Não tem como não falar de Todo o Dinheiro do Mundo, sem imediatamente lembrar que esse é o filme que a menos de dois meses para o lançamento, retirou todas as cenas envolvendo o ator Kevin Spacey, por conta das acusações de abuso sexual, para substitui-las sendo feitas agora por Christopher Plummer, tendo que refilmar tudo de última hora. Foi uma decisão corajosa do diretor Ridley Scott, mas parece que é a única coisa que o longa tem a oferecer.

A trama é baseada em uma história real e gira em torno do sequestro de John Paul Getty III (Charlie Plummer), herdeiro do império de petróleo do seu bilionário avô John Paul Getty (Christopher Plummer), desenrolando todos os bastidores das peculiares negociações que levaram a liberação do garoto. Mas isso fica de lado no desenrolar da história, já que o filme não consegue trabalhar uma relação entre o público e o sequestrado, criando um desinteresse com o que pode acontecer com ele, com um dos momentos mais icônicos quando o rapaz perde a orelha.

Boa parte dessa trama é vivida pelo ponto de vista da mãe do rapaz, Gail (Michelle Williams), que consegue executar muito bem todas as dificuldades que uma mulher comum tem ao enfrentar um dos homens mais ricos do mundo, para que haja uma liberação do dinheiro para poder ver o seu filho e livra-lo de uma organização do crime italiana.

Porém, o que chama a atenção mesmo é a presença de Chris Plummer, pois mesmo chamado de última hora, possui um grande número de cenas e é a grande figura de Todo o Dinheiro do Mundo. Com ele, o filme aborda temas interessantes, como: “será que é mais fácil se tornar rico do que ser rico?”. Suas cenas sempre possuem um detalhe a mais que constroem toda a figura deste homem que já foi o mais rico do mundo e o que fez ele recusar pagar o resgate de seu neto favorito. Esses momentos são sem dúvidas um dos melhores e que salvam o filme de ser desinteressante, caso se focasse apenas no drama.

A parte estética do filme é muito boa, apesar de alguns planos serem bem escuros, e se a projeção do cinema não for boa, isso pode causar momentos em que não será possível ver muita coisa. Mas exceto isso, tudo é criado para criar um clima de perigo ou de exaltação a figura de John Paul Getty. A trilha sonora apesar de não impactar, faz o seu papel e não se torna um ponto negativo.

Não é um dos melhores trabalhos de Ridley Scott, ainda longe disso, mas pelo menos Todo o Dinheiro do Mundo é um filme simples e que talvez valha a pena para quem gosta de ver produções sobre acontecimentos reais. Mas caso não, a única coisa que pode chamar atenção é ver que muitas coisas foram feitas de última hora e isso não fez com que a qualidade fosse prejudicada. É um aprendizado que todos os estúdios poderiam levar a partir de agora.

O Retalho Club foi gentilmente convidado pela Diamond Films para assistir ao filme.

facebook comments:

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here