apenas uma forma de aliviar a tensão de algumas cenas.  É claro que a Marvel não deixaria de lado seu principal trunfo, o filme é o novo dentro de sua fórmula. A Marvel vem explorando a veia cômica mesclada a suas aventuras muito bem na maioria de seus filmes e deixar isso de lado agora parece loucura. Repetir a dose de estrutura depois de 13 filmes soaria repetitivo caso o personagem fosse outro. Acredito que num próximo filme essa fórmula já esteja saturada, mas em Doutor Estranho ainda não.

A Marvel consagrou o personagem e deu a ele um dos melhores filmes de origem desde Homem de Ferro 1 e Doutor Estranho é sem dúvidas um dos mais interessantes filmes de super heróis desse ano. Seguir os passos de sucesso de seus outros filmes funcionou e a ousadia em adaptar tal personagem deu a Marvel uma perspectiva de expansão de universo e realidades inacreditável. O fim do filme deixa um gostinho de quero demais e me impressionou por deixar um gostinho de quero de novo.

Marvel's DOCTOR STRANGEBenedict Cumberbatch (Doctor Strange) on set. Photo Credit: Jay Maidment©2016 Marvel. All Rights Reserved.
Marvel’s DOCTOR STRANGEBenedict Cumberbatch (Doctor Strange) on set. Photo Credit: Jay Maidment©2016 Marvel. All Rights Reserved.

Doutor Estranho é uma grata surpresa. Uma cereja encima do bolo na qual nos empapuçamos de comer desde o primeiro filme do universo cinematográfico Marvel. É a prova de que, às vezes, mais do mesmo pode ser bom e tentar impressionar dando o passo maior do que o possível nem sempre é louvável. É como ir na casa de sua vó no Natal e ao invés dela fazer somente o bolo de chocolate, como ela normalmente faz, você ganhe de brinde uma deliciosa fatia de pudim antes de ir embora.

Leve seus filhos, namorada ou amigos para o cinema com a tranquilidade de diversão garantida.

Essa são as minhas primeiras impressões do filme. Espero poder assisti-lo novamente e retificar essa crítica emboçado de opiniões mais concretas. A priori, posso dizer que estou satisfeito com o resultado e ansioso pelos próximos filmes envolvendo tudo que foi construído em Doutor Estranho.

P.s: Não saia do cinema antes dos créditos finais. Há duas cenas pós créditos e uma delas praticamente confirma o Doutor Estranho em outro filme da Marvel já no próximo ano.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
Direção
Elenco
Trilha Sonora
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Levi Kaique Ferreira é estudante de Engenharia Civil, Nerd, podcaster e deseja ser escritor. Atualmente trabalha em dois de seus primeiros livros. É fundador sócio no site retalhoclub.com na qual também é host RetalhoCast e Diretor de conteúdo. Tem 21 anos e é apaixonado por moda, tecnologia, filmes, livros, séries e quadrinhos. Seu maior desejo é dominar o mundo.