ATENÇÃO: O ARTIGO A SEGUIR É UMA ADAPTAÇÃO DO TEXTO “DESCULPE O TRANSTORNO, PRECISO FALAR DA CLARICE” DE GREGÓRIO DUVIVIER, NÃO O LEVE A SÉRIO. 

Conheci ele na Sky. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém assistindo Madrugada dos Mortos num sábado nublado em Ipatinga/MG. Mas o filme em questão era aquele excesso de slow motion que todos os garotos amam nos filmes dele –onde visiona-se tudo menos uma boa adaptação. Ele deturpava. Michael Bay deturpava. Eu não deturpava mas ia assistir tudo de qualquer jeito. Ele iria reviver o Superman. Deturpar. Nunca vou me esquecer: o filme era Man of Steel.

O Superman das hqs resgatava aviões, o dele destruía cidades. No gibi salvava senhoras, no filme quebrava pescoços e caía de joelhos. Quando via um caminhão o parava, no filme desviava e se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre triste e azuis (nos filmes), deixavam claro que ele não fazia ideia do que estava fazendo. Foi aversão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passei algumas madrugadas debatendo no DC da Depressão ao som de Songs of Silence. De lá, migrei pro chat do facebook. Do chat pro twitter, do twitter pro site, do site pro grupo (de novo).

Comecei o odiar quando ele tinha 47 e eu 18, mas parecia que a vida começava ali. Vi todas as deturpações. Algumas várias vezes. Fiz todas as críticas existentes aos filmes. Queimei algumas porque no final ficou uma coisa boa. Escolhi acreditar em Batman V Superman sem saber se seria bom. Escrevi textos, fui hater, marvete. Fiz uma dúzia de amigos novos e junto com eles o critiquei. Bani mais de 50 defensores dele só nos grupos—acabei de contar. Sofri com quem o defende, ri com o “Snydeus”. Viajei a Internet pesquisando sobre ele. Dos dez filmes que mais odeio, sete foram inspirações para ele. Os outros três foi ele que dirigiu. Aprendi o que era slow motion e também o que é fade-in, flash-forward, filtro de mau gosto, Rotten Tomatoes e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve o azar de assistir os filmes dele.

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Chorei mais que no final de “Sucker Punch” ~que filme ruim~. Mais que no começo de “Watchmen“. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: O que você achou de Batman V Superman? Parece que, pra sempre, ele vai fazer falta. Se ao menos ele não tivesse matado o Superman, eu penso. Levaria pra sempre ele comigo.

Essa semana, pela milésima vez, vi o filme que me fez o querer sempre longe do Superman —não por acaso na parte em que a Lois se teletransporta. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter odiado um grande diretor na vida. E de ter o trabalho desse diretor documentado em vários filmes —e em tantos vídeos, músicas e extras. Não se salva nada.

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