O conceito de corpo na antiguidade sempre foi essencial. Desde a Grécia Antiga, o ideal de  perfeição (que era nutrido por anseios e desejos de que nós éramos idênticos aos Deuses), sempre foi um ponto alto de se compreender os corpos. Não havia uma moralidade restritiva do nu e tampouco do que consideramos erótico ou tabu, por fim, a antiguidade passa por um momento crucial para compreendermos melhor todo este contexto: a transição de costumes e valores gregos para uma cultura romana e como isso repercute no novo filme de Luca Guadagnino.

Nos créditos iniciais de Call Me By Your Name, vemos estátuas romanas, durante todo o longa somos levados para essa beleza da antiguidade greco-romana, mais precisamente romana, mas existe uma razão (além da estética) de se evocar tal contexto histórico? Na Roma Antiga, a aceitação e atitudes homossexuais (que é um termo contemporâneo e não se encaixa perfeitamente no que acontecia na época) eram abundantes, a partir da Roma Imperial que as práticas que eram intituladas “pederastias” tiveram seu apogeu, mais precisamente no reinado do Imperador Adriano, que compartilhava uma paixão incandescente por inúmeros garotos.

Imperador Adriano e Timothée Chalamet

Na história de CMBYN é bem possível perceber o viés histórico que seu diretor e roteirista Luca Guadagnino traz para se tornar ainda mais delicado e suave, sua invocação histórica não só flerta com a romana, mas também com a Grega, principalmente quando se trata de uma “indecisão” sexual de suas personagens. A vida do jovem Elio muda totalmente quando é apresentado para uma nova dimensão, a masculina, e é na sua puberdade jovial que flerta com Oliver, o homem adulto que passará um tempo na sua casa no verão de 1983. No filme, tanto Elio como Oliver também tem fortes contatos com mulheres, o que espelha precisamente como as práticas pederásticas eram na Grécia Antiga, do ponto de vista grego um homem era muito capaz de amar uma moça e um rapaz simultaneamente ou alternadamente, uma atração única pelo que ele mesmo considerava “belo“, a relação de Elio e Oliver não só se caracteriza em sua sexualidade, mas também nas próprias colocações de papel, na sexualidade greco-romana era perfeitamente comum as idades terem uma distinção. O homem adulto, que tinha entre os 25 aos 30 anos era chamado de erastés e o jovem que transitava entre 12 e 18 era conhecido como eromeno.

Por meio de uma visão sensível e perfeitamente bem colocada, que CMBYN brilha em mostrar uma história esteticamente perfeita e tão bem construída, sua concepção erótica e de beleza também sugam ideias Gregas de forma única, o que é considerado erótico? O algo sexual? O pornográfico? Para a sociedade moderna e muito fomentada por ideais cristãos, o erotismo e o amor são coisas distintas, já na Antiga Grécia é algo conjunto, Eros era a divindade que representava essa união: o sentimento amoroso e os papéis sexuais tecidos em uma beleza única, e é justamente essa união que Elio e Oliver desenvolvem: um desejo sexual e erótico que não pode ser negado e o amor.

Oliver e Elio

Call Me By Your Name reúne um elenco que trabalha de forma belíssima, que em conjunto com uma direção profundamente sensível e encantadora, trabalha o erótico, o sensual e o romântico de forma depuradora e a tecnicidade em um status perfeccionista formam um longa completo em todos os sentidos.

 

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