O mundo das séries precisa se renovar. É inegável que nós como fãs e telespectadores precisamos de algo novo e nem sempre ver a mesma coisa durante a vida toda pode ser tão bom tanto pra nossa mente, como pra televisão, existem inúmeras séries de investigação, raras se salvam. E talvez 2015 e 2016 tenham sido anos de ouro para a televisão, que no futuro vão ser lembrados com toda certeza.

No passado tivemos Os Sopranos, Lost, Breaking Bad, True Detective, The Wire e Seinfeld, mas na atualidade as séries de televisão estão tão atrativas e grandes que o próprio cinema rumou pra esse canto. Só nesses dois pequenos anos tivemos o estrondoso sucesso de séries de quadrinhos que funcionam (Marvel/Netflix), séries de temáticas insanas e totalmente deleitosas (Mr. Robot e Black Mirror) e uma revolução do gênero com séries já encrustadas na história, com a Batalha dos Bastardos de Game of Thrones.

E em 2016 vimos Westworld que veio pra ficar, posso estar julgando antes da hora, mas com toda certeza essa obra de Jonathan Nolan e Lisa Joy vai marcar na história das séries. Tanto pela qualidade técnica como pelo roteiro exemplar, Trace Decay (S01x08) parte para a reta final de sua primeira temporada e já deixa saudades.

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Westworld é uma série feita por teorias, toda sua narrativa talvez confusa se constrói entre seus fãs, as sinapses entre seus episódios, os debates com certeza enriquecem o que essa série é. Seu oitavo episódio talvez alimenta e ao mesmo tempo quebra algumas das teorias formuladas, o grande louvor da série seja sobre as diferentes linhas de tempo, sobre personagens que estaria em diferentes linhas de história, essa teoria fortalecida pelo episódio com certeza vai ganhar mais força ainda e pode ser verdade como a de Bernard ser um robô. São vários nós destrinchados por seus telespectadores e que ruma para um nó só, e aí parte o medo.

Ela pode não responder nada, deixar em aberto.

É óbvio que série nenhuma não precisa responder tudo, Breaking Bad não mostrou o que acontece com Jesse Pinkman, e mesmo assim seguiu bem. Mas Westworld não pode fazer isso, não necessita. O labirinto, as metáforas, Arnold, Dr. Ford e Dolores, todos esses nós ainda estão presos e amarrados, as verdadeiras razões de todos ainda não estão respondidas e seu público não só precisa, mas tem uma espécie da alas abertas que precisam de respostas. Westworld é filosófica e misteriosa demais e talvez seja nesse ponto que ela deslize, explicar tudo, ou deixar alas abertas?

Tirando as pequenas fagulhas confusas e um medo deles não responderem as perguntas, a série continua o seu ritmo técnico e de roteiro acima de qualquer produção desse ano. Talvez por sua temática diferente outras séries não tiveram uma eloquência tão grande e reflexiva, mas Westworld acerta em cheio nesse aspecto, nas questões não respondidas e em tudo que nós, seres humanos temos em comum com aqueles protagonistas robóticos. Seu oitavo episódio dá medo, precisa ser revisto várias vezes pra compreender ao todo e ruma para um destino incerto. É nele também que reforçamos o discurso das realidades simuladas em relação ao sentimentalismo humano, o Homem de Negro é um deles, ele é um grande homem para o mundo real, na realidade mentirosa é um carrasco.

Westworld vai seguir frenética com uma revolução dos anfitriões ou vai continuar com seu debate reflexivo e essas mudanças conspiratórias? Vai colocar todo o tema da rebelião  para dois episódios ou só ter um desfecho memorável e requintado, como a série descreve desde seu primeiro episódio?

O futuro está incerto, mas se há algo que eu tenho certeza é que vai deixar saudades, bom, pelo menos até 2018.

 

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