Depois dos últimos fracassos de Hollywood em adaptar jogos às telonas (como esquecer a expectativa e decepção de Warcraft?), Assassin’s Creed veio para mostrar que… É, realmente não dá pra ser tão otimista.

O filme não se prende nos personagens e desfechos do jogo, optando por tomar um caminho próprio e original, baseando-se nas noções básicas que definem a franquia. Uma boa e interessante escolha, e esse com certeza não foi o ponto fraco do filme. Apesar disso, o roteiro tem falhas incômodas e inconsistências visíveis em personagens chave, enfraquecendo a experiência promissora que a obra prometia.

Nos primeiros minutos de filme já somos apresentados a Aguilar (Michael Fassbender) e sua guilda de assassinos no que parecer ser uma iniciação, ambientada em 1492 na Espanha. O clima ali, como em quase todas as cenas que se passam na realidade do Animus, é pesado e nitidamente diferente das cenas na realidade atual. Há sempre um filtro amarelado, por vezes até meio turvo, em torno das cenas, dando um ar de passado ao mesmo tempo que sonho. É uma quebra nítida, o espectador não precisa prestar atenção a cenografia ou ao figurino – apesar de ambos serem muito bem feitos e completos – para perceber que aquilo não é o presente do filme.

Na próxima cena voltamos aos tempos quase atuais, com Callum Lynch – nosso protagonista e alter ego de Aguilar – sofrendo com as primeiras consequências de ser descendente de um Assassino já na infância. É uma cena que marca um trauma infantil diretamente ligado a toda a motivação do personagem e que praticamente dá linha a sua vida. Esse é um ponto muito tocado durante o filme, mas ainda assim mal desenvolvido, deixando-o pobre como ponto chave no desenvolvimento de Lynch. Logo em seguida já vemos nosso protagonista adulto e preso, sendo levado ao seu leito de morte por punição de uma vida de delitos e um homicídio. É aí então que o filme realmente começa, quando Lynch morre, mas acorda na mesa da Dra. Sofia Rikkin (Marion Cotillard), dentro da gigantesca Fundação Abstergo. Lá ele descobre sobre seu antepassado e é forçado a participar do experimento que tem como objetivo buscar a Maçã do Éden, artefato que pode acabar com o livre arbítrio.

As atuações são um ponto forte do filme, principalmente de Michael Fassbender, que apesar do roteiro falhar em cativar e desenvolver seu personagem ele supre um pouco dessa falta com uma atuação muito boa, expressando conflitos internos de forma visível ao espectador. Em geral, nenhum personagem se destaca muito, não há nada de mais para se apegar, nada profundo o suficiente. As cenas de ação fazem o papel crucial de segurar a atenção no filme, com coreografias fantásticas, CG’s bem colocados – com algumas exceções específicas, como o Salto Da Fé – e trilha sonora bem encaixada. Dentro do Animus a fotografia é muito bem trabalhada, as cenas são bonitas e bem ambientadas, principalmente os vôos da águia que nos guiam junto com Lynch ao mundo de Aguilar.

Em geral, é um filme mediano que tem como objetivo apenas um divertimento passageiro, mas amarga com um final estranhado e sem sal. Assassin’s Creed é como um bolo que você bota no forno cheio de expectativa, mas quando chega a hora de tirar de lá percebe que solou; ainda é comestível, mas nem de longe é bom como esperava.

Critica escrita gentilmente por: Luana Marzulo

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