Há um certo momento de X-Men 3 que a personagem Vampira pergunta “É verdade? Eles podem nos curar?” e em seguida desenrola-se um diálogo dos personagens em cena que finaliza de forma simples: “Não podem nos curar. Quer saber por quê? Porque não há nada a curar. Nada de errado com você.” e provavelmente esse é um dos momentos de ouro de uma franquia que trouxe de forma tão bacana temas assim.

É bastante simples, os X-Men são nada mais nada menos que personagens “diferentes“, que no mundo “normal” sofrem preconceitos e precisam lidar com os desafios de nascer diferentes, como contar e lidar com os pais, ser bem visto pela sociedade, serem aceitos… Isso não te lembra nada? Pois é, quase se assemelha à alguma história LGBT, ou de minoria, e provavelmente existe uma união bem forte nesse quesito.

Manifestações e militantes contra os direitos dos mutantes… Isso te lembra algo?

Nossas adoradas histórias em quadrinhos apresentam muito mais do que acreditamos ver nos desenhos e roteiros, heróis e vilões… Mas qual é o real significado daquilo, o que realmente está entre as linhas daquela história? Não que os X-Men sejam puro debate social, mas um quesito fundamental para compreender suas histórias nos quadrinhos e posteriormente no cinema são as minorias sociais, pode-se ter uma leitura onde os X-Men são oprimidos no mundo comum e surgem inúmeras organizações, extremistas ou não, para lidar com o preconceito, em certas leituras tomam o próprio Professor Xavier como uma alegoria ao militante dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, Martin Luther King Jr. E  Magneto como o militante mais extremista Malcom X, embora em outras leituras tragam o personagem de Magneto como militantes mais radicais como os Panteras Negra enquanto figuras como os Sentinelas representariam a contraparte disso, como organizadores da KKK. O que esses vários exemplos podem trazer? Que a arte imita a vida, e como os quadrinhos dos X-Men e suas adaptações cinematográficas mostraram muito bem é como existe uma maneira de tratar de temas fundamentais (Que ás vezes passam despercebidos) para nossa sociedade, mas de outra forma. Inúmeras cenas dos X-Men trazem essas perspectivas, como a de X-Men 2, onde Bobby Drake (Homem de Gelo) se abre para seus pais sobre sua posição mutante, além da presença de vários personagens LGBTs, fomentando ainda mais a diversidade importantíssimo que precisamos ter cada vez mais.

E mesmo com todo ódio, ainda há amor.

Quando me deparo com fãs dos X-Men, obra que claramente trata de minorias sociais, emponderamento das figuras marginalizadas da nossa sociedade e dos problemas sociais que temos, declararem abertamente ser contra emponderamento de minorias e do avanço dos direitos de tais grupos eu me pergunto: você leu corretamente? É uma pergunta simples, ás vezes realmente as pessoas leem as palavras, mas não o que está por trás delas… E é preocupante.

Quando vemos obras que tentam trazer esse tipo de debate importantíssimo para as realidades mais modernas, com mídias que serão mais atrativas e mesmo assim existirá censura e ódio é importante pensarmos quem motiva ou o quê motiva isso. E mais assustador do que “fãs” de obras assim encarnarem totalmente os vilões dessas histórias. Por fora, serem totalmente os mocinhos e os bons heróis, mas em uma análise mais perturbadora representarem totalmente os vilões dos quadrinhos.

Dias atrás, quando um juiz aqui do Brasil possibilitou que uma emenda onde a homossexualidade ser vista como doença é algo legal, acaba se tornando uma das provas que quanto mais progredimos, regredimos ao dobro. E como isso está relacionado com X-Men? É como Magneto explica no terceiro filme, não é só uma cura para “melhorar” como está, é eles transformarem aquilo em algo incomum, em seguida começarem uma maneira de limpar a sociedade daquilo e por fim fazer coisas como fizeram no passado, como o holocausto.

Em momentos assim, como mudarmos o medo de que no futuro nossos “mutantes” não possam mais viver e nos salvar de nossos próprios perigos? Lutando, assim como os X-Men lutaram contra perigos e medos tão fortes como os Sentinelas, como unidos puderam derrotar os males que tomavam conta daquela sociedade, através da união e da mobilização que podemos de forma concreta parar medidas como essa que só servem pra fomentar o ódio e o preconceito de forma mais poderosa ainda.

E obviamente, dialogue como o Magneto dialogou com os Nazistas em X-Men: Primeira Classe.

Não precisamos de cura para a

homossexualidade, o que precisa ser

tratado é o preconceito.

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