Antes de começar a ler o texto me responda uma coisa sem pensar: Quantos filmes “originais” (quando eu digo original quer dizer algo novo, sem ser uma adaptação ou um reboot/continuação de algo que já existiu) você assistiu no cinema esse ano? Um? Dois? Nenhum?

Não precisa ser um grande conhecedor pra reparar o quão o entretenimento está limitado quando se trata de novas ideias novas, nada novo está fazendo tanto sucesso, e isso obriga os estúdios a reaproveitar o que deu certo uma vez ou “roubar” essa fama de outras mídias. Isso ocorre principalmente na grande Hollywood que aposta cada vez mais em adaptações de livros e quadrinhos, ou até de jogos (aposta feita em Warcraft e Assassin’s Creed). Após a Marvel lucrar 1,6 bilhões de dólares em 2012 com seu belíssimo Vingadores os produtores começaram a investir cada vez mais nos quadrinhos, três universos diferentes veem se formando como grandes franquias, todos graças a esse sucesso recente. Apesar desses grandes investimentos atuais, filmes de heróis já existem a muito tempo, a questão é que eles sempre foram tratados como “lado B” nas telonas, dando sempre mais espaços as produções originais. Isso começou a mudar nos meados dos anos 2000, quando foi lançado o primeiro filme dos X-Men, trazendo Patrick Stewart e Hugh Jackman como protagonistas. Junto isso, a Warner Bros. fez dois grandes investimentos em sagas literárias, essas que se tornaram duas das maiores franquias do cinema moderno, um deles é “Senhor dos Anéis” lançado em 2001 ao comando de Peter Jackson a franquia revolucionou a arte dos efeitos especiais e apresentou o conceito de captura de movimentos, técnica muito utilizada hoje em dia. Também lançado no mesmo ano temos “Harry Potter e a Pedra Filosofal” que sob o controle criativo da autora J.K Rowling e dirigido por Chris Columbus mostrou uma maneira diferente de construir grandes universos nas telonas.

Já no universo das séries, é só olhar e perceber que os dois maiores “blockbusters” atuais são adaptações. Nem a toda-poderosa HBO nem sua concorrente AMC conseguiram nadar contra a maré nesse cenário. A primeira investiu em Game of Thrones, baseada nos livros de George R.R Martin e a outra em The Walking Dead, feita a partir das HQS com o mesmo título, produzidas pela editora americana “Image Comics” (também produtora de Hellboy, que também ganhou uma adaptação, só que em filme). Além disso, há outras séries que caíram e caem na boca do povo, como Smallville, Flash, Agents of S.H.I.E.L.D, Demolidor, Preacher e assim vai. Já outras produções bebem ou continuam bebendo de sucessos passados, como Teen Wolf (feita a partir do filme estrelado por Michael J. Fox, de “De Volta para o Futuro”) ou a franquia Pânico, que originou Scream Queens.

teenwolf

Outro hábito que já fez muito fã chorar de raiva é a mania de criar jogos (em sua maioria horríveis) sobre filmes. Um filme é lançado, dá certo dinheiro, um estúdio meia-boca compra os direitos e cria um jogo totalmente quebrado que usa a fama do filme pra vender suas cópias. Essa prática acaba desgastando as adaptações, fazendo com que o mercado desconfie sempre que uma adaptação é anunciada. Mangás e desenhos animados também acabam sofrendo pelo mesmo mal, embora tenham um histórico melhor que o dos longas.

Mas se engana quem pensa que há apenas uma maneira de deturpar (Alan Moore feels) o material original. Muitas obras já fizeram o caminho inverso a grande maioria, estreando primeiro nos cinemas/TV e depois indo para os livros e quadrinhos. Como exemplo disso temos Star Wars que começou nas telonas e depois foi adaptado as mais diversas mídias, como quadrinhos, desenhos, livros e por ai vai. O sucesso de Star Wars é tão grande que a franquia é um dos produtos mais rentáveis já criados. Também temos os desenhos da Hanna Barbera que recentemente se transformaram em quadrinhos publicados pela DC Comics.

Sim, esses são Dick Vigarista e Muttley na nova HQ de Corrida Maluca.
Sim, esses são Dick Vigarista e Muttley na nova HQ de Corrida Maluca.

O problema dessa nova onda entre as produtoras é que acaba saturando e/ou monopolizando o mercado, além de ter o risco de “estragar” o material original, visto que muitas empresas criam seus produtos sem um nível de respeito pela obra certo, visando apenas o retorno que esse produto pode oferecer.

Com tudo isso em mente, o Retalho Club vai disponibilizar diversas críticas a respeito de adaptações de jogos no cinema, como “comemoração” do lançamento de Warcraft que foi lançado no último dia 2 e visa ser um divisor de águas no quesito más adaptações dos videogames.

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