Seu mundo girava em torno deles: Thomas e Martha Wayne. Aquela criança era simples, talvez um futuro empresário, era uma criança boa, que adorou aquele filme, era um momento com seus pais, era um momento único. Ele saíra daquela sessão, sua cidade tinha aquele ar sombrio, marginal… Mas era sua cidade, era a cidade gótica e era lá que ele iria viver, era seu recanto. Ele caminhava sorrindo, com seus pais ao seu lado, com o tenro abraço de seu pai e o doce som do riso de sua mãe.

Eles eram o mundo dele.

A força do mal, o vil se aproxima com a arma levantada, aquele símbolo é do nefasto de sua cidade, é a constante rede de crimes que assolam aqueles becos. E então ele clama por joias, dinheiro, ele clama pelo lucro em troca da vida deles, mas ele é louco, ele necessita destruir os mundos dele. Seu pai tenta transcender o homem, se tornar algo mais forte, mas tomba ao chão quando a primeira bala ecoa, e é nesse momento que o jovem Bruce cai pelo buraco, é sua primeira dor. O vil admira o colar de pérolas dela, seu último mundo, a sua segurança e então atira. Bruce cai sobre o chão, o baque profundo e seco. Os mundos dele, caídos em uma sarjeta, mortos. Seus mundos eram sua segurança, seus pais eram segurança e agora estavam acabados, sob o véu de uma chuva em sangue. Não era somente vingança, não era somente sentir o prazer de ver a vida daquele homem se esvair como a de seus pais, mas era a justiça, quantas crianças perderam seus pais naquele momento? O mal existe, toda teologia religiosa prega isso, mas quem derrotaria aquele mal? Quem teria coragem de erguer as mãos e lutar contra aquele vil, que é somente um entre milhões?

O medo, o trauma. O jovem Bruce Wayne cai sobre o chão e encara a escuridão, é o interior da sua alma! É lá onde reside o lado sombrio pregado pelos pensadores, é onde se oculta cada desejo sombrio e nefasto… E então ele surge, com os morcegos. Ele teme, grita, e ele encara o medo, adquiri o trauma. A segurança de sua vida eram seus pais, e agora? Sua segurança seria suas mãos, seria ele mesmo, agora ele não era só Bruce Wayne, mas era o melhor de dois mundos: Era o homem, e o morcego.

Agora ele era o Batman, era o lado sombrio unido a beleza da justiça. Era um vilão da escuridão que fazia o bem.

Era as duas caras de uma mesma moeda.