O Rei da Noite é um filme brasileiro de 1975 dirigido por Héctor Babenco. O elenco é composto por Paulo José, Marília Pera, Vic Militello, Yala Amaral, Cristina Pereira e Ivete Bonfá. O primeiro filme do cineasta Héctor Babenco, O Rei da Noite é um filme simples com roteiro raso e personagens inteligíveis. Sem marcas pessoais assíduas, o filme não expõe as características do diretor, talvez pelo mesmo ainda não ter criado sua própria identidade.

Paulo José interpreta Tertuliano, chamado também de Tézinho, narrador e protagonista da história. Nascido numa família tradicional, Tertuliano cresce sem pai, em razão do mesmo sofrer de distúrbios mentais. Cresceu estudioso e promissor, porém ao sofrer uma desilusão amorosa quando sua namorada, Aninha, lhe é afastada por razões médicas, o mesmo se entrega à vida boemia paulistana. É em uma boate da capital paulista na década de 40 que conhece a prostituta Pupi, interpretada por Marília Pera, e começa a viver um caso com a mesma. Mulher de vários homens, motivo de rancores entre o casal, apaixona-se por Tézinho e quando engravida-se do mesmo, desiste de tudo para viverem juntos. O problema é que Tézinho não acredita que o filho é seu e a larga para casar com outra mulher Maria das Graças, interpretada por Vic Militello, pertencente a uma família tradicional paulistana. Com a mesma tem dois filhos e passa a viver um casamento estruturado em mentiras e traições até que por insatisfações mútuas, decide que Maria das Graças deve morrer e arquiteta um plano para mata-la envenenada. Após executado o plano, a polícia abre um inquérito e descobre que Maria das Graças foi envenenada por Tézinho, condenado a 15 anos na cadeia. Ao ser solto já envelhecido, o protagonista se vê sozinho em uma São Paulo da década de 70 sem perspectivas e sem esperanças. Vivendo uma vida monótona em um abrigo para idosos e com o aparente fim próximo, o filme termina com uma cena linda, onde Aninha reencontra Tézinho e os dois finalmente retomam seu amor de juventude.

O Rei da Noite é um filme ousado para a década de 70, com cenas sexo e nudez. Com personagens adversos e que causam pouca simpatia, como Pupi, prostituta e promíscua e o próprio protagonista. Tézinho é uma figura controversa, ao início do filme transmite uma imensa simpatia, se apresentando como um rapaz estudioso e apaixonado, e ao decorrer se torna um personagem antipático, impossível de torcer para que o mesmo tenha um final feliz. Com a personalidade totalmente transformada após perder sua amada Aninha, Tézinho se torna uma figura constante nas boates paulistanas e um adepto da vida boemia, atitudes que lhe rendem o título de O Rei da Noite. Ao final do filme, quando parece que a trajetória do protagonista está para encerrar de forma fatigante e solitária, uma reviravolta advém e acerta o espectador estupefato. Em uma cena linda, fora dos padrões do filme, Aninha encontra Tézinho em um asilo e volta para seus braços.

Héctor Babenco inicia sua carreira cinematográfica nesse filme e embora o filme não corresponda ao seu estilo ímpar, é um bom início.

 

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