Mesmo com apenas dois filmes, a franquia antológica Cloverfield, produzida por J.J. Abrams, conseguiu chamar a atenção por conta de sua personalidade própria em cada uma das produções. Enquanto o primeiro filme era um found footage, relatando uma invasão de um monstro no centro de Nova York, o segundo era uma história com thriller psicológico, totalmente contido dentro de um bunker. Os fãs logo ficaram buscando achar um ponto onde tudo se conectava e qual o propósito de tudo acontecer. Foi ai que um terceiro filme foi prometido e que daria algumas respostas.

E aí é que chegamos na grande bomba que se tornou The Cloverfield Paradox. Assim como o seu antecessor, um mistério foi criado em cima da produção. Enquanto um foi filmado as escondidas e sem nenhum relato de que estava em produção, este ficou sem nada divulgado até o Super Bowl, quando um teaser foi exibido e logo veio o anúncio de que o lançamento seria logo após o jogo. Até ai, muito êxtase foi criado em cima e a curiosidade em quem não conhecia a série foi implantada. Mas acontece que o resultado final acabou não sendo nada do que se esperava.

O gênero da vez a ser explorado na franquia é a ficção cientifica, colocando uma tripulação de diferentes nacionalidades dentro de uma estação espacial, onde precisam fazer funcionar um acelerador de partículas para que isso acabe com uma crise de energia que se ocasionou na Terra, que ainda passa por conflitos e em risco de uma terceira guerra mundial. Porém, depois de inúmeras falhas, quando o acelerador funciona, acaba transportando todos para uma outra dimensão. E também acaba com toda a proposta promissora que o novo Cloverfield poderia ter.

O filme se perde em ser uma ficção cientifica, não existe consistência no que é apresentado, fazendo com que inúmeras coisas comecem a acontecer sem nenhuma explicação, já que as únicas coisas que o roteiro tenta explicar, é aquilo que de alguma forma irá fazer com que os outros filmes tenham sentido, exceto este daqui, que seria o essencial. E o que torna mais irritante, é que as explicações básicas são dadas literalmente no começo, mas os cientistas não conseguem sequer decifrar o básico do que está acontecendo, enrolando o espectador que já sabe da resposta. Até mesmo quando o filme quer ser um suspense espacial, isso é jogado no lixo, principalmente por conta de cenas que mostram como está a Terra, acabando com todas as dúvidas que poderiam existir do que estaria acontecendo com o planeta e entregando mais respostas enquanto os personagens não sabem de absolutamente nada.

Entrando nesse quesito de personagens, dá uma pena dos atores talentosos que se meteram na grande furada que foi essa produção, pois lhes são entregues papeis que são completamente vergonhosos. Todos os personagens são estereótipos de algo, sendo na maioria, estereótipos das nações que eles representam. O americano (David Oyelowo) é o grande líder e o que vai ter culhões para se sacrificar se necessário, o russo (Aksel Hennie) é o ignorante da turma e que está sempre desconfiado de uma traição do alemão (Daniel Brühl). A única personagem que se salva, e nem por isso deixa de ser mais ou menos, é a da britânica Ava Hamilton (Gugu Mbatha-Raw), que acompanhamos sua jornada desde o começo, mas que logo fica previsível e se deixa cair facilmente no papo da desconhecida Jensen (Elizabeth Debicki).

Outro desperdício é o do compositor Bear McCreary, que volta depois de Rua Cloverfield 10, porém seu trabalho é completamente esquecível e não consegue criar nenhuma emoção durante as cenas. A sensação é de que você assistiu ao longa sem nenhuma trilha, pois nada gera impacto e isso não é de costume do compositor que é conhecido por criar temas que grudam e ficam por um bom tempo na cabeça.

Visualmente o filme não falha, tem seus bons momentos e que chegam a ser um pouco decepcionante termos que presencia-los apenas na TV (ou smartphone), já que claramente a decisão inicial era lançar nos cinemas, o que mudou de última hora por conta do alto orçamento que o filme estava ficando, em comparação a outros da franquia. Mas é de se elogiar as tomadas de câmera que o diretor iniciante Julis Onah consegue fazer no primeiro ato do filme, mas depois do segundo parece perder a mão.

Sinceramente, ainda bem que não lançaram The Cloverfield Paradox nos cinemas, pois este é daqueles casos que só por estar na Netflix e podermos assistir no conforto de casa, acaba poupando o estresse que seria se deslocar ao cinema e ver uma obra tão mal feita assim. Caso você seja apenas um interessado, desconhece a franquia e deseja perder o tempo com esse filme, assista, mas logo depois veja o primeiro filme, pois aí sim a experiência valerá mais a pena.

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