Seria muito fácil chegar aqui e escrever o quão mal executada é a ideia que Bright se propôs a fazer e o quão ridículo chega a ser alguns momentos do novo filme de David Ayer. Talvez essa seria a minha tarefa caso este fosse um lançamento para os cinemas, mas como não foi isto que aconteceu, a reação após o final acabou que sendo bem satisfatória.

Afinal, se existe uma vantagem de se assistir um filme que seja de produção da Netflix, é poder ver no conforto de casa na hora que bem querer e como quiser, sem ter que se desalocar para um local, tendo que estar lá em uma hora marcada e talvez se desapontar e ficar pensando nisso o caminho inteiro de volta, analisando ponto por ponto aquela experiência trágica. Ao terminar o filme aqui, apenas tive o trabalho de sair da minha sala e perceber que mesmo com os erros, me satisfez.

A ideia de Bright era muito boa, contar uma história em uma realidade onde todos os seres da idade média vivem juntos com os humanos desde o princípio dos tempos, ou seja, vemos orcs, elfos, fadas e várias outras raças vivendo juntos no século XXI, dentro do contexto de sociedade moderna que temos. E claro, que isso gera novos tipos de preconceito, como a má visão que se tem em cima dos orcs, os forçando a viver em áreas da classe média ou baixa. O problema é que tudo isso não é explorado em nenhum momento.

Toda história que se passa em um universo de fantasia, tem que pelo menos colocar o espectador dentro daquele mundo, nos fazendo entender quais são os conflitos e o básico de tudo, antes que se desencadeie a trama principal. Isso não acontece em Bright, que passa seus minutos iniciais introduzindo seus dois protagonistas, os oficiais Ward (Will Smith) e Jakoby (Joel Edgerton) que estão passando por situações que sequer entendemos direito o porquê de estarem acontecendo afinal.

Por outro lado, o que nos é entregue, é mais um filme genérico de policiais, onde existe uma policia corrupta, a dupla protagonista no começo ainda não se entende, mas ao decorrer da história eles vão criando um laço e viram parceiros de verdade. Nós já vimos isso, inclusive, David Ayer já fez isso, dando uma impressão de que tudo é uma reciclagem, e o que poderia ser original fica apagado. Elementos que poderiam ser muito interessantes, como a Varinha Mágica, que é uma arma aparentemente milenar, também fica sem uma explicação da sua existência.

Mas mesmo com uma história rasa e cheia de buracos, diálogos fracos e os personagens nem um pouco atraentes, ainda sim Bright consegue divertir a partir do momento que as cenas de ação começam a acontecer. Existem ótimas sequencias de tiroteio e algumas de combate corpo-a-corpo que são bem empolgantes. A classificação para maiores ainda contribui para que a violência gráfica seja bem intensa e brutal, mesmo que elas sejam apenas entre humanos contra humanos.

Will Smith está vivendo novamente o típico personagem que sabemos que ele sabe fazer, um pai de família com problemas e que toda a sua jornada se resume a se redescobrir e melhorar como pessoa. Edgerton consegue ser um pouco carismático, mesmo com uma maquiagem pesada, os outros personagens são fracos e sem desenvolvimento algum e os que tem são ruins, como a vilã vivida por Noomi Rapace. Mas por incrível que pareça, no terceiro ato pode fazer com que haja uma preocupação, mesmo que minima, com alguns dos personagens.

No final das contas, são tantos erros criativos e que chegam a ser até um pouco “tosco”, que fica divertido e vira uma ótima experiência. Assistir a um filme no conforto de casa, que proporciona uma boa ação e diverte nos momentos mais ridículos é uma ótima pedida para um assinante da Netflix que quer ver algo numa tarde ou noite, acompanhado ou sozinho, sem ficar analisando muito tudo que acontece em tela. Mas fica o alerta de que é bom termos olhos bem abertos com o que David Ayer pode aprontar em seus próximos filmes, afinal, uma experiência assim não se consegue no cinema.

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