Falar sobre morte é bem delicado e complicado na maioria das vezes, principalmente quando é preciso contar isso dentro de uma história e ela precisa ter um impacto que atinga lá no fundo do espectador. E assuntos que são difíceis de trabalhar parece ser a especialidade da Pixar, que desde sempre mostrou que sabe, mesmo que com toda pegada infantil, deixar aquela mensagem escondida que toca e emociona.

Viva – A Vida é Uma Festa, pode parecer não muito atrativo, meio infantilizado demais e com uma proposta que pareça lembrar muito com Festa no Céu, animação de Guilhermo Del Toro. Mas tudo o que julgamos antes de ver o filme, se muda completamente nos primeiros minutos da animação, e até a sua conclusão, não paramos de se surpreender.

Mais do que tudo, Viva é uma história sobre família, e o quanto nós devemos amar e apoiar uns aos outros. No centro disso, temos Miguel, um garoto que é apaixonado pela música e pretende viajar e tocar pelo mundo inteiro, mas enfrenta um problema, sua família rejeita a música por conta do seu tataravô. Então ao desafiar as ordens, Miguel acaba que parando no mundo dos mortos e a partir dai, as coisas vão ficando cada vez mais claras e de maiores proporções, chegando a uma conclusão que é impossível não chorar.

Existem diversos pontos de reviravolta dentro dessa história, mas o que chama mais atenção é a fidelidade em apresentar a tradição do Dia dos Mortos celebrado no México. Todo o visual e a identidade do filme é baseada nesta cultura, respeitando ao máximo os valores que esta data representa. Nesta cultura, se acredita que em um dia especifico, os mortos vem até nós e suas almas passam junto de suas famílias. Mas o que aconteceria se um parente não fosse lembrado? É aí que a animação acaba tocando lá no fundo.

O aspecto emocional é um dos pontos fortes da animação e todos os aspectos técnicos ajudam a construir um cenário onde tudo é marcante e apaixonante. A trilha sonora feita por Michael Giacchino está impecável e os momentos que ela encaixa com os planos enormes detalhando o Mundo dos Mortos é de encher os olhos. O filme ainda tem momentos que lembram as clássicas animações da Disney, onde temos números musicais com músicas excelentes, dando destaque para a música Lembre de Mim, que é importantíssima para toda a história principal e que consegue ser grandiosa no momento em que precisa.

Os personagens são bastante carismáticos e nós entendemos todos os seus atos durante o filme. De longe, o melhor acaba sendo Hector, um amigo que Miguel faz após chegar no Mundo dos Mortos, e toda a sua jornada acaba sendo mais uma das chaves que engrenam todo o desenrolar e faz com que logo ele se torne importante.

É interessante também o recurso que o diretor Lee Unkrich utiliza em alguns momentos, de simular que existe uma câmera passando pelos cenários e filmando tudo o que acontece em volta, dando uma imersão diferente e fazendo esquecer que tudo aquilo é uma animação.

O mais incrível é que todos esses detalhes acabam ficando apenas para os adultos ou aqueles que estão começando a vida adulta, enquanto as crianças acabam se divertindo vendo todo o lado bobo e infantil que Viva – A Vida é Uma Festa apresenta, com o personagem do cachorro Dante por exemplo. É uma animação da Pixar como gostamos e queremos ver.

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