A chegada de Thor: Ragnarok aos cinemas já representa antes de tudo, o fim da preparação da Marvel Studios para a chegada de Thanos na Terra em Vingadores: Guerra Infinita, tendo agora depois deste filme, apenas Pantera Negra para que enfim todos os heróis caídos possam se reunir por um bem maior e salvar nosso planeta.

Por conta disso, era de se esperar que este filme fosse uma ponte entre os acontecimentos do próximo filme do super-grupo de heróis, ainda mais pelo motivo da aventura se passar completamente no espaço, e Thor (Chris Hemsworth) estar a procura de respostas pelo que seriam as tais Joias do Infinito que estão por ai desde a Fase 1.

Pois é meu caro leitor, se você esperava um filme que tivesse esta função, sinto lhe dizer que está completamente enganado. O filme é além de tudo, uma aventura do Deus do Trovão, e que serve também para se tornar uma história mais competente do que as duas que o antecede.

Mesmo já sendo o terceiro filme, o diretor Taika Waititi toma a liberdade de ir lapidando tudo aquilo que já foi apresentado sobre o Thor nos cinemas e dando uma cara nova a toda a mitologia do herói, sendo uma das principais a construção do herói e a de seu lar. Se antes incomodava o fato do protagonista não apresentar um ponto de evolução, aqui ele acaba amadurecendo com o decorrer da trama e chega num determinado lugar, cumprindo a sua jornada do herói.

O problema de fazer essa lapidação logo no terceiro filme, é que fica em evidencia que jamais houve uma preocupação de como construir uma trilogia decente para o Thor, pois se tivesse algumas coisas poderiam chocar mais ou criar mais impacto, como a participação da vilã Hela (Cate Blanchett), que tem um papel tão grande que é até estranho notar que não existe uma menção a seu nome desde o primeiro filme.

Mas também é evidente que a intenção não era criar uma história amarrada entre os três filmes, a intenção foi criar um filme onde sua história fosse coerente do começo ao final e isso é cumprido de maneira muito simples e direta, sem explicações mirabolantes ou planos que beiram ao impossível. As referencias de outros filmes são utilizadas como tiradas de humor, que funcionam muito bem, principalmente por conta da ótima inserção do Hulk (Mark Rufallo).

Este é aliás, um dos filmes mais descontraídos da Marvel Studios, o que nem de longe é um ponto negativo. O filme possui momentos altos de humor e é bem colorido e remetente a década de 80, com uma trilha composta por Mark Mothersbaugh, que ajuda e muito a dar este contexto. E claro, é impossível não perceber as influencias de Jack Kirby nos cenários e figurinos extravagantes.

As performances estão convincentes e boas, Hemsworth finalmente se encontrou com o seu personagem, que funcionava junto dos Vingadores porém não tinha um apelo suficiente para ser agradável em seus filmes solos. Os novos personagens conseguem roubar a cena, como Tessa Thompson como Valquíria, que foge do estereótipo de par feminino do herói. E claro, já era meio que previsível que Tom Hiddleston iria roubar a cena mais uma vez como Loki e que Cate Blanchett iria chamar todas as atenções para si, mesmo tendo um terceiro ato fraco.

Que aliás, em questão estrutural, o terceiro ato é a única coisa em que o filme falha por completo, a final em nenhum momento ficamos preocupados com a possibilidade de acontecer o Ragnarok, pois as atenções estão todas voltadas para Sakaar. Quando realmente chega o momento da batalha final, toda a construção da Hela vai por água abaixo, em uma decisão de roteiro que apesar de corajosa, é desconexa com o começo do filme, fazendo com que a vilã perca o crédito que tem ao longo do filme e se tornando apenas mais uma boa chance desperdiçada da Marvel.

No final das contas, Thor: Ragnarok pode decepcionar um pouco justamente por não cumprir as expectativas de quem esperava uma grande ponta para Guerra Infinita. Mesmo sendo um longa divertido, a sensação que fica é de que poderia ter sido mais, mesmo sendo ainda um filme solo do Thor.

Mas para aqueles que são fãs do asgardiano e queriam a tempos um filme decente, este filme pode agradar por apresentar conceitos da mitologia nórdica e também da própria versão em quadrinhos, mesmo sendo de maneira simples e direta.

Para o futuro agora, só Kevin Feige sabe o que acontecerá enquanto nós mortais ficamos a espera da onde que terá o ponto de partida da chegada de Thanos!

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