Após terem realizado dois dos mais engraçados e influentes filmes de comédia da história do cinema, os adorados britânicos do Monty Python decidiram tentar o impossível e, à sua maneira muito peculiar, explicar qual o sentido da vida, misturando muito bom humor com críticas ácidas a diversos setores da sociedade britânica da época.

O Significado da Vida recebeu o Prêmio do Grande Júri no Festival de Cinema de Cannes de 1983 e, três décadas depois, continua sendo um caso curiosamente atropelado. Foi o terceiro e último filme da equipe Monty Python e foi dirigido por Terry Jones.

O filme é dividido em cerca de oito capítulos – O milagre do nascimento; Crescimento e Aprendizagem; Lutando uns aos outros; Meia idade; Transplantes de órgãos de fígado; Os Anos do Outono; O significado da vida; e é claro, A morte – cada capítulo escrito por todos os atores e posto em pratica das mais divertidas maneiras.

Menos engraçado e mais reflexivo que os longas anteriores, “O Sentido da Vida” dispara críticas ácidas contra a falta de humanidade de alguns partos e hospitais, a cegueira imposta pela igreja na sociedade, desta vez através de uma sequência hilária que começa na casa de um casal católico lotada de crianças e termina na sensacional música “Todo esperma é sagrado”, entoada pelas crianças como se fosse um hino. Há também uma ácida crítica a imbecilidade dos conflitos bélicos, primeiro num segmento divertido em que os soldados presenteiam seu comandante e depois durante a Guerra Zulu, duas sátiras que apostam no exagero para expor os absurdos da guerra.

O milagre de nascimento, por exemplo, foi uma ideia que veio de Graham Chapman, ele mesmo um médico, que percebeu que os hospitais na época estavam ficando mais obcecados com máquinas e esquecendo o trabalho manual, ele então, colocou isso em pratica diante da câmera “Mais aparelhos, por favor, enfermeira!”. Eles também, como sempre, zombando da burocracia como visto em The Liver Donor, quando alguém vai á porta de um homem para levar seu fígado e ele implora: “Não, não, eu não estou morto”. E ele calmamente diz: “Oooh, vamos ver se está vivo até o fim da operação”. Talvez o capitulo mais memorável seja The The Autumn Years, no qual um homem monstruosamente gordo, o Sr. Creosote, come e come até um último bocado e, finalmente, uma hortelã fina, faz com que ele exploda.

“O Sentido da Vida” não falha em provocar boas reflexões na excelente sequência musical que fala sobre o tamanho do universo e a nossa insignificância diante dele. Divertida também é a aparição do Senhor Morte, num esquete que brinca com a figura icônica normalmente associada à morte ao mesmo tempo em que nos leva ao encerramento da narrativa.

A pergunta é: temos a resposta para o sentido da vida? Não, não temos nenhuma pista, mas talvez a vida ganhe mais sentido quando buscamos pensar nela de maneira bem humorada e criativa. O bom humor é uma excelente chamada para expor os nossos problemas e nos fazer refletir sobre eles diante a imensidão do cosmos. É isto que o Monty Python sempre buscou fazer.

 

REVIEW OVERVIEW
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Estudante, amante de séries e filmes e apaixonado por literatura. Todas as minhas religiões e crenças são baseadas em O Senhor Dos Anéis.

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