Hitman: Agente 47 é um filme de ação e espionagem do ano de 2015, é baseado na franquia de jogos do personagem de ficção Agent 47. O filme é dirigido por Aleksander Bach, escrito por Michael Finch, Kyle Ward e Skip Woods, e estrelado por Rupert Friend, Zachary Quinto, Hannah Ware e Thomas Kretschmann.

A história se passa em torno do Agente 47, um assassino profissional de elite geneticamente modificado, treinado desde a infância para ser uma maquina mortal e perfeita. Tendo como alvo uma organização secreta e poderosa, ele conta com a ajuda de uma mulher que possui segredos que são capazes de mudar os paradigmas da trama, sendo a mesma, interligada com todo o cenário que o rodeia.

hitman-agent-47-posterCá estamos nós, mais uma vez com uma tentativa de adaptar um game, e dessa vez com um personagem já adaptado no filme Hitman de 2007, e mais uma vez a essência do game é deixada na maior parte do longa. Há momentos em que percebemos alguns “fan services”, mas em suma o filme carece da essência do personagem, não agradando como adaptação.

Ao avaliarmos o filme por si só também não há muito o que comemorar. O longa possui bons momentos, as cenas de ação em sua maioria são bens feitas e empolgam o espectador, há perseguições bem construídas e a atmosfera de insegurança em relação aos personagens funciona em certa medida. Em contra partida senti falta de uma presença maior de efeitos práticos, é negativamente perceptível o uso de um CGI em momentos dos quais não seriam necessários e isso acaba afetando a experiência de quem assiste. Mais além, senti um certo exagero narrativo em torno da ação, que inclusive foge da linha da essência do personagem da mídia original e acaba trazendo algumas incoerências durante as cenas: decisões de personagens que levam à momentos de adrenalina, sendo que os mesmos poderiam ter sido evitados, te faz perceber que aquilo só acontece para gerar mais cenas de ação e disfarçar a carência de uma boa história.
Uma boa história, é exatamente isso que falta em Hitman: Agente 47. O filme nos apresenta uma história rasa que não consegue se desenvolver de uma forma convincente durante todo o processo, isso causa uma superficialidade enorme nos personagens, ainda mais quando temos um personagem difícil de se trabalhar como o Agent 47. As motivações dos antagonistas não ficam claras, tudo se resume a uma conspiração secreta que o filme não se preocupa em estabelecer de forma que faça sentido. É perceptível como o roteiro conta com que uma sequência esclareça suas falhas. Indo mais além, temos desenvolvimentos mal acabados, acontecimentos previsíveis que ofuscam o temor pelos personagens, sem contar uma tentativa falha de estabelecer um drama familiar.

Mais uma vez vemos um bom exemplo do quanto alguns acertos são ofuscados por um trabalho mal acabado e pontas negativas. Se temos um destaque na fotografia do filme: que apresenta um uso bem constante da cor branca, criando uma atmosfera artificial que reflete o clima mais “científico” da trama, temos um roteiro que traz algo genérico e não acerta em explorar fatores que poderiam ser interessantes para a narrativa. Se temos um esforço do ator principal que mesmo com um personagem difícil se preocupa em entregar uma interpretação convincente com o pouco de material que recebe, temos uma protagonista que parece estar em uma peça amadora do colegial.

Hitman: Agente 47 é um filme com boas cenas ação, mas que não entrega além disso por causa de uma narrativa fraca, decisões previsíveis e uma falta de identidade.