É muito fácil citar inúmeros filmes e os definir como uma obra de arte. A própria palavra arte hoje em dia é sinônimo de assombro, o que ainda definimos como arte? A expressão humana por meios externos, a literatura, o cinema, o teatro, a música e até mesmo a noviça televisão participam dessa esfera obtusa e belíssima que é a arte.

Não é fácil de lidar com ela, quando um alguém se prontifica em estudar, ler, ver e se debruçar sobre a arte é extremamente comum que ela se assuste com o que pode se deparar, a arte sempre será questionadora e reflexiva, uma música ou um filme sem subjetividade, contexto ou expressão pode ser considerado arte? Até pode, mas nunca será tão grandioso como uma obra que realmente apresenta um teor de expressão real. Uma obra de arte se tornou até um termo do dia-a-dia de maneira comum, mas se nos aprofundarmos ainda mais nesse sentido nos encontramos com um algo que cutuca, expressa e ainda gera qualquer emoção possível.

Mother! (no Brasil, Mãe!) causa desconforto, náuseas, mal-estar e medo, pelo menos são esses os sentimentos que eu acredito que vá afetar grande parte do público, ou até mesmo TODO o público que teve ou terá a chance de ver o novo filme de Darren Aronofsky.

Em períodos que a arte tem conceitos obscuros e é digna de censura por supostamente ferir a moral, Mother! aparece de supetão com um temas indiscutíveis: universalidade, religião, Deus e até mesmo meio ambiente, carregado de temas subjetivos, metáforas e uma impecabilidade técnica grotesca, Aronofsky nos apresenta um filme único e que vai repercutir por um longo tempo. Não é preciso que Mother seja discutido e teorizado por  debates e longas conversas como fazem com qualquer blockbuster eternamente por aí, é um filme que talvez desapareça lentamente entre a grande maioria, mas não vai sumir de vez, Mãe tem a capacidade de transcender o telespectador de uma maneira prestigiosa e prendê-lo em um debate e reflexão que fazem parte da própria natureza humana e acaba se tornando impossível não pensar sobre o que vimos.

A técnica é impecável, fica difícil encontrar qualquer defeito em uma obra tão catastrófica e poderosa. Mãe tem um início lento, um meio caótico no melhor sentido da palavra e um desfecho memorável, mais próximo aos clássicos de Luís Buñuel, como O Anjo Exterminador, Mãe vai ficar na memória do cinema de forma única, talvez por tratar de um tema constante, mas de uma forma jamais vista e de uma maneira extraordinária.

Se ainda temos dificuldade de caracterizar o que seria uma obra de arte, Mãe é um exemplo disso, trata de um tema humano, é uma forma de expressão e acima disso causou sentimentos e resultados poderosíssimos, ódio, amor, veneração ou repúdio… Talvez de forma simplificada uma obra de arte é justamente isso: a compreensão para alguns, a aversão para outros, mas no fundo causar uma reação geral para todos que tem contato com ela.

Mãe é o melhor filme de 2017, e você precisa ver essa obra de arte.

facebook comments:

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here